Otimizando o ciclo de vida dos dados para promover a inovação

Por Colaborador externo | 01 de Julho de 2013 às 10h40

* Frederico Mussi

Muitos CIOs reportam as constantes restrições orçamentárias que enfrentam e a consequente falta de dinheiro para investimento em inovações. Atualmente, alguns associam inovação ao desenvolvimento do potencial oferecido pelo uso da computação móvel, das mídias sociais e das plataformas na “Nuvem”. Sem dinheiro, esses projetos têm que esperar. Como consequência, os executivos de TI repensam suas estratégias e arquiteturas de como prover suporte contínuo às áreas de negócios, sem comprometer os padrões de segurança requeridos. Mais de 70% dos orçamentos de TI são consumidos pelo gerenciamento e manutenção do ambiente da produção e dos sistemas legados.

As perguntas que os CIOs fazem, circulam em torno dos seguintes temas: “Como posso abrir espaço no meu orçamento para os projetos de inovação?”. E uma vez endereçada a parte orçamentária, vem a pergunta seguinte: “Como posso abrir espaço em meus data centers para novos projetos, quando esses já estão completamente abarrotados com os aplicativos e dados que já possuímos?”.

Naturalmente, esses executivos tendem a lançar um olhar duro e rápido para as áreas em que existem ineficiências dentro de suas próprias operações, a fim de encontrar as respostas. O crescimento constante do volume de dados e os desafios decorrentes do gerenciamento dos sistemas de armazenamento, servidores, bases de dados e aplicativos mostram-se desafios aparentes. Como passo seguinte, a boa prática procura identificar a existência de dados e aplicativos que são raramente acessados ou que não são necessários para suporte aos processos de negócio. Constatam que, para cada nova aplicação, são feitas, em média, oito cópias de um ambiente de produção, cópias essas “necessárias” para oferecer suporte às atividades de testes e de desenvolvimento. Cada um desses ambientes pode ter seu “backup” feito várias vezes e, muito provavelmente, estar replicado em um data center remoto para fins de recuperação em caso de desastre. Constata-se que um terabyte de dados produtivos pode requerer o consumo de dezenas de terabytes em armazenamento. Além disso, quando um aplicativo é lançado, os custos continuados de manutenção são com frequência negligenciados. Imagine, por exemplo, a chegada de uma nova equipe executiva, a criação de uma nova unidade de negócios, a modernização de sistemas e processos existentes ou um processo de fusão e aquisição. O resultado, em muitos dos casos, é o aparecimento de aplicativos redundantes ao cenário já existente. Agora, avalie essa situação e a multiplique pela quantidade de aplicativos rodando no data center ou na “Nuvem”, e terá o tamanho da oportunidade de melhoria a nossa frente.

Faz parte do ciclo de vida de uma aplicação, à medida que envelhecem, a mudança em seus “proprietários” e mantenedores. Processos implantados, que um dia foram considerados modernos, se tornam ineficientes. Habilidades técnicas que um dia foram abundantes estão em falta e são dispendiosas quando encontradas. Toda a infraestrutura requerida para manter esses aplicativos funcionando, com dados que não são mais necessários para a condução dos negócios, nem para fins de teste e desenvolvimento, aparece sob a forma de um “mal necessário”, que “deve ser mantido”, na maioria das vezes, para atendimento aos requerimentos legais ou regulatórios.

Como transformar esse cenário árido em uma fonte de recursos para a inovação?

Evite o Desnecessário

Ao longo do ciclo de vida de um aplicativo – desde o seu desenvolvimento, passando pela produção, até que seja retirado de serviço – existem muitas oportunidades para a implementação de medidas e processos pró-ativos para prevenir o acúmulo de dados desnecessários. Observamos que o desconhecimento por parte das equipes impactam as atividades de planejamento e estabelecimento das melhores práticas operacionais. Vejamos algumas:

Desenvolvimento: Com muita frequência, as equipes de desenvolvimento utilizam cópias completas dos dados de produção para servir aos propósitos de testes e desenvolvimento. Isso acarreta dois problemas: o primeiro é a exigência de uma infraestrutura de armazenamento e servidores, algumas vezes dedicada – normalmente considerada excessiva pelo gestor e insuficiente pelas equipes. O segundo refere-se à cópia de dados produtivos, que carrega consigo dados muitas vezes sensíveis e confidenciais (salários, volume de negócios com clientes, cartões de crédito, etc.), que ficam disponíveis nos ambientes adicionais, podendo ser acessados pelas equipes de desenvolvimento e testes, em alguns casos terceirizadas. A exposição de dados sensíveis de forma não controlada não é uma prática recomendada, podendo comprometer a segurança da informação e aumentando o risco operacional.

