Tesla começa a mudar de perfil e se tornar mais parecida com Google e Facebook

Por Redação | 23 de Agosto de 2017 às 16h51
photo_camera Benjamin Zhang/Business Insider

A Tesla não é uma fabricante de carros tradicional e suas pretensões vão muito além de ser referência no mercado de automóveis movidos a energias alternativas. A cada quilômetro que  seus carros viajam, ela começa a se parecer cada vez mais como uma empresa de tecnologia, nos moldes do Google ou Facebook.

No início desta semana, Elon Musk, CEO da Tesla, publicou um tuíte que diz que a montadora vai começar a armazenar os perfis dos motoristas na nuvem e não mais localmente nos veículos. Este é o último passo dado em direção ao manual de conduta das gigantes da tecnologia.

O deslocamento dos perfis dos motoristas para a nuvem significa que configurações de temperatura, ajustes de assentos e outros ajustes pessoais poderão ser baixadas para qualquer Tesla no mundo.

Carro da Tesla

Em um primeiro momento, essa medida parece extremamente útil para clientes que trocam os modelos de Teslas por mais novos ou para alguém que aluga um Tesla regularmente, mas tem um significado ainda melhor para o fabricante de automóveis. O armazenamento dos perfis dos motoristas na nuvem indica que a empresa pode, teoricamente, reunir e analisar toneladas de dados sobre seus motoristas, de forma similar ao que é feito pelas grandes empresas de tecnologia, que estudam o comportamento de seus usuários.

Google e Facebook são duas das maiores empresas publicitárias do mundo por causa da informação detalhada que elas armazenam sobre seus usuários. As companhias oferecem serviços gratuitos aos consumidores em troca de dados de navegação e comportamento na rede, que permite aos anunciantes ter a certeza de que seus anúncios vão atingir os clientes que desejam.

Em direção à condução autônoma

Os dados do usuário também são valiosos para "educar" os algoritmos da máquina. Essa quantidade de informação sobre padrões de condução é necessária, por exemplo, para treinar sistemas de direção autônoma. Os tipos de dados nos perfis dos motoristas provavelmente não seriam úteis para a condução autônoma, mas poderiam ajudar a empresa a otimizar outras áreas de seus carros para atender melhor às necessidades dos usuários.

A Tesla vem coletando esses dados por um tempo — cerca de 1,3 bilhão de quilômetros de dados já foram armazenados por carros com o conjunto completo de sensores de piloto automático instalado.

A empresa também atualizou recentemente sua política de compartilhamento de dados para que pudesse coletar "clipes de vídeo curtos" dos carros, para melhorar a tecnologia de condução autônoma. Dessa forma, a Tesla está colecionando um enorme tesouro de dados sobre seus usuários, que se torna cada vez mais valioso para enfrentar a concorrência.

Os dados são uma das maiores vantagens que a Tesla tem em relação aos fabricantes de carros tradicionais e às empresas de tecnologia que tentam por as mãos na tecnologia de condução autônoma. A empresa instalou oito câmeras e 12 sensores ultrassônicos em todos os novos veículos desde o terceiro trimestre de 2016, de acordo com a carta aos investidores da empresa divulgada na época.

O cenário desenhado é este: as empresas tecnológicas podem ter os sensores e os fabricantes de carros tradicionais podem ter o volume de quilômetros percorridos, mas ambas não têm as duas coisas como a Tesla tem.

Fonte: Business Insider

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