Seu carro é de plástico?

Por Colaborador externo | 08 de Agosto de 2012 às 18h46

*Carla Werkhaizer

Por muitos anos a indústria automobilística prezou por desenvolver modelos de carros robustos, feitos a partir de pesadas chapas de aço, que tornavam os veículos mais resistentes. Porém, com o avanço das tecnologias e, principalmente, com a crise do petróleo na década de 70, surgiu a necessidade de se criar modelos que consumissem menos combustíveis para se adaptar ao mercado. Nesse momento, especialistas do setor enxergaram no plástico uma alternativa viável.

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Para-choques, grades dianteiras, logotipos das montadoras, frisos, calotas, espelhos retrovisores e maçanetas são alguns dos itens que ganharam nova estrutura com o passar dos anos. Produzidas a partir de plásticos como o ABS, polipropileno e poliamida, algumas peças são submetidas ao sistema de tratamento de superfície, onde são banhadas de níquel ou cromo, por exemplo, e ganham uma nova aparência metálica.

Com a inserção do plástico na linha de produção, a indústria automobilística encontrou uma forma de tornar os veículos mais leves, aumentar a vida útil, garantir a diminuição do consumo de combustível e emissão de poluentes. Além disso, por conta da estrutura do material, é possível ter mais versatilidade no design das peças.

Um exemplo prático que podemos citar é o case da Ford, que recentemente divulgou a intenção de reduzir pelo menos 100kg no peso dos seus veículos compactos e 300kg nos modelos de grande porte até o ano de 2020. A estratégia da montadora será usar plásticos mais leves e aplicar injeções de bolhas de gás enquanto ele é moldado, deixando-o com a aparência de um chocolate aerado. Com a técnica será possível reduzir o uso do material na linha de produção e ainda torná-lo 20% mais leve.

Para termos uma ideia da redução de peso proporcionada pelo uso do produto, o estudo divulgado pela Associação dos Fabricantes de Plásticos da Europa publicado na revista British Plastics mostrou que cada veículo chega a ter em média 110 kg de peças feitas com o material. A análise também aponta que, para cada 100 kg de plástico utilizado em um carro, é reduzido cerca de 200 kg a 300 kg, quando utilizado outros materiais. A alteração também garante uma redução de 12 milhões de toneladas de combustível consumido anualmente e de 30 milhões de toneladas de CO2, ou seja, a troca ajuda a natureza.

Pensando ainda nas questões ambientais, vale ressaltar a importância das indústrias automobilísticas contribuírem com o meio ambiente e investirem em uma cadeia de produção sustentável. Além da substituição do aço pelo plástico, é necessário buscar também por alternativas que recuperem os insumos utilizados no revestimento das peças, por exemplo, pois iniciativas como essa evitam o descarte de resíduos poluentes em solos e esgotos.

É importante que o consumidor tenha em mente que esta alteração de matéria-prima não impactará em larga escala o resultado final dos seus produtos, já que os plásticos utilizados hoje possuem ótima qualidade. Para as fabricantes, vale lembrar que a adoção de práticas verdes é cada vez mais valorizada pela sociedade, por isso, as empresas que visam o crescimento precisam se adequar a essa tendência.

*Carla Werkhaizer é sócia-diretora da Citra do Brasil, empresa nacional que atua na comercialização de tecnologias locais e internacionais para otimizar processos nas empresas e indústrias.

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