Mulheres programadoras tendem a assumir apenas cargos juniores, aponta estudo

Por Jessica Pinheiro | 05 de Março de 2018 às 12h25

A indústria da tecnologia ainda parece ter um longo caminho a percorrer no que tange a igualdade de gêneros. Ainda que existam diversas campanhas no mercado para que sejam dadas às mulheres mais oportunidades em cargos altos ou apenas salários melhores e mais justos, a pesquisa Women in Tech 2018 publicou que grande parte das mulheres que trabalham como desenvolvedoras de software estão presas a cargos iniciantes.

O estudo foi divulgado na semana passada pela HackerRank, reunindo a opinião de 14,6 mil desenvolvedores profissionais. Os dados foram coletados através de formulários online, sendo que 1,9 mil eram de mulheres e 12,6 de homens.

Independentemente da idade, as informações constatam que as programadoras estão mais propensas a ocuparem cargos juniores em empresas do ramo. As mulheres da área que têm mais de 35 anos, por sua vez, ocupam 3,5 vezes mais posições iniciantes do que homens da mesma idade. Outra revelação surpreendente do estudo aponta que 20,4% das profissionais continuam ocupando tais cargos, contra 5,9% dos homens da mesma faixa etária.

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Já as desenvolvedoras entre 25 e 34 anos têm 1,78 vezes mais chances de ocuparem posições juniores. Isto significa que quase metade (46,1%) das mulheres da indústria está estagnada no nível iniciante em comparação com apenas 25,9% dos homens. Por fim, os mais jovens da área possuem uma desigualdade menor: 84,5% das mulheres entre 18 e 24 anos ocupam cargos iniciais, enquanto que para os homens a porcentagem é de 77,3%.

O futuro tende a ser positivo

O cenário mostrado pelos estudos é desanimador, pois a estagnação não apenas limita o desenvolvimento de inúmeras profissionais como também a própria companhia de alguma forma.

De acordo com o documento, 13,9% das programadoras com idades entre 18 e 24 começaram a codificar quando ainda estavam na escola. (Imagem: Getty Images)

Todavia, o relatório destaca boas projeções para o público feminino da área, além de ampliar o horizonte no que tange a tão desejada igualdade de gênero: mais de 60% das entrevistadas afirmam terem competências em Java e JavaScript, e mais de 40% comentaram que conhecem as linguagens de programação C ++ e Python. Todas essas habilidades são bastante procuradas por empregadores, segundo um documento do mesmo estudo.

Além disso, as mulheres estão trabalhando em setores muito bem visados na indústria, com 10% delas empregadas no mercado de serviços financeiros e 3,6% ocupando cargos no setor automotivo.

Outra tendência é a diferença cada vez menor entre os gêneros que aprendem a programar com menos de 16 anos. O público feminino, por exemplo, tem 13,9% de programadoras com idades entre 18 e 24 que começaram a codificar quando ainda estavam na escola. Os homens, nesta mesma faixa etária, ocupam 20,9%.

O que pode ser feito?

O estudo ainda incentiva que gerentes, diretores, vice-presidentes e executivos exerçam a oportunidade de acelerar uma mudança no campo, de modo a deixá-lo mais equivalente. A ideia é que os citados trabalhem para ajudar a capacitar mais mulheres em tecnologia.

Além disso, a Women in Tech está aberta a receber e-mails com ideias e planos para colocar em prática ações que ajudem a destacar mais profissionais do público feminino no setor tecnológico. As discussões e descobertas podem compartilhadas pelo endereço research@hackerrank.com ou pelo fórum reddit.com/r/compsci.

Fonte: HackerRank

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