Marinha dos EUA vai implantar armas a laser em navios de guerra

Por Redação | 19 de Fevereiro de 2014 às 18h24

Algumas armas podem soar futuristas, como algo saído de filmes de ficção científica tipo Guerra nas Estrelas, como lasers projetados para derrubar aviões teleguiados e armas elétricas que disparam projéteis em velocidades hipersônicas. Mas tudo indica que já são bem reais. A Marinha dos Estados Unidos planeja implantar, até o fim deste ano, a sua primeira arma a laser a bordo de um navio de guerra. De acordo com o Phys.org, também há a previsão de testar um protótipo de canhão eletromagnético nesse tipo de embarcação bélica dentro de até dois anos.

Para a Marinha, a criação e implantação desse tipo de armamento vai além do aspecto futurístico: trata-se de uma forma de economizar em relação aos armamentos de fogo atuais. A arma a laser custaria alguns centavos de dólar em comparação aos mísseis e bombas inteligentes – estes muito mais caros, em longo prazo. Além do mais, as armas a laser podem ser disparadas de forma contínua, ao contrário de mísseis e bombas, que eventualmente acabam e precisam de recarga. “Isso muda fundamentalmente a maneira de como lutar”, diz o capitão Mike Ziv, gerente de um programa de sistemas de energia elétrica e de armas do Naval Sea Systems Command.

A tecnologia de arma a laser da Marinha evoluiu a tal ponto que o protótipo prestes a ser implantado a bordo do USS Ponce (navio de guerra da Marinha dos EUA) pode ser operado por um único marinheiro, ainda de acordo com Ziv. O sistema de laser foi projetado para atacar o que a Marinha descreve como “ameaças assimétricas”, o que incluem aviões teleguiados, lanchas e qualquer outro tipo de ameaça potencial aos navios de guerra que a Marinha mantém no Golfo Pérsico – e onde está, inclusive, o USS Ponce.

Os canhões eletromagnéticos, que já foram testados em terra, no Estado da Virgínia, disparam um projétil em seis ou sete vezes a velocidade do som: velocidade suficiente para causar danos graves. A Marinha vê esses novos armamentos como como potenciais substitutos ou, ao menos, como forma de complementar as armas tradicionais. No entanto, ambos os sistemas têm falhas.

US Navy 2

Enquanto os lasers tendem a perder eficácia durante a chuva ou mesmo se a arma estiver empoeirada, o canhão eletromagnético requer grande quantidade de eletricidade para lançar o projétil, de acordo com Loren Thompson, analista de defesa do Instituto Lexington. “A Marinha diz que encontrou formas de lidar com o uso de lasers durante mau tempo, mas há pouca dúvida de que o alcance da arma seria reduzido com formação de nuvens, poeira ou chuva”, diz.

Produzir energia suficiente para um canhão eletromagnético é outro problema. O novo destroyer da Marinha, o Zumwalt, ainda em construção, é o único navio da frota norte-americana com energia elétrica o suficiente para executar uma arma desse tipo. Geradores movidos pelas turbinas do próprio navio podem produzir até 78 megawatts de energia – potência suficiente para abastecer uma cidade de tamanho médio e mais do que suficiente para uma arma eletromagnética.

Os engenheiros também estão trabalhando em um sistema de baterias para armazenar energia suficiente para permitir que um canhão eletromagnético possa ser operado em navios de guerra atualmente existentes na frota. Ambos os sistemas de armas são valorizados na Marinha porque eles podem ajudar a reduzir custos. Cada míssil interceptor dos navios de guerra custa pelo menos um milhão de dólares, tornando qualquer combate um grande prejuízo.

Como a operação de um laser consome cerca de 30 quilowatts de eletricidade, os custos caem para alguns dólares por tiro, de acordo com Thompson. Assim como nos filmes, o laser da Marinha dirige um feixe de energia que pode, literalmente, queimar um alvo ou “fritar” equipamentos eletrônicos. Ao contrário do filme, contudo, o feixe de laser é invisível ao olho humano. Outros países estão desenvolvendo suas próprias armas a laser, mas a Marinha dos EUA está mais avançada neste tipo de projeto.

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