Autoridades criticam Tesla por revelar informações sobre acidente fatal

Por Felipe Demartini | 03 de Abril de 2018 às 12h05
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A Tesla está sendo criticada pelas autoridades de trânsito dos Estados Unidos por revelar ao público informações sobre o acidente fatal com um veículo da marca, ocorrido no final de março. Em nota, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês) afirmou ter ficado “insatisfeito” com a fala do fundador da empresa, Elon Musk, e expressou preocupações quanto ao andamento da investigação oficial diante das informações divulgadas ao público.

A declaração infeliz veio em uma postagem realizada na última sexta-feira (30). Falando sobre o caso no blog da própria fabricante, Musk confirmou que o sistema de direção autônoma estava ativado no momento do acidente e que, contrariando todas as orientações de segurança sobre a tecnologia, o motorista não estava com as mãos no volante — pelo menos nos seis segundos que antecederam a colisão.

A divulgação aconteceu, de acordo com o texto, como maneira de informar outros clientes sobre a segurança e confiabilidade da tecnologia. A publicação vai além, indicando que a vítima teria recebido diversos alertas visuais e sonoros quanto a própria desatenção à via, além de avisos sobre a possibilidade de uma colisão que teriam sido emitidos por, pelo menos, cinco segundos, sem que nenhuma atitude fosse tomada.

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Musk ainda afirma que nenhuma colisão anterior causou danos tão severos a um veículo da Tesla e apontou problemas da própria via para explicar isso. Ele cita que um atenuador, um item de segurança presente na via para reduzir o impacto sobre barreiras de concreto, ainda não havia sido substituído após uma colisão com outro carro, dias antes do acidente fatal, o que potencializou a violência da batida e teria contribuído para o óbito.

Em comunicado, o NTSB disse sempre ter contado com a ajuda da Tesla na investigação de acidentes com veículos da marca, uma vez que seus sistemas gravam telemetria e informações importantes para a descoberta do que aconteceu. Desta vez, porém, o órgão demonstrou surpresa quanto a divulgação pública de informações pertinentes ao inquérito e exibiu preocupações quanto a seu andamento, levando em conta que a publicação da montadora pode levar diretamente a conclusões sobre o que aconteceu.

As autoridades de trânsito afirmam que a próxima atualização sobre o caso deve ser revelada nas próximas semanas. Uma das linhas de investigação, por exemplo, está relacionada a uma declaração da família da vítima, Wei Huang, à televisão americana. Nos dias anteriores do acidente, ele teria expressado preocupações quanto a problemas no sistema de direção autônoma a uma concessionária Tesla, afirmando que a tecnologia tentava fazer o veículo mudar de faixa em condições perigosas, mesmo quando isso não seria necessário.

O caso ocorreu em uma autoestrada de Mountain View, na Califórnia, no dia 23 de março, e resultou em um incêndio que destruiu completamente o veículo de Huang. A bateria seria a responsável pelo fogo que teria tomado conta do carro bem rapidamente e cuja fumaça preta teria causado outras duas colisões na mesma via. A vítima foi retirada dos destroços por populares, pois havia risco de explosão, mas morreu pouco depois durante o atendimento de emergência.

O sistema de direção autônoma presente em diferentes modelos da Tesla permite que o veículo siga "sozinho" em estradas que cumpram certos pré-requisitos, como grandes retas ou vias bem delimitadas. A tecnologia mantém a velocidade e pode até mudar de faixa, mas exige que o motorista mantenha atenção ao trânsito e as mãos no volante o tempo todo.

Fonte: The Washington Post, Tesla

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