Futuro do trabalho: de quem é essa responsabilidade?

Por Marco Santos | 08 de Julho de 2020 às 10h00
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Os jovens de todo o mundo estudam, em média, mais anos do que qualquer outra geração; mas isso não implica em melhores posições dentro do mercado de trabalho. Ao contrário, eles enfrentam grandes dificuldades para iniciar suas jornadas profissionais e também para relacionar o que aprenderam durante todo o período escolar. Além disso, há outro problema: muitos apostam em profissões que serão robotizadas no futuro, provocadas pelo avanço da tecnologia.

Este cenário foi revelado no relatório ‘“Emprego dos Sonhos”, pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) durante o Fórum Econômico Mundial 2020. No levantamento foram ouvidos mais de 600 mil jovens de 15 anos em 79 países, incluindo o Brasil. Apesar de a pesquisa não revelar quais as profissões serão afetadas pela transformação digital, o estudo mostra que 39% dos trabalhos que foram citados pelos alunos poderão ser automatizados durante os próximos 10 anos.

De acordo com o mesmo conteúdo, mais de 96 profissões do futuro poderão criar mais de 6 milhões de novas oportunidades de trabalho até 2022. Me questiono bastante sobre a necessidade de fazer mais investimentos para o futuro do trabalho, tanto no âmbito de competências e habilidades como dos estímulos dentro das empresas e nas universidades.

Cenário brasileiro

Em um contexto em que 52% das empresas brasileiras têm dificuldades para preencher vagas em áreas como tecnologia da informação, matemática e negócios, este é um grande momento para refletirmos sobre a responsabilidade social do futuro do trabalho.

Atualmente, o país conta com mais de 13 milhões de desempregados, conforme os últimos dados divulgados pelo IBGE. Desse total, quanto estão sem empregos e foram para informalidade por falta de oportunidades e desenvolvimento? Quantos possuem talento nas áreas que mais sofrem pela ausência de profissionais, porém não têm capacitação?

O problema do do Brasil está na base da educação. Países como a Finlândia, Japão e China despontam nos índices de aprendizagem com auxílio de novas tecnologias, que aceleram o processo de conhecimento por meio de uma cultura cada vez mais digital. A Finlândia, por exemplo, atingiu 94% de índice de alfabetização há um século e meio, coloca 6% de seu PIB em educação. O valor do investimento no país por estudante é quatro vezes maior do que ao aluno brasileiro.

Uma habilidades para o futuro é, sem dúvida, a alfabetização digital, com iniciativas como o Letramento em Programação, do Instituto Ayrton Senna, que promove a educação integral por meio do pensamento computacional e das linguagens de programação. O projeto já capacitou mais de 3 mil estudantes de escolas públicas desde o seu lançamento, em 2015.

A pandemia, obviamente, nos acendeu um alerta para a necessidade de dinamizar processos e ter mais estrutura para trabalhar no ambiente digital. Devemos estar preparados para atuar neste novo modelo, com cada vez mais agilidade. As profissões do futuro já começam a fazer parte do agora, por isso é preciso um olhar cada vez mais atento para essa nova realidade. De acordo com a Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), esse a transformação digital vai movimentar R$ 465,6 bilhões até 2023.

Boas ideias não faltam, porém é necessário unir todas essas iniciativas em um ecossistema único, que possa atender a grande demanda da mão de obra em tecnologia da informação. Governo, ONGs, fundações, institutos, empresas, escolas técnicas e faculdades devem atuar juntos nesta missão.

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