Do espelho retrovisor ao pneu: 10 tecnologias que saíram das pistas para as ruas

Por Douglas Ciriaco
photo_camera Toyota

O automobilismo é uma modalidade esportiva famosa por exigir bastante dinheiro de todos aqueles que se envolvem nela. Seja um simples piloto ou um patrocinador, o apelo monetário nas mais diversas categorias espalhadas pelo mundo é grande, mas é importante ressaltar que as corridas costumam influenciar positivamente toda a indústria.

Isso porque uma série de inovações que aparecem primeiro no automobilismo acaba indo parar em carros comerciais, ou seja, esses veículos que podem ser adquiridos em qualquer concessionária do planeta.

Tecnologia aplicada aos pneus, espelhos retrovisores, freio a disco, volantes multifuncionais, sistemas de otimização do uso de combustíveis e detalhes aerodinâmicos são apenas algumas das “heranças” que os carros comuns receberam dos carros de corrida.

Conheça agora uma lista com 10 inovações automotivas que surgiram no mundo do automobilismo e vieram parar no “mundo real”.

1. Freio a disco

Surgidos no final do século XIX, os freios a disco começaram a ser usados em carros de passeio em 1949. Porém, quatro anos depois, em 1953, o carro de corrida Jaguar C-Type veio equipado com um modelo de freio a disco que é o mais próximo daquilo que é usado hoje em dia em quase todos os carros de passeio.

Tecnologia das pistas para as ruas

Muito mais seguro e eficaz do que os freios a tambor, o sistema de frenagem que utiliza um disco tem manutenção mais simples e é mais fácil de ser resfriado. Como eles podem ser ventilados, o calor gerado pela fricção da frenagem é dissipado e, assim, a segurança do processo aumenta. E o fato de não ser um tambor aumenta o conforto da freada.

2. Pneus

Não foram os idealizadores do automobilismo que inventaram os pneus de borracha, obviamente, mas eles conseguiram aprimorar bastante esse aparato essencial para estabilidade e segurança de qualquer veículo. Não é difícil de perceber o quanto um pneu é complexo, com sulcos e inúmeros outros detalhes, então não pense que foi simples chegar a esse formato.

Tecnologia das pistas para as ruas

Avaliando ainda a quantidade de pneus que qualquer modalidade autoesportiva consome, afinal são milhares de quilômetros rodados em alta velocidade, não é difícil de imaginar a influência dos carros de corrida neste caso. Muito do que a indústria automotiva sabe hoje sobre durabilidade e resistência de pneus veio de testes e experimentos feitos na Fórmula 1, por exemplo.

3. Suspensão ativa

Nos anos 1980, a Lotus de Ayrton Senna trouxe uma novidade: suspensão ativa. A tecnologia computadorizada, que depois se tornaria amplamente conhecida em 1992, quando o piloto Nigel Mansell levantou o caneco do mundial de pilotos da F1, permite que a suspensão corrija com mais eficiência as imperfeições da pista.

Tecnologia das pistas para as ruas

Apesar de não ser item de série na maioria dos carros, atualmente é possível encontrar diversos modelos com este tipo de suspensão. Ele é mais eficiente e também deixa o motorista no controle da situação, tornando a pilotagem mais segura, dando mais estabilidade em terrenos irregulares, curvas e freadas.

4. Volantes multifuncionais

Botões para dar a partida, controles do rádio e até piloto automático, tudo isso pode ser encontrado diretamente do volante de muitos veículos de passeio atualmente. E você sabe de onde vem a ideia de volantes multifuncionais? Sim, do automobilismo.

Tecnologia das pistas para as ruas

É meio óbvio pensar que, ao guiar um carro em altíssima velocidade, quanto menos distrações, melhor. A diferença é que em um veículo de passeio você não vai encontrar dezenas de botões complicados como em um Fórmula 1, por exemplo. Mas a inspiração, essa ideia da praticidade e do acesso a inúmeras funções sem que o motorista precise tirar as mãos do volante, é a mesma.

