Caso de sucesso: na HP, trabalho remoto é opção para a maioria dos funcionários

Por Igor Lopes | 29 de Setembro de 2012 às 01h18

Em San José, Costa Rica *

Que tal trabalhar em casa, não ter que enfrentar o trânsito diariamente, fazer o seu próprio horário e ainda reservar um tempo para sua vida pessoal? Para muitos, essa realidade é bem distante - ainda mais em países como o Brasil, onde a relação interpessoal é característica marcante da nossa cultura. Mas a verdade é que cada vez mais empresas descobrem os benefícios do home office: gastam menos com instalações (aluguel ou construção de espaço físico, energia elétrica, alimentação etc), ganham em produtividade (já que o funcionário tende a se empenhar mais ao ter uma maior liberdade para trabalhar da maneira que melhor lhe convém) e ainda colaboram com o meio ambiente (afinal, seus funcionários não precisam emitir toneladas de CO2 ao dirigir seus carros até o escritório todos os dias).

Uma pesquisa da Telework Research Network mostra que 86% das pessoas sonham com a possibilidade de, um dia, poder trabalhar de casa. E, dentre as corporações listadas na Fortune 500, 66% acreditam que terão escritórios virtuais nos próximos 5 anos. No entanto, outro estudo recente da OnlineDegrees.com aponta que o mundo real apresenta números bem mais modestos: nos EUA, 33% das empresas permitem algum tipo de trabalho remoto e 10% dos norte-americanos o praticam pelo menos uma vez por semana. Mas a HP, uma das principais empresas de tecnologia do mundo, identificou essa tendência e aplicou-a muito antes desse hype, ainda na década de 1960. Desde então, seus funcionários (atualmente, quase 350 mil colaboradores) têm a possibilidade de trabalhar remotamente, estejam eles em casa ou em qualquer um dos escritórios da empresa, espalhados por mais de 170 países. Hoje, a oportunidade do teletrabalho é oferecida a quase todos os seus empregados (inclusive no Brasil) e o método parece funcionar muito bem. Afinal, a companhia não lideraria o mercado de PCs por décadas e nem ostentaria o titulo de 11a. marca mais valiosa do mundo se a estratégia utilizada por ela estivesse seguindo caminhos tortuosos.

HP Costa Rica

Um dos seis prédios-sede da HP na Costa Rica (Foto: Igor Lopes/Canaltech)

Aqui na Costa Rica, a empresa é referência no que diz respeito a trabalho remoto. Dos 7500 trabalhadores, 2000 optaram pelo esquema home office. Os outros 5500 compartilham 1500 baias, distribuídas por seis prédios. "Muitos deles vêm à empresa uma, duas vezes por semana, por isso, não existem espaços fixos definidos para nossos colaboradores", explica Maria Luisa Gonzalez, gerente de Recursos Humanos da HP para a América Central. "Além disso, o fato de incentivarmos o home office nos permite buscar talentos em todo o planeta: as pessoas podem responder a um chefe de equipe na Costa Rica, mas ajudar no desenvolvimento do produto mesmo estando na Austrália", completa.

HP Costa Rica

Espaço de trabalho compartilhado na HP Costa Rica (Foto: Igor Lopes/Canaltech)

Geração Y

"Fazemos trabalho remoto porque os funcionários preferem assim", explica Maria Luisa. E foi ao entender o comportamento e satisfazer as necessidades dos seus colaboradores que a HP atingiu índices muito satisfatórios de comprometimento. Em 2012, a rotatividade da empresa na Costa Rica deve ser de apenas 11,3% (contra 14,9% em 2011 e 25% em 2010). E não são altos salários que prendem os funcionários à companhia: os vencimentos estão na média do mercado. Essa redução na rotatividade, que garante uma maior fluidez dos projetos desenvolvidos aqui, tem mais a ver com algumas estratégias implementadas recentemente, focadas principalmente na geração Y. "Nós identificamos que essa turma não gosta muito de ler. Por isso, resolvemos transmitir os avisos e as notícias institucionais em forma de foto e vídeo. Os painéis de comunicação são todos ilustrados. Também utilizamos gráficos para mostrar alguns avanços e números da empresa", conta Maria Luisa. Outra estratégia adotada foi a mudança de cargos do funcionário dentro da própria corporação - uma maneira de satisfazer a constante inquietação dessa nova geração. "O desenvolvimento de suas carreiras é o motor que os impulsiona. E, ao sairmos da promessa e efetivamente oferecermos novos degraus, muitos empregados se empolgam com os novos desafios e se dedicam cada vez mais nessa busca pelo conhecimento".

O futuro

À frente da média do mercado no que diz respeito a trabalho remoto, a HP já começa a identificar um novo comportamento entre os seus funcionários mais novos. "Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Estamos percebendo uma modificação no comportamento dos jovens da geração Y: ao contrário da geração anterior, eles parecem estar valorizando bastante o relacionamento 'face a face'. Gostam de vir à empresa, utilizar os espaços comuns, bater um papo na lanchonete com o colega de trabalho. Muitos deles passam mais de 8 horas diárias aqui, mesmo não tendo a obrigação de bater cartão. Acreditamos que isso acontece porque, basicamente, eles gostam do que fazem - e o ambiente de trabalho tornou-se um espaço não só de produção, mas também de socialização", completa Maria.

Gostou da forma como a empresa lida com seus funcionários? Acha que se identifica com essa filosofia de trabalho? Então, fique de olho nesta página. Quem sabe, em algum momento, não apareça uma posição que combine com sua formação?

* O jornalista viajou para a Costa Rica a convite da HP.

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