Carros que dirigem sozinhos poderão ser usados como armas ou bombas, alerta FBI

Por Redação | 17 de Julho de 2014 às 09h25
photo_camera Divulgação

Há alguns meses, o Google anunciou um projeto de carro que dirige sozinho que, na visão da empresa, irá dominar o mercado automotivo em um futuro próximo. O veículo não tem freios, volante e acelerador, e se trata de uma evolução de um sistema autônomo para automóveis, também desenvolvido pela gigante das buscas. Mas com tanta praticidade, chegam as preocupações: será que ele é totalmente seguro?

Na opinião do FBI, a Polícia Federal americana, carros sem motorista como o do Google podem representar um perigo nas estradas e avenidas de grandes metrópoles, podendo até serem usados como "armas letais". De acordo com um relatório interno do órgão obtido pelo jornal britânico The Guardian, os agentes preveem que os carros autônomos terão um impacto tão grande que vão transformar a forma como leis de trânsito são aplicadas, mas também a maneira como bandidos agem "operacionalmente".

Basicamente, isso é resumido pelo FBI como um recurso de "multitarefa" que vai beneficiar principalmente os ladrões de carros e outros criminosos, facilitando a fuga ou o transporte desses bandidos que "serão capazes de realizar tarefas que exigem o uso das mãos [como atirar nas autoridades ou o simples fato de ter de dirigir olhando para a estrada], algo que seria impossível hoje em dia".

Outro alerta feito pela entidade americana é sobre a segurança dos semáforos e estradas inteligentes do futuro que irão ajudar na locomoção de veículos autônomos. Para rodar sem precisar de um motorista, esse tipo de automóvel utiliza vários equipamentos com um complexo sistema de sensores e câmeras, responsáveis por mapear em tempo real os arredores (edifícios, pedestres, carros, ônibus) e transmitir a informação para o veículo. Com base nesse banco de dados, o carro então é programado para navegar com segurança para um destino, evitando obstáculos e obedecendo as regras de trânsito.

O problema é que, para o FBI, um criminoso ou um usuário com conhecimento avançado em hackear sistemas será capaz de desenvolver novas tecnologias para burlar esses mecanismos em seu favor. Entre elas está a substituição de recursos de segurança para ignorar semáforos e limites de velocidade. Este ponto, especificamente, indica uma preocupação com os famosos "rachas", corridas noturnas nas quais centenas de pessoas ignoram as leis de trânsito e correm em alta velocidade em ruas vazias.

"Os veículos com piloto automático tornarão a mobilidade mais eficiente, mas também devem abrir possibilidades para um duplo uso, com aplicações e modos que irão fazer do carro uma arma letal em potencial, mais do que é atualmente", diz o FBI no documento. Os agentes também alertam para possíveis terroristas que poderão programar carros-bomba para explodirem em um determinado ponto da cidade.

Embora descreva os riscos dos carros autônomos do futuro, o relatório - escrito para o Grupo de Assuntos Estratégicos da Direção de Inteligência do FBI - levanta algumas questões positivas que esses veículos irão causar na sociedade assim que forem lançados para o consumidor final. Uma dessas questões é a redução do número de acidentes, muitas vezes causados por simples distrações do motorista. Outra vantagem é na identificação de suspeitos e criminosos, já que todos os veículos sem motorista poderão ser rastreados.

Google: "Segurança em primeiro lugar"

Ao contrário do que diz o relatório do FBI, o Google garante que não colocará seu carro autônomo no mercado sem ter certeza de que ele oferecerá segurança aos usuários. A companhia reconhece que, assim como qualquer outro sistema, o automóvel pode falhar e, eventualmente, causar algum acidente. Por isso, equipou o veículo com diversos mecanismos de segurança, entre eles dois sistemas distintos de trava e de direção - se um deles apresentar mau funcionamento, o outro entra em ação.

Outro detalhe decisivo para manter ainda mais a segurança do carro está em sua composição. Ele foi montado utilizando componentes menos pesados que os de um automóvel comum. A parte dianteira do carro, por exemplo, foi construída com espuma, e seu para-brisa é feito a partir de um material flexível. De acordo com a empresa, esses elementos reduzem o dano que o carro pode causar caso atropele ciclistas, pedestres ou qualquer outro objeto na pista.

Segundo o Google, o carro é inteiramente dirigido por um sistema de computador. Ele possui sensores que ampliam o campo de visão das câmeras instaladas para ver o que está acontecendo até uma distância de dois campos de futebol. Além disso, o veículo atinge velocidade máxima de 40 quilômetros por hora – a capacidade de locomoção deve ser ampliada para até 160 km/h quando o automóvel for equipado com todos os sistemas de segurança necessários.

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