Estamos cada vez mais próximos do Connected Car

Por Colaborador externo | 14.11.2014 às 15:50

por Camilo Rubim*

O conceito é novo, mas a tendência é que, cada vez mais, torne-se mais e mais comum ouvirmos falar de Connected Car, ou Carro Conectado. Em linhas gerais, estamos falando de toda e qualquer interação entre o veículo e o motorista e vice-versa. Esta interação pode ser interna, partindo de fontes do próprio veículo, como por exemplo, alertas sobre consumo de combustível, nível de óleo, carga de bateria, pressão dos pneus, sincronização de smartphone com computador de bordo, comandos remotos para abertura e/ou fechamento de portas, acionamento de ar condicionado etc.

Ela também pode ser externa, vindo de fontes de fora do veículo, como acessos a Internet, e-mail, consulta de vagas em estacionamentos, notificação de acidentes, ofertas de promoções, etc. O conceito inclui ainda serviços que são oferecidos aos usuários, como entretenimento, sistemas de navegação, mobilidade elétrica, manutenção preventiva, chamadas de emergência, oferta de seguro de veículo, entre outros, de tal forma que o carro pode se conectar com montadoras, concessionários, seguradores, empresas de leasing, postos de gasolina, lojas de conveniência etc.

Com o avanço da tecnologia nos últimos cinco anos, todo o ecossistema automotivo vem investindo com maior foco em soluções de hardware, software e comunicação para trazer ofertas de serviços para os veículos e motoristas, sejam eles carros de passeio ou veículos comerciais. Muitos serviços já estão disponíveis na Europa, Estados Unidos e Japão, geralmente em países que possuem infraestrutura de telecomunicação mais avançada, trazendo benefícios indiscutíveis para montadoras, concessionárias e clientes.

Atualmente, o mercado automotivo dispõe de uma variedade enorme de marcas, veículos, linhas, modelos e opcionais. Com isto, as montadoras enfrentam uma grande concorrência e buscam por diferenciais para atrair consumidores. Ao mesmo tempo, elas avaliam o quanto o consumidor está disposto a desembolsar para obter os serviços e benefícios oferecidos por soluções do carro conectado. O concessionário também pode obter benefícios sobre determinados tipos de serviços, como por exemplo, na manutenção preventiva, onde ele pode oferecer um serviço de diagnóstico remoto do veículo.

O fato é que, com a materialização dos projetos que estão em fase de desenvolvimento, estudos e investimentos, e o avanço da tecnologia, incluindo a infraestrutura de comunicação, haverá muitas oportunidades de projetos na área do Carro Conectado, incluindo soluções como Car-Sharing (carro compartilhado), entretenimento, gestão de tráfego conectado (comunicação carro para carro), serviços de logística para veículos comerciais, chamadas de emergência, aplicações que viabilizam encontrar vagas em estacionamento, redução de custo com ofertas de preços de gasolina e, por que não, condução autônoma, com importantes passos já sendo dados na Europa e Estados Unidos.

E no Brasil não será diferente. O brasileiro sempre foi apaixonado por carros e, quando falamos do público mais jovem, também é por mobilidade e tecnologia. Muito em breve o mercado brasileiro vai aderir ao conceito de Carro Conectado. Além disto, o plano ambicioso que o governo pretende introduzir, chamado Contran 245 pode tornar o País um dos maiores mercados de telemática do mundo para os módulos de rastreamento, visando conter roubos de carro e de cargas. Existem muitos desafios a serem vencidos e quem ditará a distância para esta realidade é o consumidor.

*Camilo Rubim é vice-presidente da área de Vendas para a Divisão Automotiva da T-Systems do Brasil, e membro do Management Board e da divisão Automotiva Global