Mercado online: os desafios de recrutar e reter talentos

Por Colaborador externo | 11.09.2015 às 08:05

Por Marília Evangelista*

Com o boom do “mercado ponto com” no fim dos anos 90, surgiram inúmeras empresas que ganharam musculatura nas bolsas de valores devido à forte alta de suas ações em todo o mundo. Empresas essas que se estruturaram e cresceram rapidamente, chegando ao topo do mercado. Já outras não trilharam o mesmo caminho por diversos motivos.

Tratando-se de internet, falamos aqui de um mercado de pouco mais de 15 anos, que recebe a todo o tempo novas empresas e novos negócios. Diante disso, nota-se uma constante evolução, em busca de adequações de processos, tecnologias, modelos de trabalho e capital humano, utilizando referências de outros mercados mais maduros e se adaptando ao dinamismo e à agilidade tão presentes no universo online.

Empresas dos mais variados subsegmentos, como e-commerces, portais, classificados, buscadores, redes sociais, entre outros, no geral apresentam estruturas distintas, o que reflete nas nomenclaturas de cargo e detalhes das funções dos colaboradores. Isso ainda se dá devido ao desenvolvimento do mercado. Em conversa com executivos da área, fica claro o quanto eles adéquam a estrutura organizacional ao negócio, criando e recriando áreas, desenvolvendo novas posições e novas carreiras.

Sim, esse mercado possibilitou o surgimento de novas profissões, principalmente na área de tecnologia. Profissionais de desenvolvimento web e de gestão de projetos através de metodologias ágeis tornaram-se essenciais, altamente demandados e valorizados. Além desses, profissionais das áreas de marketing e Business Inteligence são vistos como core business. Por meio de diversas ferramentas, monitoram e controlam tudo o que acontece em suas empresas, tomando decisões imediatas com o objetivo de rentabilizar e otimizar seus negócios.

Estes profissionais precisam ter como principais competências a tomada de decisão, o dinamismo, visão analítica e bom relacionamento, já que o trabalho em equipe é mais que comum. Por serem carreiras recentes, é possível observar maior flexibilidade em relação à senioridade dos executivos, o que difere de outros mercados, em que dificilmente considera-se um profissional nível sênior com menos de quatro anos de experiência.

Aliado a esses pontos, é possível destacar também a variação e a diferença de remuneração, com grande discrepância entre cargos e áreas. Além disso, notam-se profissionais altamente valorizados, principalmente de tecnologia com maior vivência no mercado, podendo negociar salários até 40% maiores do que se pratica em outros mercados e/ou empresas.

Mesmo com a atual situação econômica e política do país, notamos que este mercado se mantém acelerado e em constante evolução. Diante disso, executivos de Negócios e de Recursos Humanos tem o grande desafio de recrutar e, principalmente, manter seus talentos na empresa. Diferente de outros mercados em que profissionais destacam plano de carreira e qualidade de vida, profissionais do mundo online vêem muito mais valor em trabalhar com projetos inovadores e com tecnologias de ponta, mas não deixam de colocar em xeque as possibilidades de crescimento profissional.

Com esse cenário, cabe aos executivos serem mais criativos em sua gestão e atentos às suas equipes, mantendo-os, assim, motivados e engajados não só com o projeto, mas também com a cultura e os valores da companhia. Não obstante a isso, é exigido um nível mais criterioso no processo de seleção, atentando-se às competências necessárias, à adaptação ao seu modelo de trabalho e à carreira que poderá ser trilhada na empresa.

*Marília Evangelista é Associate & Partner da Asap Recruiters, consultoria de busca e seleção de executivos.