No novo ecossistema digital, o lema é: capacite-se!

Por Redação | 20 de Agosto de 2012 às 14h04

Marcos Hiller*

Eu moro sozinho. Quando chego em casa todas às noites vou comer alguma coisa, ligo minha televisão e faço log in no meu Facebook. Com um passe de mágica, não estou mais sozinho. Estou fazendo parte da vida e da intimidade de outras pessoas. Nesse momento, a solidão não existe mais. É o que acontece com boa parte das pessoas hoje em dia. Vivemos em um mundo hiperconectado. Vive-se rodeado por telas: a do smartphone, da TV, do iPod, do GPS, do iPad, do relógio. E a tendência é que tudo isso se torne uma única tela, pelo menos quando estamos em casa. Na minha, por exemplo, já tenho a Apple TV (pela qual paguei 99 dólares), que me permite acessar YouTube e ver fotos do celular por meio da tela da TV de 40 polegadas. Genial!

Um grande pesquisador contemporâneo, Nestór Garcia Canclini, diz que nas redes sociais evidencia-se até mesmo fenômenos de autismo e desconexão social, devido às pessoas preferirem antes ficar na frente da tela do que relacionar-se com interlocutores em lugares fisicamente localizados. Sou obrigado a concordar carinhosamente com o pensador argentino. E é exatamente assim que nos comportamos às vezes. Quando saio para jantar com minha namorada, a primeira coisa que ela faz é pedir meu celular e guardar na bolsa dela, porque senão eu não interajo e não curto aquele momento, diz ela. E está coberta de razão! Eu dou meu celular a ela gentilmente (com o modo silencioso devidamente ativado). Ela diz que eu tenho mania de dar check-in no Foursquare em tudo que é canto, na rua, no Starbucks, na padaria, e até na casinha do cachorro. Check in no Ráscal é bacana. Mas check-in no Habib’s, não é. Check in no novo Shopping JK Iguatemi, show de bola. No Shopping Metrô Itaquera, nem pensar! A sensação é que as pessoas gostam de demarcar território apenas em lugares chiques. No aeroporto é cool, o cara é viajado. Na rodoviária, não! Ele é classe C. Será que é assim que funciona?

Os celulares nasceram, comercialmente falando, aqui no Brasil, há cerca de 15 anos e eram gigantes, pesados e feios. Com o tempo, foram reduzindo de tamanho e ficando mais finos. Curiosamente, estão voltando a crescer de novo, com telas cada vez maiores e mais nítidas. Senhores engenheiros e designers, o limite é o tamanho do bolso da minha calça jeans, ok? Os celulares colam a nosso corpo como um elemento a mais de nossa indumentária. A corporabilidade abriga as novas tecnologias. O fato de eu estar conectado o tempo todo não significa que estou interagindo o tempo todo. Conectividade não é sinônimo de interatividade. E nesse universo, muito mais importante do que estarmos simplesmente presentes nas atraentes e viciantes redes sociais, é preciso saber o que fazer lá, saber estar presente de forma relevante e coerente. Muitos autores importantes se debruçam em todas essas questões. Temos que criar uma estratégia de como se comportar nessa nova arena online, nesse novo ecossistema digital. Por mais que sejamos atores-sociais, não dá para separar mundo online do mundo offline. Afinal, somos um só!

Redes Sociais é um assunto novo, magnético e muito fértil. Atrai gente de todo tipo. No meu email chegam dezenas de mensagens diariamente me convidando para eventos, cursos, palestras, simpósios, oficinas e lançamento de livros sobre mundo digital, redes sociais e afins. Confesso que deleto a maioria sem abrir, pelo simples motivo de não conseguir decodificar esse excesso de conteúdos. Tem muita gente surfando nessa onda. Gente boa e gente ruim. Cabe a nós sermos criteriosos ao extremo e olharmos a fundo quem está dando o curso, quem é blogueiro, quem assina o videocast. A internet permite que as pessoas escrevam o que quiser. Take care!

Sherry Turkle

Sherry Turkle, pesquisadora do MIT

Analise a bagagem acadêmica de quem você lê, de quem você assiste, de quem você ouve. Leia bons livros, procure autores com “pedigree”, e não simples aventureiros do Facebook. Quer dicas de bons autores? Então vamos lá! Afinal tem muito gente fera no mundo debruçada em enteder a fundo todas essas questões: Sherry Turkle, pesquisadora do MIT, escreveu “Alone Together” e “Life on the Screen” (assista-a no TED Talks e veja com que lucidez ela analisa o impacto dessas novas tecnologias na vida das pessoas). Erick Felinto é um super pesquisador da UERJ que estuda a cibercultura. Dê uma olhada no grupo Socio Tramas, formado por pesquisadores do Mestrado da PUC e liderado pela diva da semiótica Lucia Santaella. Conheça o blog de Seth Godin, um dos maiores pensadores de marketing da contemporaneidade (acesse aqui e assine para receber a inspiradora newsletter que ele manda todo dia no nosso email)

Quer se capacitar? Então procure bom cursos, com um corpo docente com excelente bagagem acadêmica e com o pé no mercado digital. O repertório teórico precisa ser contundente, conter cases de mercado e visitas técnicas programadas em agências digitais e de publicidade. No cardápio de disciplinas, alguns temas mais ligados a ciências sociais como Sociologia e Antropologia do Consumo, Semiótica e Pós-Modernidade; outros mais técnicos do mundo web: Redação Web, Google Analytics, SEO/SEM. E ainda assuntos ainda mais avançados como: Gestão de Reputação de Marca, Guerrilha Digital, Ativação de Eventos com foco em digital. Nessa área, onde a velocidade é supersônica, é importante estar sempre atento aos avanços dos temas, discussões e inovações técnicas e tecnológicas.

*Marcos Hiller é coordenador do MBA em Marketing, Consumo e Mídia Online da Trevisan Escola de Negócios

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