Executiva da Intel tem dois conselhos para ampliar igualdade na tecnologia

Por Redação | 09 de Junho de 2016 às 14h10

50% da população mundial é composta por mulheres. Nas universidades americanas, elas são 57% do total de graduados, mas correspondem a apenas 23% da indústria de tecnologia. Esse é um problema que, para a vice-presidente da Intel e gerente do setor de data centers da companhia, Diane Bryant, é um problema que precisa ser encarado não apenas do ponto de vista da formação, mas, também, no próprio comportamento do mercado corporativo.

Falando durante uma conferência da auditoria KPMG, voltada justamente para discutir e fomentar a presença do gênero feminino em cargos de liderança, Bryant deu dois conselhos para que as empresas aumentem a representatividade das mulheres em seus rincões: foque em especialização e crie mais possibilidades de indicação delas para cargos superiores.

O primeiro é um problema antigo, e já relatado por outras executivas influentes da indústria. Por mais que sejam maioria entre os graduados, as mulheres tendem a buscar formações mais generalistas justamente devido à desigualdade no mercado de trabalho — ao assumirem funções menos específicas, elas ampliam suas possibilidades de encontrar emprego e melhores salários. Entretanto, isso também resulta na falta de especialização e diferenciação.

Aqui, Bryant dá um conselho para as mulheres: especializem-se até, efetivamente, poderem se autointitular uma expert em determinada área. E o conselho para empresas é: busquem profissionais com esse tipo de perfil. No longo prazo, cargos generalistas e muito abrangentes dificultam a ascensão no plano de carreiras, a diversidade e, acima de tudo, a tomada de decisão em momentos importantes.

Além disso, a executiva chama a atenção para outra diferenciação de tratamento entre gêneros: “Homens têm patrocinadores, mulheres têm mentores”. Para ela, a ideia de que elas contem apenas com conselhos confidenciais, feitos em reuniões fechadas, não ajuda a evidenciar as qualidades de cada uma e, como no caso anterior, dificulta a escalada por planos de carreiras e cargos menores.

Na visão de Bryant, enquanto homens costumam colocar até mesmo suas reputações em jogo na hora de indicar um colega para um cargo gerencial importante, o mesmo não acontece quando é a vez de uma mulher. Não existe incentivo para que elas sigam em frente nem busquem por posições mais altas e, menos ainda, apoio de gente graúda para que isso aconteça.

A executiva diz ser uma exceção a essa regra, mas apenas como um “acidente”. Diante de problemas financeiros e sem uma residência própria, ela decidiu optar pela formação em engenharia após descobrir que essa era uma das posições mais bem pagas dos Estados Unidos. Ela trabalhava como garçonete e um de seus clientes mais frequentes era um engenheiro aeronáutico, que conseguiu uma entrevista e um estágio para ela na Aerojet, onde ela iniciou sua carreira.

Considerada uma das executivas mais poderosas e capacitadas do Vale do Silício, Diane Bryant entrou para a Intel em 1985. Ela dirige o negócio de data centers da empresa desde 2012 e, em abril deste ano, foi promovida de vice-presidente sênior do departamento para vice-presidente executiva. Antes disso, ela já havia atuado na companhia como diretora de infraestrutura de TI por quase quatro anos.

Fonte: Business Insider

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