Grupo revive projeto para fabricar carro elétrico nacional

Por Redação | 15 de Julho de 2014 às 08h40

O grupo paraense Wake Motors está trabalhando para reviver o projeto do carro elétrico nacional, junto com o empresário Ricardo Machado, que busca pela quinta vez ressuscitar a ideia.

O minicarro elétrico brasileiro se chamará Obvio! e vem em um formato inédito no seu projeto. O objetivo da parceria é que a própria fabricante seja dona da frota e faça a locação dos veículos para empresas e estacionamentos que irão trabalhar em um sistema de car sharing (compartilhamento). Machado iniciou o projeto do Obvio! em 2002 e desde então já fez quatro parcerias para tentar torná-lo realidade, com as multinacionais Auto America Group, SAP e Cappadocia. No entanto, o projeto nunca prosperou, informa o jornal O Estado de S. Paulo.

A Wake Motors produz buggies de luxo em São José dos Pinhais há cinco anos. A parceria resultou no DirijaJa, que cuidará conjuntamente dos negócios. O investimento inicial do grupo será de R$ 44 milhões, com o objetivo de iniciar a produção do Obvio! 828E até o fim de 2015. O grupo também pretende desenvolver um furgão elétrico e um carro especial para cadeirantes.

carro elétrico nacional

Fabricantes dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e China irão fornecer motor elétrico e bateria, todos atestados pelo grupo inglês Lotus e pela fabricante americana Tesla.

Segundo Machado, o que inviabiliza a venda de carros elétricos nacionais são as taxas de IPI e ICMS que não existem no sistema de car sharing, com uma frota pertencente à própria DirijaJa. Neste modelo, empresas poderão locar os carros e adaptá-los com o logo da empresa, por exemplo. E também será possível o compartilhamento com estacionamentos. Neste segundo modelo, o usuário faz a reserva por meio de um aplicativo no smartphone ou tablet e tem que pegar o carro no estacionamento conveniado. A entrega também deve ser feita em algum outro estabelecimento que faça parte do convênio. Na Europa, onde este modelo de locação tem ganhado destaque, o usuário pode deixar o carro em qualquer lugar após o uso.

Machado afirma que, inicialmente, as cidades do Rio de Janeiro e Curitiba serão as primeiras a receber o car sharing com o Obvio!, com cerca de 50 unidades em cada cidade. Posteriormente isso será expandido para São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Caxias do Sul. A previsão do empresário é que, com o crescimento da demanda, essas cidades tenham até 300 veículos em estacionamentos.

A Wake foi a responsável pelo desenvolvimento da plataforma do Obvio! 828E, assim como dos próprios buggies. A fábrica tem capacidade de produção mensal de 50 carros e pretende aumentar esse número para 120 unidades já em 2015. O Super Buggy, como é chamado, é feito por encomenda e custa R$ 60,9 mil.

Para o diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA), Luiz Carlos Mello, a iniciativa tem poucas chances de dar certo, pois no Brasil os carros elétricos são considerados “exóticos” e o sistema de car sharing será absorvido por grandes fabricantes, inviabilizando o sucesso para uma tentativa artesanal e independente.

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