Unidades de negócios estão se tornando startups de tecnologia, dizem analistas

Por Redação | 08.10.2014 às 17:55

O investimento anual em Tecnologia da Informação (TI) em todo o mundo deve ultrapassar a marca de US$ 3,9 trilhões em 2015, um aumento 3,9% superior a este ano. E muito dessa alta se deve à indústria digital, segundo a empresa Gartner Inc., especializada em consultoria no setor. Os analistas acreditam que isso está fazendo com que cada unidade de negócios comece a se tornar uma potencial startup de tecnologia.

Desde 2013, o que se vê é um aumento expressivo da indústria de TI, com 650 mil novos objetos físicos catalogados online para venda. As impressoras 3D se tornaram um mercado de bilhões de dólares, dez por centro dos automóveis já estão conectados e o número de cargos de chefia para escritórios digitais e de banco de dados duplicou. E a projeção é de que em 2015, tudo isso dobre novamente.

O vice-presidente e chefe de pesquisa global da Gartner, Peter Sondergaard, explicou durante simpósio da empresa que essas mudanças devem ser permanentes. Um novo modelo de negócios digitais vem mesclando os mundos físico e virtual, alternando os processos das indústrias por meio da Internet das Coisas.

"Este ano, as companhias gastarão mais de 10 bilhões para criar, implementar e operar a Internet das Coisas", comenta. "Cada pedaço de equipamento, qualquer coisa de valor, terá sensores embutidos. Isso significa que as principais empresas de bens terão mais de meio milhão de objetos com endereços IP em 2020".

Para Sondergaard, isso resultará em mudança de demanda e controle fora do ambiente de TI e mais próxima das unidades de negócios digitais, junto aos clientes. "Trinta e oito por cento do total gasto em TI já estão fora do ambiente de TI, em quantidade desproporcional no setor digital. Em 2017, esse valor será de 50%", projeta. "As startups digitais estarão em sua organização no departamento de marketing, nos Recursos Humanos, na logística e nas vendas. As unidades de negócios estão atuando como startups de tecnologia".

O Gartner estima que 50% de toda a venda de tecnologia vêm sendo comercializados diretamente por meio das unidades de negócios, e não de departamentos de TI. Milhões de vendedores e centenas de revendas e parceiros estão procurando pelo fluxo de dinheiro que vem do mundo digital e estão encontrando demanda.

Uma das soluções para este panorama, de acordo com a Gartner, é o modelo bimodal de TI, que preenche esse espaço digital entre o que a TI oferece e o que a empresa realmente necessita. O Modo 1 é tradicional, e os sistemas que o suportam precisam ser confiáveis, previsíveis e seguros, como toda grande organização de TI. Já o Modo 2 é não-sequencial, com foco na agilidade e velocidade, a exemplo de uma startup, já que que uma interrupção pode ocorrer a qualquer momento.

Como exemplo, Sondergaard usou máquinas inteligentes para destacar o desemembramento do negócio digital. Máquinas inteligentes são uma "super classe" emergente de tecnologia, que executam vários trabalhos, tanto físicos quanto intelectuais. Aqueles computadores de escolas que vêm avaliando testes de múltipla escolha já há anos agora começam a analisar ensaios e questões não-estruturadas.

"Esta não é o tipo de avaliação mais precisa, mas os estudantes estão tendo que trabalhar mais para que seus ensaios sejam bem cotados por uma máquina inteligente", diz o pesquisador. "Outras tarefas profissionais não estão muito longe disso: as análises financeiras, os diagnósticos médicos e os empregos de análises de dados sofrerão esse impacto. O conhecimento do trabalho será automatizado", acredita.

Nessa previsão, os pequenos robôs inteligentes não estarão somente nas fábricas e em funções exclusivamente físicas, mas também nos locais de trabalho e nos lares. As máquinas inteligentes poderão automatizar decisões. Desta forma, elas não somente afetarão as tarefas físicas mas também as atividades baseadas em conhecimentos complexos.

O Gartner também projeta que os negócios digitais vão impactar os trabalhos de diferentes maneiras. Em 2018, este setor vai exigir 50% menos trabalhadores em processos de negócios. Por outro lado, irá impulsionar um aumento de 500% nos trabalhos digitais.

Baseado nessas projeções, Sondergaard enumerou algumas das habilidades necessárias para o novo cenário. Para o atual momento, os gerentes de TI (CIOs) devem procurar por recursos móveis, informações científicas e dados sobre experiência do usuário. Num futuro próximo, a busca será por máquinas inteligentes, incluindo a Internet das Coisas, robótica, tomadas de decisões automatizadas e conceitos sobre ética.

Já daqui a 17 anos, os novos cargos especializados que devem surgir são o de Especialista de Integração, Arquiteto de Negócios Digitais, Analista de Regulamentação e Profissional de Risco.

"As novas startups digitais nas unidades de negócios estão sedentas por analistas de dados, desenvolvedores de softwares e equipe de gerenciamento de venda de computação em nuvem, e essas ofertas estão sendo preenchidas mais rapidamente do que os tradicionais cargos de TI. Elas podem estar experimentando com máquinas inteligentes, procurando por uma expertise em tecnologia que a TI não tem", explica Sondergaard.

"Você precisa construir talento para a organização digital de 2020 a partir de já. Não apenas a organização de tecnologia digital, mas toda a companhia. O talento é a chave para a liderança digital".

O Gartner Symposium/Itxpo é uma das reuniões mais importantes de CIOs e executivos seniores de TI em todo o mundo. O evento é itinerante e acontece no Brasil, em São Paulo, entre os próximos dias 27 e 30. Para saber mais, clique neste link.

Fonte: http://www.gartner.com/newsroom/id/2865519