Para professor do MIT, não faz sentido produzir carros sem motoristas

Por Redação | 15 de Outubro de 2015 às 10h03
photo_camera Reprodução/Google

Há muito tempo se fala sobre os carros sem motoristas. A tecnologia para tornar isso viável segue em desenvolvimento e até mesmo as gigantes Google e Apple já demonstraram interesse em tirar essa ideia do papel. Em uma época em que o trânsito segue cada vez mais caótico, muitos veem na automatização da direção a alternativa ideal para trazer um pouco de ordem às ruas. Só que há alguns especialistas bem renomados que não veem isso com bons olhos.

De acordo com professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), David Mindell, não há qualquer evidência que comprove que esse processo de automação traz algum tipo de melhoria à humanidade. Para ele, as pessoas precisam rever seus conceitos de progresso.

Em declaração, ele diz que não é preciso trazer um carro sem motorista para criar essa noção de progresso, mas fazer algo que seja confiável, transparente e seguro. Segundo o professor, o automóvel do futuro não deve dirigir sozinho, mas ser totalmente interativo. Como ele explica, o carro que as pessoas precisam deve fazer o que elas querem quando elas quiserem.

Carro Dirige Sozinho Google

E essa postura não é nenhuma surpresa. Mindell é um cético desses avanços tecnológicos futuristas, tanto que escreveu um livro sobre o assunto, chamado "Our Robots, Ourselves: Robotics and the Myth of Autonomy", ainda sem versão em português. Como o próprio título destaca, ele considera essa autonomia de robôs e outros sistemas um enorme mito.

O professor considera uma utopia a ideia de que os carros sem motoristas vão trazer uma ordem perfeita ao trânsito ao respeitar limites de velocidade e não fazendo nenhuma barbeiragem ao volante. Ele até concorda com algumas dessas previsões, mas acredita que existe um limite dentro do que esses sistemas podem fazer e que as pessoas sonham muito alto quanto a isso.

De acordo com Mindell, o grande desafio nisso é que, apesar de muito bonita na teoria, essa tecnologia ainda necessita da intervenção humana quando posta em prática. E ele cita alguns exemplos que já temos atualmente, como os veículos que exploram ambientes submarinos e até os robôs enviados pela NASA a outros planetas. Todos eles funcionam sem qualquer tipo de motorista, mas dependem de uma pessoa para decidir o que fazer e quando fazer.

Carro sem motorista

Outro tipo de transporte que poderia ser substituído por algo robotizado, mas que jamais vai acontecer, é a aviação civil. Como o professor explica, existem vários sistemas altamente técnicos que devem ser definidos durante um voo e, por conta de pequenas imperfeições, os pilotos jamais poderão ser substituídos por máquinas, já que são as pessoas que fazem com que a coisa toda funcione de maneira correta, seja com pequenos ajustes na rota ou mesmo em contato com os demais controladores de voo.

O Google se defende

Diante dessas declarações, era óbvio que uma das maiores interessadas em trazer carros sem motoristas às ruas iria se pronunciar. Segundo o Google, o número de acidentes e a incidência de congestionamentos é uma prova mais do que cabal de que o trânsito já fugiu do controle das pessoas e que uma boa forma de solucionar isso seria colocar o fator mecânico na equação. Assim, o transporte nas cidades funcionaria como uma máquina.

De acordo com o responsável pelo projeto de carros autônomos da empresa, Chris Urmson, os humanos não são competentes o suficiente para ajeitar as coisas. Assim, ao robotizar as coisas, tudo deve ficar mais simples e fácil de ser gerenciado.

Carro autônomo do Google

Apesar do discurso da empresa parecer ter sido retirado diretamente da Skynet, em Exterminador do Futuro, o posicionamento faz bastante sentido. E o do professor do MIT também. Isso faz com que tenhamos duas linhas de pensamento bastante lógicas se chocando.

Enquanto não surge nenhum sinal de uma solução para esse embate, seguimos acompanhando o desenrolar dessa história para descobrir para que lado vai o progresso. E, mais importante, se vai ser conduzido por um motorista convencional ou por um carro automatizado.

Via: CNET

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