Esqueça Mark Zuckerberg e Bill Gates: o futuro da programação é a diversidade

Por Colaborador externo | 08 de Maio de 2018 às 09h51
photo_camera Y-Boychenko/Depositphotos

A programação é hoje a linguagem mais falada no mundo, e futuramente, de acordo com especialistas, como um dos criadores do Code.org, movimento global que apoia o ensino de programação nas escolas, será tão importante quanto o inglês. Pensando nisso, alguns países já oferecem cursos básicos de programação na escola —- a Inglaterra implantou a programação como matéria escolar em 2014. No Brasil, existem entre quatro e cinco mil empresas que desenvolvem ou produzem software. Isso indica um grande mercado para quem sonha em seguir essa carreira.

Letícia tem apenas 14 anos e está participando do curso Aprendendo a Programar, iniciativa do Comitê para a Democratização da Informática SC. O projeto ensina a linguagem básica da programação para jovens. Apaixonada por jogos digitais, Letícia não perdeu tempo quando soube da possibilidade de aprender a programá-los. A menina pensa no futuro e acredita que as aulas que está tendo hoje serão um diferencial na hora de encarar o mercado de trabalho.

Victor Oliveira também abraçou as oportunidades. Ele foi o décimo funcionário do Uber nos Estados Unidos. Na empresa, que na época não sonhava em ser o que é hoje, ajudava a programar o aplicativo de transporte. De volta ao Brasil, criou junto com três amigos de universidade (todos programadores) a Cheesecake Labs, uma empresa que desenvolve aplicativos personalizados. Com mais de 50 funcionários, a Cheesecake se preocupa em manter uma proximidade com a comunidade em que está inserida, gerando nela um impacto positivo. Por isso mantém projetos como mão na massa, que ensina gratuitamente programação para jovens carentes e o Coding Dojo Girls, que ensina e empodera minorias de gênero a programar.

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Democratização da tecnologia

Muito além de aproximar jovens de um mercado em expansão, o setor de programação também democratiza o acesso à tecnologia. Maurício Sá Peixoto é analista de testes da Softplan, uma das maiores de desenvolvimento de software do país. Maurício é deficiente visual e atua na área de programação da empresa, para garantir a acessibilidade dos programas desenvolvidos, ou seja, para que qualquer pessoa possa acionar normalmente botões, links por meio de comandos do teclado, ter acesso às imagens por meio de textos alternativos, preencher formulários e etc.

Antes de conquistar o cargo, Maurício sempre sonhou em trabalhar com tecnologia. Durante sua trajetória, custou a ter uma oportunidade e esbarrou em dificuldades de uso de alguns programas. Para ele, promover a diversidade e a acessibilidade na programação é um caminho para tornar a sociedade como um todo mais acessível. “A acessibilidade web precisa ser pensada desde o início do projeto e não como algo adicional que pode ser pensado depois. É preciso uma mudança de cultura para estimular a consciência que pessoas com deficiência são usuárias dos sites e que se os padrões de desenvolvimento web forem seguidos corretamente, a maioria das barreiras de falta de acessibilidade na web estarão resolvidas. Acessibilidade não é um favor e nem opcional, estando prevista, inclusive, na lei”, destaca ele.

Uma pesquisa divulgada pela Uber mostra outro tipo de segregação dentro da tecnologia, a de gênero. Até o ano passado, dos 12 mil funcionários, apenas 36% eram mulheres. Ingrid Faber, desenvolvedora de software da Hexagon Agriculture, empresa com escritório em Florianópolis e voltada para tecnologias da informação para a eficiência, produtividade e sustentabilidade no setor agrícola, já sentiu na pele as dificuldades ainda encontradas por mulheres para atuar dentro do setor de programação. Ela trabalha na área de tecnologia há oito anos e já foi a exceção em algumas empresas por onde passou. Mãe de gêmeas de três anos, ela acredita que a mudança da realidade majoritariamente masculina no setor começa bem antes da escolha da profissão. “Temos que despertar o interesse pela ciência e pela tecnologia desde cedo e desenvolver habilidades que normalmente são mais estimuladas nos meninos. Isso é nossa responsabilidade como pais e mães. Lá em casa por exemplo, os contos de fadas têm sempre um toque especial. As nossas princesas costumam morar no vale encantado do silício”, conta.

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