Desafios do jovem no novo mercado de trabalho: há mais perguntas que respostas

Desafios do jovem no novo mercado de trabalho: há mais perguntas que respostas

Por Colaborador externo | Editado por Rui Maciel | 17 de Setembro de 2021 às 10h00
Envato / look_studio

*por Gabriella Balbino

A história sobre como o estudo universitário não supre as demandas de mercado quando o assunto é preparar o profissional com as habilidades necessárias para o mercado do futuro, cada vez mais tecnológico e disruptivo, infelizmente, se repete e existem diversas pautas que exploram qual é o papel das organizações educacionais no preparo dessas pessoas. A época atual vive uma realidade que a ânsia pela tomada de decisões é maior do que nunca. Por isso, é difícil concordar que esse é um período que as coisas são mais “fáceis” e “alcançáveis”. 

Apesar da sociedade ser cada vez mais flexível, com mudanças significativas acontecendo a todo o momento e com espaços de trabalho orgânicos que permitem que se cresça junto do negócio; os desafios são diferentes e o desenvolvimento oferecido pelo sistema que vivemos não exatamente acompanha esse ritmo. Na verdade, ele quase nunca consegue preparar os jovens. 

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Com a pandemia, este quadro que já era sensível há alguns anos ganhou cores ainda mais preocupantes. Segundo uma pesquisa do IBGE de maio deste ano, o nível de desocupação dos que têm 18 a 24 anos voltou a subir em 2021 e alcançou 31% no trimestre encerrado em março. Essa é o 2º maior percentual da história, ficando atrás do 3º trimestre de 2020, quando chegou a 31,4%.

Aliados a estes dados e com um ensino que nem sempre se conecta e às novas habilidades esperadas pelas empresas, é perceptível que existe um gap entre o que se vê na sala de aula e nas telas dos principais escritórios.  De acordo com o relatório “Do Futuro do Trabalho” desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial [FEM] no fim de 2020, 55,4% das empresas entrevistadas afirmaram que encontram lacunas de competências nos profissionais em seus respectivos mercados e isso dificulta a adoção de novas tecnologias. 

Dentre os principais gaps, estão: pensamento analítico e inovação; aprendizagem ativa e estratégias de aprendizado; resolução de problemas; pensamento crítico; criatividade e liderança. Composta por outras habilidades imprescindíveis para o futuro, a lista aponta como as habilidades comportamentais são essenciais para o futuro do trabalho. Elas não apenas fornecem a base para o sucesso ao aprender novos conteúdos, mas também são transferíveis, adaptáveis ​​e promovem a melhoria constante.

As principais empresas do mundo atualmente esperam profissionais “t-shaped”, especialistas em uma área, mas que também em várias outras e jovens que antecipam grandes transformações no comportamento do consumidor, novas demandas em produtos e serviços, bem como avanços tecnológicos. Agora, o essencial se torna escalar jornadas para o mercado já entendendo que será necessário muito mais para executar as atividades e alcançar os objetivos essenciais para as melhores oportunidades do futuro. Além destas competências, a inteligência artificial e o lifelong learning também se solidificam como as novas ferramentas indispensáveis para os profissionais do amanhã. 

O mercado de trabalho está evoluindo e, como resultado, a sociedade precisa mudar a forma como prepara os jovens. É necessário pensar criticamente sobre como criar uma experiência mais holística que abre tantas oportunidades quanto possível. Ao integrar habilidades comportamentais, técnicas e experiências de trabalho significativas com uma rica preparação educacional, é possível garantir que os alunos estão prontos para qualquer coisa que o futuro do trabalho nos reserve.

O futuro do trabalho está aqui e as gerações mais jovens estão na frente da linha, explorando novas abordagens, encontros e desafios. Cabe a quem já está consolidado em mercados e companhias inovadoras incentivar que essas pessoas estejam preparadas para desenvolver o que precisam para um bom desempenho hoje, somando habilidades para o mundo de amanhã.

Se preocupar não só em entender o cenário, mas apoiar para que cada pessoa, após se formar em uma universidade/faculdade, seja o talento mais procurado para contratação e promoção nas empresas da nova economia, é um trabalho conjunto e o futuro já bate a porta. 

Por isso, deixo a pergunta: como construímos esse futuro hoje?


*Gabriella Balbino possui experiência profissional em Projetos Educacionais In Company voltados para Educação Empreendedora, Tecnologia e Inovação. Ocupa atualmente a posição de Content Management Specialist na Frst, edtech de aceleração de pessoas da Falconi 

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