O futuro dos carros e a conectividade

Por Colaborador externo | 31.08.2015 às 10:05

Por Vinicius Bernardi*

Na Fórmula 1, a telemetria se tornou há mais de uma década uma ferramenta indispensável para que as equipes tenham as informações de tudo o que acontece no carro enquanto está na pista. Com a transmissão de dados em tempo real, os mecânicos têm acesso à distância às condições de peças e outros componentes do veículo e planejam estratégias de corrida. O que parecia uma tecnologia restrita às pistas de corrida, em breve chegará ao seu carro.

Em meio à era da “Internet das coisas”, o conceito connected car, ou carro conectado, tem sido assunto das principais feiras voltadas ao consumidor no mundo, como a Consumer Electronics Show – CES, com o lançamento de diversas funcionalidades de carros cada vez mais autônomos, além de discussões relativas à segurança e privacidade desses dos dados gerados pelos automóveis.

Na Europa, alguns modelos de carros top de linha já saem de fábrica conectados para a transmissão de informações para manutenção. A indústria automobilística já percebeu que o rastreamento é muito mais que localizar um carro roubado, e sim uma ferramenta essencial para manter a saúde do veículo e municiar de informações os fabricantes e concessionárias acerca do que pode ser aprimorado na experiência do usuário.

A Volvo, por exemplo, já dispõe um recurso que conecta o serviço de emergência automaticamente em caso de acidente. Na Alemanha, alguns veículos na estrada já se conectam com os semáforos próximos às saídas para reduzir a velocidade automaticamente e chegar ao sinal verde. Já a conexão ao smartphone exibe ao motorista dicas de lazer e gastronomia próximos de onde ele está, de acordo com a localização.

No Brasil, já é realidade a conectividade para gestão de frota nas empresas: o objetivo é saber onde o veículo – de transporte ou entrega – se encontra, consumo e horários. Os benefícios vão desde a economia de recursos até o aumento da produtividade, inclusive com o controle das jornadas de motoristas, que é uma questão de fiscalização e rende multas às empresas que não as respeita. A telemetria corporativa também serve para educar e qualificar os profissionais que conduzem acima da velocidade permitida. Reciclar os motoristas é uma solução mais econômica do que contratar e demitir.

É difícil estabelecer um limite para os recursos e os benefícios do veículo conectado. Em uma visão futurista, a tendência é de que os carros fiquem autônomos suficientemente para detectarem condições da via, projetar caminhos, feixe de iluminação inteligente que mostra o trajeto e, sobretudo, prevenir drasticamente o número de acidentes. Parecem cenas de um filme de ficção científica, mas em breve chegarão à realidade.

*Vinicius Bernardi é líder de Inovação da Maxtrack, referência em tecnologia de rastreamento e telemetria no Brasil há mais de 15 anos.