As oportunidades profissionais em um ambiente em constante inovação

Por Colaborador externo | 15 de Março de 2016 às 11h00

Por Matthew Gharegozlou*

Quem quer que observe de perto o avanço da digitalização irá concordar com a aposta em um crescimento expressivo da demanda de analistas de dados e profissionais com habilidades em desenvolvimento em todas as esferas de negócio.

Em toda parte que se olha, é possível constatar que não apenas o ambiente empresarial está cada vez mais acelerado, mas também que o ciclo de vida das próprias inovações é cada vez mais curto. Num ritmo antes inimaginável, a última tendência tecnológica mais atual pode atingir a maturidade, saturação e obsolescência em questão de poucos meses ou semanas.

Assim, as empresas precisam mesmo ser muito ágeis. O suficiente para tirar o máximo partido desses avanços tecnológicos numa velocidade compatível com a sua própria e volátil duração.

As mudanças dinâmicas não são típicas apenas da tecnologia, mas ocorre também com as habilidades que são exigidas da força de trabalho. A questão que hoje se coloca ao profissional de tecnologia não é a necessidade de que ele aprenda tudo e domine várias práticas de disciplinas de um uma vez para melhor se posicionar no mercado.

As empresas e seus colaboradores precisam mesmo é garantir que estão constantemente aprendendo e melhorando suas competências para atender às demandas cada vez mais dinâmicas e executar a chamada transformação digital que os negócios em geral começam a demandar e que estão prestes a se realizar em todos os segmentos.

Isso não é, de forma alguma, uma tarefa fácil. Com a tecnologia evoluindo ao nosso redor a uma velocidade sem precedentes, e com tendências digitais com as quais nem sonhamos ainda, o potencial é quase infinito.

Uma grande variedade de oportunidades de trabalho já está começando a emergir ou evoluir a partir de funções existentes, que se tornarão mais essenciais e procuradas. Estas incluem Analista de Dados, Desenvolvedores Web e Especialistas em Integração, como apenas alguns dos exemplos.

Especialistas mais requisitados

Com o grande volume de dados presumivelmente presentes em uma empresa, e com os diferentes processos que serão necessários para organizá-los e utilizá-los de forma eficaz, uma série de especialistas passarão a ser demandados para fazê-lo.

Um exemplo seriam os especialistas em integração, aqueles que permitam assegurar que as soluções de dados e análise de uma variedade de fontes distintas possam ser integradas com sucesso em uma estratégia global de transformação.

Ambientes como a IoT e a absorção de dispositivos "wearable" irão aumentar a responsabilidade desses profissionais e sua função dentro das organizações ao longo dos próximos dez anos. Tais experts serão obrigados a não só introduzir estas tecnologias no contexto do negócio, mas fornecer o aconselhamento sobre como abarcá-las e assegurar as habilidades para utilizá-las de forma eficaz.

O desenvolvedor de experiência

Um papel que já é essencial e está em constante evolução é o do desenvolvedor de aplicações. Toda empresa tem um site e muitas têm seus vários aplicativos. Estes itens precisam não apenas ser mantidos atualizados e funcionais, mas se adaptar à evolução cada vez mais rápida do comportamento dos usuários.

Isso significa ser capaz de evoluir para múltiplos dispositivos e formatos, através de múltiplos canais. O desafio será combinar essas habilidades para oferecer uma experiência consistente e uniforme à medida que cada empresa adota uma abordagem "unicanal" para interagir com o mundo. Os desenvolvedores capazes de fazê-lo serão os mais procurados.

Lidando com o aumento no volume de grandes dados

Outro papel que tem sido muito discutido é o do Analista de Dados. Ele tem sido especialmente lembrado devido às oportunidades e desafios proporcionados pela crescente quantidade de grandes dados disponíveis nas organizações.

O problema com o uso de um termo genérico como "analista de dados" é que essa função é muito mais complexa, devido aos níveis de conhecimento necessários à compreensão, processamento e consolidação que são necessárias para se gerenciar os grandes dados ao longo de toda a corporação.

O papel do Analista de Dados abrange, portanto, uma variedade de posições, incluindo a de analista técnico, analista de marketing, analista financeiro e muito mais. Além disso, a função vai mudar fundamentalmente conforme esses profissionais forem utilizando ferramentas e técnicas mais sofisticadas do que as que vemos hoje.

O chamado "Excel Guru" ainda em voga até 2015, dará lugar, em breve, a uma nova geração de analistas capazes de implementar uma visão multidimensional de negócios com dados históricos; tendências e dados sociais; regras complexas e análises preditivas.

Aumentando o ensino da ciência da computação nas escolas

A fim de cobrir as múltiplas dimensões em que a tecnologia toca, e transformar todas as funções de negócios, a formação de especialistas em tecnologias de amanhã tem de ser versátil e granular. A sala de aula é o lugar óbvio para começar.

Isso significa mais investimento em ciência da computação e melhor absorção desses tipos de assuntos, que devem estar no centro de qualquer discussão em torno da educação. Como o Brasil tem um claro déficit em mão de obra qualificada, a disponibilidade de talento certo é cada vez mais valorizada.

Preparar as pessoas para a força de trabalho já não é apenas formar profissionais para a indústria convencional. Aliás, a própria manufatura de hoje é diferente da de algum tempo atrás. Estamos em uma época em que codificar é também uma atividade industrial.

Da mesma forma a prestação de serviços também é a nova forma de produção em massa, na qual o talento humano é a matéria-prima principal.

O que isso significa para o sistema de educação do Brasil?

No novo ambiente dos negócios digitalizados, o domínio de linguagens de programação, como JavaScript, equivale ao domínio das línguas usadas na execução dos negócios.

Segundo pesquisa mundial conduzida pelo Gartner e apresentada durante o Symposium/ITxpo 2015, 65% dos CIOs globais acreditam que há uma crise de talentos no mundo e, surpreendentemente, pouca inovação na área. Esse fato, de acordo com CIOs brasileiros, é ainda pior no Brasil, onde 81% acreditam que a situação está perto de atingir proporções de crise.

Considerando-se que, no ambiente da inovação permanente, ou da "disrupção permanente", a massa global de profissionais encontra-se em nível semelhante, isto é, são todos novatos ou em vias de formação, o momento para o Brasil é reconhecer que este fato elimina parte de sua desvantagem competitiva. A hora é de aproveitar a janela de oportunidade e identificar as habilidades - e os treinamentos correspondentes - que melhor se adaptem às novas necessidades industriais e à nossa vocação de desenvolvimento.

*Matthew Gharegozlou é vice-presidente da Progress para a América Latina.

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