Sniper de rede e a hora de decisão

Por Colaborador externo | 19 de Maio de 2015 às 06h25

Por Rodrigo Alabarce*

Para um atirador de elite – um sniper –, apertar o gatilho talvez seja a parte mais fácil de um conjunto de tarefas que requer planejamento, observação, inteligência e assertividade. No dia a dia de um profissional de rede, isso não é nada diferente. Imagine o que é entrar numa sala e encontrar gerentes de TI desesperados e, às vezes, a alta diretoria da empresa também, simplesmente porque os processos pararam por conta de um problema de rede. É sentir-se em uma verdadeira ‘War Room’!

Esse é o momento em que um bom profissional de rede coloca em prática toda sua experiência e técnica. Isso porque, precisa identificar o problema em um espaço curto de tempo, dar um diagnóstico correto e, ainda, precisa aplicar a solução causando o menor impacto possível aos processos. Um verdadeiro sniper de rede, antes de apertar o gatilho, tem de analisar e mapear todos os aspectos que compõem o seu cenário e munir sua equipe com essas informações.

Para tanto, entre os atributos desse profissional estão o conhecimento, domínio da tecnologia, e experiência para entender o panorama/ambiente como um todo. Ele deve avaliar quais os sintomas, fazendo questionamentos rápidos para entender se o problema está isolado ou se está impactando toda rede. As questões mais recorrentes são: em que momento apareceram os sintomas?; os usuários estavam acessando algum programa específico quando a rede parou?; será um bug da navegação?

Ao fazer uma análise fim a fim – um assessment –, é possível ter visão ampla dos processos, o que dará respaldo para traçar o melhor caminho e chegar à solução. Dentro da War Room, esse tempo pode parecer infindável, mas o resultado desse mapeamento eleva o nível de assertividade do diagnóstico e permite um tempo menor para a aplicação das soluções.

Mesmo que o diretor da empresa esteja pedindo uma ação rápida e fazendo uma pressão para saber se o profissional está no alvo certo, um sniper deve ter equilíbrio para ignorar esse ambiente hostil e manter seu posicionamento sobre a necessidade da análise minuciosa. A tomada de decisão vai partir do conhecimento do profissional e a precisão do diagnóstico vai garantir que se chegue a uma solução, às vezes em questão de minutos.

Isso diferencia o sniper de um profissional comum da área de rede, pois ele faz o levantamento, toma as decisões e aplica as melhorias no tempo certo. Agora, se um profissional mexer nos equipamentos, interferindo em várias áreas da empresa, e não estiver no caminho certo, com certeza haverá a perda de sua credibilidade, o que não é nada bom em uma época de tanta competitividade.

Para chegar ao nível de profissionalismo de um sniper, é preciso ter conhecimento sênior de rede e pelo menos cinco anos de experiência no setor. Porém, tem que acumular a experiência junior e geral de TI, em banco de dados, servidores e aplicações, por exemplo. Ele deve conhecer a tecnologia que se conecta à rede, caso contrário não conseguirá identificar problemas com agilidade. Conhecer a função de um simples botão pode fazer toda a diferença para a performance da rede, como no caso de um tuning de rede.

A fim de manter-se atualizado em um mercado dinâmico como o de tecnologia, as certificações são boas alternativas, principalmente as realizadas por meio de fabricante de renome, que possuem tecnologias compatíveis com diferentes soluções. O conhecimento geral em TI também faz com que esses profissionais demonstrem que têm entendimento além da área de redes. Outro fator que merece destaque é a postura firme que o profissional deve ter ao expressar sua opinião ou mesmo para liderar uma reunião.

Um sniper de rede, ao dar um diagnóstico de um incidente e sugerir a aplicação de uma solução que pode parar o faturamento da empresa mesmo que seja por um período muito curto de tempo, está assumindo um risco, mas geralmente está confiante que vai dar o tiro certo.

*Rodrigo Alabarce é diretor de Serviços da Nap IT e especialista em redes de computadores de alta disponibilidade, sendo responsável pelo gerenciamento de redes complexas, resolução de incidentes, análise e implementação de desempenho e performance de redes.

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