Lotus investe em tecnologia para conquistar campeonato de F1 até 2015

Por Rafael Romer | 22 de Novembro de 2013 às 09h19
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Já não bastam mais um motor potente e um piloto habilidoso para se vencer um grande prêmio de Fórmula 1: na era do Big Data, cada megabite de dados pode fazer a diferença na pista. Por isso, com a meta de vencer seu primeiro campeonato mundial de F1 até o ano de 2015, a equipe inglesa Lotus anunciou que apostará na TI e na criatividade para atingir esse objetivo. "[Nós somos] um time de tamanho médio, nós não podemos fazer exatamente igual aos times grandes ou nós não seremos capazes de vencê-los", afirmou o diretor de TI da equipe britânica, Graeme Hackland, em entrevista ao Canaltech.

A reestruturação completa na TI da equipe, tanto nos circuitos quanto em sua matriz em Enstone, no Reino Unido, será realizada através de uma parceria com empresas como EMC e Microsoft. O investimento foi motivado, principalmente, pela mudança de regras que deve acontecer na temporada 2014 do campeonato, considerada a maior até hoje no esporte. A partir do ano que vem, os motores dos carros de F1 passarão por um redesign completo: os atuais V8 aspirados, utilizados entre 2006 e 2013, serão substituídos pelo novo V6 turbinado, híbrido, com a nova tecnologia ERS (Energy Recovery System, ou sistema de recuperação de energia). As alterações terão impacto significativo no projeto e na engenharia dos carros, bem como na potência do motor, na aerodinâmica e, especialmente, no consumo de combustível.

Há cada cinco ou seis anos, a F1 passa por uma grande mudança de regras que visa aumentar a segurança e reduzir custos do campeonato. A expectativa é que as mudanças de 2014 reduzam a velocidade dos carros entre 1.5 e 2 segundos por volta. A corrida agora é para mitigar este perda. ”Obviamente, todas as pessoas em todos os times estão gastando todo o seu tempo tentando ter essa performance de volta. Na Austrália [terceira corrida da Fórmula 1 de 2014] nós vamos ver quão mais devagares os carros vão ser. Os engenheiros devem encontrar formas de melhorar a performance em várias áreas diferentes”, explica Hackland.

Um mundo de informações

Apesar de não ter pego as equipes de surpresa, já que estava prevista há pelo menos três anos, a mudança vai gerar uma série de novos ativos de informação para as equipes, que terão a capacidade de modificar a maneira como lidam com essas informações. Atualmente, um carro de Formula 1 carrega cerca de 200 sensores diferentes em seu chassis e gera, em média, 15 MB de dados a cada volta em um circuito. Se lembrarmos que essas informações são texto puro (e não imagens), esse número se torna bastante considerável.

Na perfeita definição de Big Data, os dados devem ficar cada vez mais variados. Já desenvolvidas neste ano, as novas "caixas-pretas" dos carros de F1 devem começar a entrar em funcionamento no ano que vem e prometem gerar até oito vezes mais dados do que a atual. "Se nós pudermos ter melhores análises para o próximo ano, se nós pudermos fazer análise de dados muito mais complexas do que podemos fazer agora, se pudermos dividir a pista em pedaços menores e análises mais profundas, teremos vantagens sobre os outros times que podem não conseguir fazer isso já no ano que vem", diz o CIO.

Entre os sistemas que serão implementados pela equipe está um dispositivo VCE Vblock em seu datacenter de Enstone para fortalecer o programa CAD (Computer-Aided Design) da equipe, e sua solução Microsoft Dynamics, da linha ERP (Enterprise Resource Planning). No esporte em que cada milésimo de segundo pode fazer a diferença, coletar, armazenar, questionar e interpretar esses dados de forma ágil pode ser o caminho para a vitória.

Segundo Hackland, a coleta de dados será particularmente importante em 2014, quando os novos modelos de carros entrarão nas pistas, já que todo legado de dados da equipe até 2013 se tornará obsoleto com a mudança no motor e regras. "Como o piloto dirige esses carros, como o novo sistema de recuperação funciona, como eles aplicam a força, o que acontece com os motores; tudo isso será muito diferente. A estratégia será muito, muito difícil no próximo ano porque você não vai ter tantos dados históricos com os quais pode contar para ter uma resposta rápida, que é o que [os engenheiros] fazem atualmente”, diz.

A equipe deve investir também na plataforma de nuvem EMC Atmos para armazenar, arquivar e acessar conteúdo não-estruturado da Lotus em grande escala. De acordo com o CIO da equipe, hoje a Lotus sofre com um período de "blackout" de seus servidores entre corridas, quando eles são deslocados da matriz da equipe até o local onde a corrida será realizada – o que algumas vezes pode acontecer de caminhão e levar até três dias. A ideia agora é trabalhar com um modelo de cloud híbrido, com uma nuvem privada e um ambiente público, de forma que os dados fiquem sempre disponíveis para backups e updates de software diretamente das pistas para a fábrica da Lotus.

Além disso, a nuvem deve auxiliar a empresa a redistribuir prioridades e economizar poder computacional e licenciamentos dentro de sua fábrica. A ideia é que setores como design, teste de stress e produção, que possuem picos de processamento de curta duração, mas depois passam o resto do ano em consumo baixo, tenham o poder computacional necessário durante o período, mas reduzido quando este não for demandado.

Com cerca de US$ 145 milhões em 2013, a Lotus é hoje a sexta maior equipe em termos de orçamento na Fórmula 1. A equipe não revela, entretanto, qual foi o valor total investido em sua renovação de TI para 2014.

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