Como lidar quando é o chefe quem costuma ter péssimas ideias na empresa

Por Redação | 13.09.2016 às 07:07

Muitas empresas costumam ter ideias e tomar decisões em conjunto, reunindo chefes, gerentes e demais profissionais gabaritados nesses momentos importantes. E durante um “brainstorm” é comum rolarem sugestões não lá muito boas, algumas vezes sendo até mesmo nonsense. Mas e o que fazer quando o autor dessas péssimas ideias é o próprio chefe?

Foi o que aconteceu com Kat Boogaard, uma escritora freelancer que elabora textos sobre carreira, desenvolvimento pessoal, tecnologia, saúde e assuntos afins. Ela contou que, em uma empresa onde trabalhou, seu chefe chegou com a “incrível” ideia de usar uma ferramenta que publicasse no Twitter automaticamente tudo o que fosse postado no Facebook da empresa - assim, “nós só precisaremos nos preocupar em administrar uma única conta”.

Qualquer pessoa que entenda um pouquinho de redes sociais sabe que essa estratégia é um “tiro no pé” para quem deseja se engajar online. Afinal, cada rede social funciona de maneira diferente, com propósitos e públicos diferentes, e uma tática desse tipo faria com que a empresa parecesse ser “preguiçosa”, além de tudo. Só que quem teve essa ideia “genial” foi o dono da empresa, e Boogaard ficou meio que sem saber como explicar ao gestor que, apesar de fazer sentido, sua sugestão não era nada boa. Entretanto, ela acredita que a melhor saída não é concordar somente para não desagradar ao chefe: é preciso confrontá-lo, mas do jeito certo para não criar um “climão” desnecessário.

Questione

Em um “brainstorm”, é comum que os participantes soltem ideias uma atrás da outra sem muitos filtros. Isso significa que boa parte das sugestões serão descartadas, mas que algum conceito trazido em uma má ideia pode ser aproveitado pelo colega e, enfim, chegar à ideia final. Contudo, nesse momento de criatividade, questões como logística e viabilidade de executar aquela sugestão acabam ficando de lado.

“Em muitos casos, seu supervisor está soltando ideias para obter reações e feedbacks”, e isso não significa que ele ou ela esteja tentando impor sua sugestão acima das demais. Então, se o chefe estiver dando uma ideia bacana, mas inviável, Boogaard aconselha a fazer perguntas que o levem a chegar à mesma conclusão que você. “É possível matar uma ideia sem que você precise dizer nada negativo diretamente àquela contribuição. Dessa forma, uma crise é evitada”, aconselhou.

Aponte as falhas

Se fazer perguntas a respeito da viabilidade ou eficácia da ideia dada pelo chefe não fez com que ele entendesse (ou aceitasse) que talvez seja mais interessante escolher outra estratégia, talvez seja necessário apontar as falhas mais óbvias daquele pensamento.

Boogaard recomenda que isso seja feito de maneira polida e profissional, naturalmente, para que fique bem claro que você está rejeitando a ideia pelo fato de ela não ser a melhor saída, e não porque você quer bater de frente com o gestor. A sugestão aqui é usar argumentos lógicos e bem embasados, procurando começar com uma observação positiva antes de soltar a “bomba”.

Usando como exemplo a situação vivida por Boogaard, quando sua chefe propôs mesclar as contas de Facebook e Twitter da empresa, ela acredita que uma boa resposta seria algo do tipo: “Eu acho bacana que você esteja tentando usar uma plataforma para centralizar o trabalho e poupar tempo. No entanto, acredito que acabaríamos perdendo engajamento com nossa audiência se postássemos o mesmo conteúdo em todo lugar”.

Sugira alternativas parecidas

Ao determinar que aquela ideia proferida pelo superior é mesmo muito infeliz, muito provavelmente você já tenha em mente alguma alternativa melhor. Então, por que não a compartilhar? Para Boogaard, melhor do que criticar é sugerir algo melhor, e melhor ainda do que isso é que sua sugestão seja parecida com a ideia original do chefe.

Ainda usando o exemplo anterior, naquela situação em que o chefe achou uma boa ideia publicar o mesmo conteúdo em mais de uma rede social ao mesmo tempo, Boogaard disse que poderia ter respondido com um: “apesar de eu não acreditar que usar a mesma mensagem em todos os lugares seja um caminho a ser seguido, eu acho mesmo que sua sugestão de usar uma plataforma centralizadora seja uma boa. Pode valer a pena conferir as opções e ver se alguma delas serve para nossa equipe. Fico feliz em pesquisar e usar aquela que se mostrar mais adequada para nossas necessidades”.

Para Boogaard, esse tipo de abordagem não descredita a ideia do chefe que, apesar de não ter sido boa, pode ter algo de positivo. Vai que, nessa pesquisa, não acabe surgindo uma ferramenta de gestão de redes sociais que, em vez de replicar o mesmo conteúdo em todas as contas, oferece alguma alternativa bacana que você desconheça?

Saiba a hora de se calar

Apesar das três estratégias recomendadas por Boogaard serem válidas, somente o funcionário (que conhece o chefe e sabe como são suas reações a críticas), pode avaliar sua eficácia, pois não é muito difícil uma crítica construtiva ser interpretada como uma afronta - especialmente se o chefe e o profissional tiverem algum histórico de embate dentro da empresa.

“Detesto dizer isso, mas, nesses casos, provavelmente é melhor que você fique calado”, disse Boogaard. Afinal, por mais estúpida que a ideia do chefe pareça ser, ele ainda é seu chefe - e ninguém deseja perder o emprego porque “bateu de frente” com o patrão.

Fonte: The Muse