CPBR9 – Especialistas falam sobre inovação e tendências tecnológicas no Brasil

Por Douglas Ciriaco | 29 de Janeiro de 2016 às 16h32

Na tarde desta sexta-feira (29), o palco Cross Space da Campus Party recebeu o debate entre três profissionais com uma grande vivência no mundo da tecnologia e da inovação tecnológica. Participaram da discussão o empreendedor serial e especialista em gerenciamento do tempo e produtividade Christian Barbosa, a head de conteúdo e engajamento da Artplan, um dos maiores grupos de comunicação do Brasil, Camila Gadelha e ainda o sócio-fundador da Outra Coisa, empresa especializada em experiência de usuário mobile, Marcelo Gluz.

Como o tema da discussão era futurologia, Camila Gadelha iniciou sua fala expondo duas maneiras que ela encontra de pensar o futuro. “Através da predileção de dados, usando dados e estatísticas, fazendo modelagem de dados”, defendeu. “Ou então ir por um outro lado, que não necessariamente é um contraponto, mas ser extremamente intuitivo. Observar, observar e observar, usar a sua experiência empírica para tentar modelar o que pode acontecer amanhã”.

Já para Marcelo Gluz, uma das vantagens de atuar no mercado brasileiro é a possibilidade de observar tendências iniciadas lá fora, especialmente no Vale do Silício, e que vão desembarcar aqui em breve. Para ele, esta seria uma terceira via de “prever” o futuro da tecnologia por aqui. “A futurologia no Brasil é pegar um avião, ir para o Vale do Silício e olhar o que está acontecendo lá”, comentou, ressaltando que este processo de importação acaba causando alterações para adaptar as novidades à realidade brasileira.

A tecnologia no Brasil

Tanto Marcelo Gluz quanto Christian Barbosa bateram forte na tecla de que as limitações impostas pela conjuntura, a falta de investimento e também pela burocracia no país são fatores que impedem o surgimento de tendências de inovação por aqui. “O Brasil, em termo de desenvolvimento de tecnologia está muito para trás”, decretou Barbosa. “O governo não ajuda, a gente não tem um ecossistema que ajude a fazer”.

Futurologia Campus Party

Debate sobre futurologia na CPBR 2016. (Foto: Reprodução/YouTube)

Por outro lado, Gadelha defendeu que é preciso olhar para a realidade brasileira e fomentar a criação e o desenvolvimento diante disso. “É complicado pensar em futurologia e tendência em um olhar extremamente norte-americano, anglo-saxão”, comentou. “A gente tem uma realidade no Brasil, um ecossistema de desenvolvedores, tecnólogos e gente realmente empenhada em construir um futuro aqui dentro e com um poder de observar a nossa natureza, a nossa cultura, de uma forma extremamente única”, prosseguiu, destacando ainda as peculiaridades da formação da cultura e da sociabilidade no Brasil, diferente daquelas vistas em países da Europa ou nos Estados Unidos.

Marcelo Gluz ponderou, sugerindo que, apesar de dificilmente o Brasil conseguir ditar tendências, o apelo aqui está na reinterpretação de algo que está acontecendo lá fora. “Raramente a gente vai conseguir fazer efetivamente uma inovação tecnológica”, defendeu. “O nosso tipo de inovação é uma inovação de usos e costumes de tecnologias que já aconteceram em algum lugar”.

O futuro

As tendências para o futuro apontadas pelos especialistas giram em torno do uso cada vez maior da inteligência artificial e também da realidade virtual, especialmente dado o envolvimento de grandes nomes da tecnologia nestes mercados. Enquanto Barbosa defende que será preciso pensar cada vez menos para encontrar aquilo que se busca, Gluz acredita que as interfaces gráficas devem ser modificadas à medida que os computadores passem a ser integrados ao córtex cerebral.

Pensando em relação aos temas que devem se tornar mais relevantes nos próximos anos, os debatedores citaram a mobilidade urbana e a saúde. Na opinião deles, tecnologias que apresentem soluções para estas áreas devem se proliferar — e render bastante dinheiro — em curto e médio prazo. Confira a conversa na íntegra clicando neste link.

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