Repórter do NYT conta como é andar em carro autônomo da Uber

Por Redação | 16.09.2016 às 20:55

Já imaginou pegar um carro autônomo para ir de casa para o trabalho, da mesma maneira que você já faz com os carros do Uber? Pois a própria empresa anunciou que já colocou os carros sem motorista para rodarem nas ruas de Pittsburgh, nos Estados Unidos — e os primeiros testes já estão acontecendo por lá.

Mas o mais bacana dessa história é que uma "pessoa comum" pode testar o serviço antes mesmo de ele ser liberado para todos. Mike Isaac, repórter do NYT, deu uma volta a bordo de um Ford Fusion híbrido — ou Boro 6, como foi gentilmente apelidado — e autônomo da Uber. E contou todos os detalhes de sua experiência.

A empresa equipou a máquina com mais de 20 câmeras, sete lasers, um sistema de detecção a laser de 360 graus e mais 1.400 peças diversas que traduzem tudo aquilo que está acontecendo do lado de fora em dados para serem interpretados pelo cérebro do veículo. E, segundo Isaac, se o negócio de carros autônomos funcionar como as empresas estão divulgando por aí, ninguém nunca mais vai sentir necessidade de se sentar no cockpit e botar as mão no volante novamente.

uber autonomo

Mike Isaac a bordo do Boro 6, o Fusion híbrido e autônomo da Uber, em Pittsburgh, EUA

Isaac conta que entrou no carro, deu a partida mas, da primeira vez, o veículo não quis se mover sozinho. Um funcionário da Uber estava sentado no banco do carona e pediu para que ele desligasse o motor e ligasse de novo, como se estivesse reiniciando um computador. E assim o fez. A partir daí, ele passeou de carro autônomo por quase uma hora, em trânsito leve, no centro de Pittsburgh.

Durante a maior parte do trajeto, o repórter ficou sentado no banco traseiro do Boro 6, já que o engenheiro de segurança teve de assumir o volante em locais específicos, como cruzamentos e pistas rápidas. Quando um motorista de caminhão resolveu entrar de ré em uma rodovia, o mesmo engenheiro teve imediatamente de pisar no freio para reassumir o controle do carro.

Interessante é que, caso o cerco apertasse, o engenheiro poderia apertar um botão de pânico no console do carro e, com isso, desativar o modo de direção autônoma para assumir o volante como se estivesse em um carro convencional. E, se quisesse recolocar o carro no modo independente, era só apertar um outro botão metálico no console e a mágica estaria feita.

Mike conta que ficou observando o ambiente infravermelho que o carro reproduziu na tela do console: era um mundo 3D que se atualizava constantemente em tempo real. No final da corrida, a Uber ainda envia uma mensagem de texto para os passageiros com um GIF animado do trajeto modelado em 3D, junto com uma selfie tirada por uma câmera adaptada ao console do veículo.

Apesar da novidade ser um pouco intimidadora, Isaac conta que raramente se sentiu inseguro no trajeto. Quando o carro está no modo autônomo, os movimentos são bastante fluidos e leves, sendo quase imperceptível sentir quando ele para ou vira. Os momentos que mais intrigaram, por assim dizer, foram quando o computador aproximava demais o Fusion da Uber dos demais carros estacionados do lado direito da rua. Mas, já que o cálculo foi feito por um computador, era melhor confiar e relaxar.

A partir do momento que sua corrida foi chegando ao fim (foram 32 Km de viagem), Mike foi se sentindo cada vez mais "como um marciano". Era engraçado ver os motoristas olhando pasmos para aquele carro todo diferentão. Até as pessoas nas ruas ficavam um tanto espantadas com o fato de um carro autônomo conseguir levar gente para qualquer lugar, sem ninguém encostar no volante.

Uber

Boro 6, o Ford Fusion híbrido e autônomo da Uber

O futuro chegou faz tempo

A conclusão que o repórter pode tirar dessa aventura é que o futuro já está aí. Anúncios de carros autônomos já estão chegando desde a década de 1950, ou seja: faz tempo que os engenheiros do ramo estão trabalhando nessa ideia de colocar um carro para dirigir-se sozinho pelas ruas, levando famílias inteiras a passeio. Assim como houve no início da jornada, ainda haverá bugs, como é comum em computadores. E é por isso que os carros-pilotos estão em fase de testes. São vários sensores, vários componentes participando de algo extremamente complexo e lotado de variáveis.

Durante seu teste, levou cerca de 10 minutos para que as falhas técnicas fossem totalmente resolvidas, até que finalmente o Boro 6 começou a se autodirigir pelas ruas da cidade. Claro, depois de um leve empurrãozinho humano.

O que a Uber pretende com isso?

Segundo a empresa, carros autônomos poderão reduzir as mortes relacionadas a acidentes de carro. Inclusive, ela tem planos ambiciosos nessa área. No mês passado, quando anunciou seu carro autônomo piloto, a ideia era iniciar os testes em um Volvo XC90s, um utilitário que seria modificado em parceria com a fabricante. Mas agora ela diz que tais momdelos devem chegar às ruas até o fim do ano, mas não explicou o motivo do atraso. Nem a Volvo.

Fonte: The New York Times