78% das mulheres não consideram seguir carreira em cibersegurança, alerta estudo

Por Jessica Pinheiro | 06 de Março de 2018 às 13h49

Apesar da constante luta por igualdade do gênero feminino no mercado de trabalho, é inegável que ainda assim existem mulheres ocupando posições importantes no mundo dos negócios, e, por tabela, servindo de inspiração para outras jovens.

Apesar disso, o segmento de segurança cibernética é inexplorado pelas mesmas, representando apenas 11% do total da força de trabalho no setor, segundo o estudo Beyond 11 Percent: A Study into Why Women are not Entering Cybersecurity, realizado pela Kaspersky Lab. A pesquisa visa revelar os motivos pelos quais a carreira de cibersegurança continua sendo um obstáculo para o público feminino.

É muito comum que ocorra o seguinte cenário com as mulheres que trabalham com segurança cibernética: elas se depararam com o fato de que são as únicas representantes do sexo feminino em uma sala repleta de homens. A pouca representatividade no setor pode ser um dos fatores para que a maioria decida não seguir uma carreira na área de TI, por exemplo.

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Outras razões também levam ao cenário atual

A ausência de mulheres no segmento, por sinal, pode gerar uma bola neve. De acordo com o Global Information Security Workforce Study, realizado pela (ISC)² e seu Centro de Educação e Segurança cibernética, 42% dos participantes concordam que é importante ter um alguém que lhe sirva de modelo em suas carreiras, e metade das mulheres prefere trabalhar em um ambiente com uma distribuição mais igualitária entre os sexos.

Stuart Madnick, professor de tecnologia da informação e fundador do MIT Interdisciplinary Consortium for Improving Critical Infrastructure Cybersecurity, comenta que, bem como o “relatório confirma, muitas vezes, as jovens não conhecem, não se sentem preparadas e não veem referências importantes que as motivem a trabalhar em cibersegurança”. Além disso, a pesquisa também revela que muitas mulheres desconhecem as habilidades que os empregadores buscam, e demonstram insegurança sobre possuírem os atributos certos para o cargo.

Quando perguntado por que decidiram não perseguir uma carreira na área de segurança cibernética, as mulheres foram mais propensas do que os homens ao afirmarem uma das seguintes opções: que não possuem experiência em codificação (57% vs. 43%), que não têm interesse em computação (52% vs. 39 %), que não têm conhecimento de cibersegurança (45% vs. 38%) e que não são suficientemente boas em matemática (38% vs. 25%).

Isto decorre do fato de que as empresas hoje em dia não buscam apenas por codificadores. Diversas outras habilidades são requisitadas como, por exemplo, pensamento crítico e resolução de problemas. Estes aspectos são cruciais na área, muito embora o lado técnico seja tão importante quanto.

Persistência, criatividade e colaboração são essenciais

Noushin Shabab, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab, reconhece que é uma das poucas mulheres que compõem o setor de segurança de TI. A moça, que se mudou do Irã para a Austrália para perseguir carreira na área de engenharia reversa, comenta: “Quando jovem era sempre fascinada por enigmas e jogos de tabuleiro, que se tornaram em amor por programação e, eventualmente, como uma carreira como pesquisadora de segurança. Trabalhando com outros especialistas na Equipe de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky Lab (GReAT), investigo ataques cibernéticos sofisticados e descubro APTs, campanhas de ciberespionagem, malwares importantes, ransomware e outras ameaças. O meu trabalho requer não só habilidades técnicas, mas também persistência, criatividade e colaboração para pensar de forma diferente e acompanhar os invasores mal-intencionados”.

De acordo com Shabab, a segurança de TI só precisa ser descoberta pelas mulheres, e então rapidamente será escolhida. A profissional se considera sortuda por tido esta percepção e agora, quer incentivar mais mulheres a seguir sua liderança. “Um componente interessante de ser uma pesquisadora de segurança é que, embora algumas pessoas enviem e recebam 100 e-mails por dia, posso proteger milhares delas de fraudes online o quanto antes. Além disso, o próprio fato de os hackers não trabalharem no horário normal, significa que meu papel é totalmente flexível. As pessoas podem me encontrar trabalhando em um laboratório, escritório, de casa ou mesmo do meu café favorito. Meu trabalho molda meu estilo de vida e me deixa constantemente pensando em novas formas de proteger pessoas ou empresas contra malware mal-intencionados – e eu adoro isso”, ela finaliza.

Existem formas de reverter as estatísticas

O estudo Beyond 11 Percent ainda aponta outra razão para que 78% das jovens nunca pensem na possibilidade seguir carreira nessa área: os estereótipos associados à cibersegurança. A terminologia é, infelizmente, muitas vezes associada ao perfil de “hackers”, “geeks” e “nerds”, geralmente com conotações negativas nas palavras.

Para reverter as estatísticas em relação às mulheres e a cibersegurança, a Kaspersky Lab apresenta algumas iniciativas para a indústria, tais como a Kaspersky Lab Academy, que auxilia na profissionalização e educação voltada para o setor de segurança. Além disso, existem programas que a empresa oferece que intensificam e valorizam características relevantes dos profissionais para a área.

A empresa de segurança russa possui mentes femininas trabalhando consigo, que desafiam o status quo ao se tornarem codificadoras, programadoras e pesquisadoras de segurança online. Desta forma, para encorajar e capacitar mais mulheres e jovens, a Kaspersky ainda reforçou seu apoio na mitigação da diferença de gênero, apoiando a primeira expedição euro-arábica, que levará apenas com mulheres ao Polo Norte.

A proposta é levar 11 mulheres, juntamente da exploradora Felicity Aston, em uma expedição de 10 dias na região, para que mostrem a todas as pessoas que, independente do gênero ou da origem, é possível alcançar coisas extraordinárias.

Fonte: Kaspersky Lab

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