Recomenda-se estabelecer definições objetivas com relação às exigências, pelas equipes de desenvolvimento e testes, do conjunto de dados necessários a suas atividades, e que as bases de teste sejam criadas contendo somente os dados necessários à sua realização. A descaracterização de dados sensíveis também deve ser considerada nesse processo. Quando fornecedores ou consultores externos são envolvidos durante os ciclos de desenvolvimento e testes, os sistemas são, com frequência, deixados de lado depois que as equipes não estão mais alocadas ao projeto. Milhões de dólares em infraestrutura podem ser liberados para outros projetos se os controles e políticas de governança bem definidas forem aplicados sobre as cópias de teste e de desenvolvimento. Se possível, alavanque o uso de plataformas de teste baseadas na “Nuvem” que possam ser eliminadas depois que os testes forem concluídos.

Produção: Durante a fase de desenvolvimento do aplicativo, certifique-se de que os dados sejam classificados e que quaisquer exigências de retenção de dados sejam documentadas a partir da criação dos mesmos. Isso permitirá a capacidade de implementar um processo automatizado de fluxo de trabalho de arquivamento e expurgo, da produção, dos dados excedentes. Quando os dados são eliminados da produção, eles deixam de existir nas cópias de teste e de desenvolvimento, nos backups e nos ambientes replicados, diminuindo o impacto geral dos dados do aplicativo no custo de manutenção operacional e na performance de utilização dos sistemas.

Para os dados de produção que não sejam qualificados para arquivamento ou expurgo procure promover uma classificação dos dados segundo seu nível de utilização. Dados mais recentes, que demandam processamento imediato, e dados de maior grau de acesso e utilização para suportar as áreas de negócio, podem ser alocados em infraestrutura de servidores com maiores recursos computacionais e de processamento, e em sistemas de armazenamento mais rápidos. À medida que os dados envelhecem e passam a ter menor utilização, podem ser realocados para infraestruturas de menor desempenho e custo, sem prejuízo de sua utilização. Esse particionamento, realizado a partir da classificação dos dados, pode ser implementado nos principais sistemas, permitindo que os administradores dos servidores e sistemas de armazenamento sejam capazes de otimizar os recursos de infraestrutura, sem prejuízo da performance e da segurança.

Retirada de serviço: E, finalmente, sempre que um novo aplicativo for implementado, procure compreender a natureza dos sistemas que ele irá substituir. Retirar de serviço os aplicativos legados, liberando ou desativando a infraestrutura que o suporta, mas mantendo o requerimento de acesso aos dados para fins legais, é frequentemente um componente-chave para obter um maior retorno sobre o investimento (ROI) do novo aplicativo. No entanto, quando projetos de modernização de sistemas estouram o prazo previsto e o orçamento alocado, a retirada de serviço do aplicativo legado é adiada.

Em pesquisa elaborada pelo “Enterprise Strategy Group”, identificou-se que mais da metade das empresas consultadas alegou gastar US$ 500.000 / ano ou mais, em suporte a aplicativos legados. Pense em quanta inovação essa soma poderia financiar.

Os dados estão se acumulando nos data centers, tornando as ineficiências mais pronunciadas. Se considerarmos os novos projetos, que incluem dados provenientes dos dispositivos móveis, de mídias sociais e de aplicativos na “Nuvem”, grandes volumes serão introduzidos de forma composta ao já desafiador cenário.

Entender as oportunidades para otimizar o uso da infraestrutura de servidores e armazenamento, que suportam o processo de desenvolvimento e implementação dos sistemas, deve fazer parte da agenda dos executivos que buscam estimular e viabilizar a inovação, possibilitando a realização de todo o potencial existente em sua organização.

* Frederico Mussi é diretor de alianças da Informatica Corporation.

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