Caminhos e desafios para promover a inclusão e expandir o mercado de TI no país

Por Marco Santos | 24 de Março de 2020 às 09h48

Nas últimas décadas os países têm cada vez mais se preocupado com a inovação de suas áreas de Tecnologia da Informação. O Índice de Inovação Global (GII, na sigla em inglês) de 2019 listou os 20 principais países que investem em tecnologia. Os cinco primeiros são Suíça, Suécia, Estados Unidos, Países Baixos e Reino Unido.

Em sua 12ª edição, o GII é um padrão global que mensura as atividades que promovem o desenvolvimento econômico e social de 129 nações, com base em 80 indicadores que vão desde medidas em investimento de pesquisa e desenvolvimento até a criação de aplicativos para smartphones e a exportação de alta tecnologia.

A Suíça, nação que ocupou o primeiro lugar no Índice de Inovação Global, foi a primeira do mundo a aceitar bitcoins para pagamentos em serviços público, por exemplo. O país também conta com o renomado pólo de tecnologia, conhecido como Crypto Valley, que concentra empresas focadas em tecnologia para o sistema financeiro, algoritmos criptografados e certificados digitais, além de ter importantes e reconhecidas universidades e mão de obra qualificada.

O Brasil ficou na 66ª posição global no ano passado. Mesmo com essa colocação, é ainda o único país da América Latina ter clusters de ciência e tecnologia classificados entre os 100 primeiros do mundo.

Então, quais seriam o desafios e caminhos para promover ainda mais este setor? 

O Brasil ainda tem muitos obstáculos para expandir o seu mercado de Tecnologia da Informação e promover a inclusão digital. De acordo com a Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), a deficiência começa na qualificação da mão de obra, já que o país conta com um déficit de 120 mil vagas no ensino superior em áreas voltadas para a tecnologia. É um dado contraditório diante da situação econômica em que nos encontramos, com mais de 11,6 milhões de pessoas que terminaram o ano procurando emprego.

Isso tem feito com que a sociedade comece a dar passos mais firmes em direção a investimentos em qualificação. O governo brasileiro estima investimentos de até R$ 10 bilhões até 2025, com a geração potencial de 200 mil postos de trabalho; e, recentemente, por exemplo, a IBM criou um programa para qualificar jovens universitários e requalificar trabalhadores latino-americanos.

Alguns projetos de universidades públicas também estimulam o interesse dos jovens para entrar no mercado de trabalho de tecnologia. A Universidade de São Paulo (USP) tem um projeto batizado como “Pronta para ser cientista”, que é uma iniciativa voltada para meninas que estudam no ensino fundamental de escolas públicas e privadas do município de Ribeirão Preto, incentivando a participação das mulheres no cenário acadêmico.

Já em Brasília, desde 2013, existe o projeto “Meninas Velozes”, um programa de extensão da Faculdade de Tecnologia (FT) da UnB. A ação surgiu da necessidade de superar a falta de profissionais de Engenharia e garantir, sobretudo, igualdade de gênero na área.

Um dos primeiros investimentos nesta retomada, principalmente no Brasil, é a capacitação de profissionais que possam atuar em empresas locais e multinacionais. Daí a necessidade de promover ações para fomentar a aprendizagem por meio de treinamentos, cursos, workshops e concessão de bolsas.

Quando pensamos no Brasil como um país da educação do futuro ou do futuro da educação, temos que saudar essas iniciativas. Precisamos ainda analisar como contribuir e incentivar para que mais e mais projetos sejam desenvolvidos, transformando a Programação em uma terceira língua no país. Esse esforço depende de uma atuação conjunta entre instituições públicas e privadas. Só assim seremos capazes de vencer os grandes desafios que temos atualmente na qualificação profissional..

*Marco Santos é presidente da GFT para o Brasil e América Latina

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.