5. Controle de tração

Um sistema para controlar a tração do seu veículo surgiu no começo dos anos 70, criado pela General Motors, mas não vingou. O sistema de tração presente em muitos veículos hoje foi desenvolvido durante a década de 80 para a Fórmula 1 e ajuda a manter seu carro na pista evitando perda de atrito do pneu com o asfalto.

Tecnologia das pistas para as ruas

O que um sistema de controle de tração moderno faz é calcular a quantidade de energia enviada às rodas. Assim, seu carro se mantém estável, não desliza e evita que você perca o controle do veículo. É mais um incremento na segurança do seu dia a dia vindo diretamente do automobilismo.

6. Espelho retrovisor

Até agora, nós vimos uma série de itens que normalmente passam despercebidos em seu dia a dia. Mas este, com certeza, não é o espelho retrovisor, item que apareceu em um carro pela primeira vez durante a disputa das 500 milhas de Indianápolis, em 1911. O engenheiro e piloto da Marmon Moto Car Company Ray Harroun foi o idealizador da peça.

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Para se ter uma ideia da revolução causada pelo espelho retrovisor, ele permitiu que os carros passassem a ter espaço somente para o piloto. Antes disso, os veículos carregavam, além dele, um mecânico, que também servia como copiloto para avisar de qualquer perigo se aproximando. Como o carro de Harroun era bom o suficiente para dispensar a presença de outra pessoa ao longo de toda a prova, o espelho veio bem a calhar.

7. Troca de marcha com borboletas

Conhecidas no Brasil como borboletas, as “paddle shifts” também surgiram na Fórmula 1. Um sistema de câmbio semiautomático no qual você troca de marcha para cima e para baixo utilizando alavancas que ficam atrás do volante, algo ainda pouco comum por aqui, mas que já existe em veículos de diversas partes do mundo.

Tecnologia das pistas para as ruas

O primeiro veículo a usar as tais borboletas foi a Ferrari 640, em 1989. E, para se ter uma ideia, desde 1995 não há um sistema puramente manual de troca de marchas presente na modalidade.

8. Novos materiais para o chassi

Outra novidade que não foi concebida exclusivamente para carros de corrida, mas que é aplicada no automobilismo e começa a ganhar as ruas, é a fibra de carbono. Combinando leveza e resistência como poucos outros materiais são capazes, essa fibra é utilizada extensivamente na construção de carros de Fórmula 1.

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O alumínio é outro material que já foi bastante presente nos carros de corrida antes de ser aplicado na indústria automotiva, tanto para a construção de caixas internas quanto para detalhes externos dos veículos. Como ele é mais barato e acessível do que a fibra de carbono, é uma alternativa viável para manter um veículo leve e que consome menos combustível.

9. Sistema de Recuperação de Energia Cinética

Conhecido também pela sigla KERS, o Sistema de Recuperação de Energia Cinética é uma tecnologia desenvolvida para carros de corrida que recupera parte da energia gerada pela frenagem de um veículo. Implementada apenas em 2008 na F1, ela ainda engatinha no “mundo real”, mas é capaz de reaproveitar a energia dando mais potência para o veículo

Tecnologia das pistas para as ruas

São poucos os veículos de passeio que já possuem o KERS em sua composição, como o Porsche 918 e o McLaren P1. No veículo, assim como nos carros de corrida, há um botão que “dispara” o sistema e aproveita a energia acumulada para aumentar a aceleração do possante.

10. Combustíveis aprimorados

Um combustível capaz de minimizar a fricção entre os componentes do motor e da caixa de transmissão de um veículo seria capaz, também, de reduzir o desgaste geral da máquina. Isso seria capaz de otimizar o uso do combustível e de causar menos danos para a parte mecânica do carro.

Tecnologia das pistas para as ruas

Essa ideia começou a ser difundida na Fórmula 1 quando o então chefe de equipe da Lotus, Eric Boullier, solicitou à sua fornecedora de combustível para que trabalhasse a fim de reduzir a fricção na parte mecânica de seus veículos. A Total, parceira da Lotus naquele momento, fez isso e transportou seu aprendizado para os combustíveis vendidos em postos ao redor do mundo, influenciando todo o mercado.

Fontes: Confused, Gocompare, Quora, How Stuff Works, Mandatory e Complex.

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