Equilíbrio entre gêneros na indústria de TI piora: 5 homens para cada mulher

Por Redação | 10 de Julho de 2014 às 10h05

Uma pesquisa realizada no mercado de tecnologia da informação australiano refletiu uma realidade existente em praticamente todo o mundo: é cada vez menor o número de mulheres trabalhando nesse segmento. De acordo com os dados publicados pela Greythorn, uma empresa especializada em RH, o mercado conta com uma mulher para cada cinco homens.

Esse número, que já é bastante pequeno, é resultado de uma redução de 27% no equilíbrio entre os gêneros, uma queda que vem acontecendo desde 2010. Na Austrália, 84% dos trabalhadores no segmento de TI são homens, contra apenas 16% de mulheres. E a expectativa é que a redução continue a acontecer no mesmo ritmo, inclusive.

Para os especialistas da Greythorn, o problema está na educação. Não apenas no ensino de TI, mas também na cultura de empresas e instituições de aprendizado, que dificilmente educam as mulheres para verem o mercado de tecnologia da informação como uma boa opção de carreira, assim como diversas outras.

Segundo as informações publicadas pelo site CIO, trata-se de um paradoxo. O setor é um dos mais bem pagos e reconhecidos internacionalmente de forma positiva, já que se torna uma necessidade cada vez maior dentro da estrutura de qualquer corporação que queira crescer. Dessa forma, cresce também o mercado e as oportunidades para esse tipo de profissional, mas o sexo feminino parece estar cada vez mais fora desse segmento.

O próprio veículo fez uma entrevista com uma formanda de TI, que preferiu não se identificar. Nas palavras da entrevistada, durante os aconselhamentos de carreira realizados no ensino médio, ela foi instruída a seguir por opções mais “tradicionais” como enfermagem ou ensino, já que o mercado de TI seria muito “difícil” para as mulheres.

Apesar de apontar esse como o principal problema para essa disparidade, a Greythorn também reconhece a existência de um grande abismo entre os níveis de salário para empregados dos sexos masculino ou feminino. Dos 2,9 mil participantes da pesquisa, 56% disseram acreditar ou já ter visto a existência de diferenças de salário entre homens e mulheres do mesmo nível dentro de uma empresa.

Por causa de elementos como esse, aponta a pesquisa, as especialistas em TI do sexo feminino estariam realizando mais trabalhos baseados em contrato ou com expedientes de meio período, preferindo horários mais flexíveis e a possibilidade de prestar serviços remotamente.

Por fim, a Greythorn aponta ainda um problema na forma como os anúncios de emprego são escritos, privilegiando o salário e a possibilidade de viajar, fatores que, segundo o estudo, são mais buscados pelos homens. Para as mulheres, um horário de trabalho diferenciado e benefícios como seguro maternidade, por exemplo, são mais importantes, mas eles acabam não sendo citados nas descrições de vaga, afastando possíveis candidatas.

A dica da consultoria é que as empresas revejam seus sistemas de contratação e prospecção de candidatos da mesma forma que analisam seus procedimentos internos no caso de quedas nas vendas ou lucros. Assim, será possível trabalhar em um aumento na igualdade do mercado de TI e na presença de mais mulheres especialistas nesse setor.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.