O novo papel do CIO

Por Colaborador externo | 04.10.2016 às 06:09

Por Alexandre Azevedo*

O cargo de CIO (sigla em inglês para Chief Information Officer) surgiu inicialmente como uma evolução do cargo de diretor de TI das organizações. Originalmente, esta mudança de nomenclatura visava traduzir o aumento da importância de uma posição que antes focava apenas no planejamento da área de TI das empresas. Tal readequação foi necessária na medida em que as tecnologias evoluíram e acabaram permeando, de maneira contundente, todas as áreas de negócio de uma organização ao ponto de muitas vezes ser impossível dissociar os processos críticos de uma companhia das ferramentas que os instrumentalizam. Um exemplo disso são as instituições financeiras. Alguém consegue imaginar algum banco sendo competitivo sem internet banking? E neste ciclo de mudanças, o perfil do executivo na posição de CIO precisa evoluir – ou já o deveria ter feito.

E o presente está muito distante disso quando vemos que ainda permanece como padrão na maioria das grandes empresas brasileiras ter o CIO respondendo para o CFO (Chief Financial Officer) e não para o CEO (Chief Executive Officer). Isso acontece porque, culturalmente, a função de TI ainda é vista no Brasil como uma geradora de despesas e não como uma viabilizadora de estratégias de negócios, como acontece nos Estados Unidos e nos países europeus com maiores índices de competitividade.

Esta característica fica ainda mais evidente na edição mais recente da pesquisa anual realizada pelo Gartner com os CIOs latino-americanos, que mostrou que a otimização de custos está entre as principais preocupações dos executivos da região. O estudo mostra que a atuação desses profissionais ainda está focada na busca por melhorias da eficiência operacional e diminuição dos gastos. Questões importantes, mas que não são, em sua essência, estratégias de crescimento de uma empresa.

Para vencer essa resistência não basta achar que o problema está apenas na cultura ou em um possível engessamento imposto por outros stakeholders, como o CEO, CFO ou acionistas. As verdadeiras barreiras são justamente as características que fizeram o sucesso dos executivos de TI no passado, como o alto nível de especialização técnica e foco na gestão de orçamento. O novo CIO precisa ser mais generalista, entender dos principais direcionadores de cada área de negócio para poder apoiar os seus pares nos seus desafios corporativos. Ele necessita também conhecer profundamente o segmento de mercado que a sua empresa está inserida para ser capaz de usar as novas tecnologias naquilo que gerará o maior valor para seus clientes, funcionários e comunidade.

Veja o exemplo de um CIO cliente da TOTVS. Funcionário de uma grande construtora, ele recebeu uma proposta para atuar em um segmento totalmente diferente, o de alimentos. Recentemente, ele comentou que está tendo que reaprender quase tudo em relação a função de CIO, apesar dos muitos anos de experiência na função, pois as necessidades de seu novo mercado alvo exigem outras habilidades e impõem desafios diferentes. Como sua formação e atuação profissional nunca estiveram restritas às questões técnicas, mas sim complementadas por capacitações em negócios e em finanças, e porque ele enxergou desde o começo que seu desempenho dependia fundamentalmente da sua rápida capacidade de aprendizado e readequação, em pouco tempo de transição, ele conquistou a confiança do presidente e do C-level da companhia. E é exatamente isso que as grandes empresas querem: o vice-presidente estratégico e não apenas o “cara de TI”.

O mercado está cada vez mais competitivo e os executivos com uma experiência mais abrangente, sem deixar para trás o DNA tecnológico, saem na frente. A adaptação para este perfil é o ponto crucial nesta mudança de paradigma e a oportunidade de se tornar fundamental na empresa. Desta forma, os CIOs poderão fazer com que a área de TI deixe de ser apenas um departamento de suporte ao dia a dia da operação e passe a ser uma área essencial aos objetivos do negócio, ajudando as companhias a atingirem suas metas.

Em um mundo em que tendências como a transformação digital já estão modificando as relações profissionais e a dinâmica dos resultados de uma companhia, o CIO que compreender mais rapidamente o seu papel estratégico será o executivo que conquistará um lugar cativo ao lado do CEO.

*Alexandre Azevedo é diretor da unidade TOTVS Private.