#CPBR10: Não confie sempre nos dados, sugere co-fundador da Netflix

Por Rafael Romer | 03 de Fevereiro de 2017 às 15h41
photo_camera Leonardo Pavini

Decisões de negócio baseadas em dados parecem ser o novo consenso da indústria, que tem implementado cada vez mais ferramenta de Big Data e Analytics para orientar suas empresas com base em informações coletadas.

Um dos maiores exemplos modernos dessa filosofia é a própria Netflix, que usa atualmente uma série de algorítmos e dados coletados sobre seus assinantes para analisar qual o conteúdo preferido por usuários – que logo passam a orientar futuras produções originais da empresa.

Curiosamente, no entanto, para o co-fundador da Netflix e palestrante magistral da Campus Party Brasil nesta sexta-feira (03), Mitch Lowe, confiar cegamente nessa coleção de informaççoes pode não ser a decisão de negócio mais sábia para uma organização, sugerindo que empreendedores tenham um pouco de "ceticismo" ao encarar seus dados.

"Você precisa ser muito cético e muito desconfiado de muitos dados, especialmente da interpretação destes dados. É muito fácil fazer dados parecerem o que você quer ver", comentou o executivo. "Não confie apenas em uma fonte de dados, use três ou quatro fontes antes de agir".

Um dos exemplos práticos dessa mentalidade está na própria história da Netflix, que começou em 1998 como um serviço de entrega de filmes a domícilio com duas ideias simples: oferecer um catálogo maior do que o de lojas físicas e acabar com as irritantes taxas de devolução atrasada de redes como a BlockBuster.

Apesar do sucesso do negócio, que em 2002 chegou a enviar cerca de 190 mil filmes por dia aos mais de 650 mil assinantes, em 2007 a empresa anunciou que mudaria completamente o foco de seu negócio, pulando de cabeça no mercado de vídeo sob demanda.

Na contramão da concorrente Amazon Prime Vídeos, que focou na expansão de seu catálogo com uma grande quantidade de filmes de terceiros, a Netflix abandonou a ideia de um catálogo gigante e começou a apostar suas fichar em produções originais.

É claro, a decisão chateou alguns de seus usuários originais, que reclamaram da encolhida no número de filmes e séries de outras produtoras na Netflix. Mas com seus mais de 80 milhões de assinantes globais, em mais de 130 países, a empresa de streaming demostrou que a decisão arriscada valeu a pena.

"Esse é o equilíbrio mais difícil de se ter: inovação e manter o negócio seguro que você construiu", afirmou ao Canaltech. "O que eu acredito é que você precisa alocar uma quantidade de dinheiro para pessoas inteligentes e deixá-las explorar coisas sem as restições do negócio atual. Assim você ficará à frente da concorrência".

MoviePass

Desde que deixou a Netflix e, posterioremente, a direção da RedBox, empresa de aluguel de DVDs via máquinas automáticas, Lowe tem se dedicado à construção de uma nova Startup do setor de filmes.

Dessa vez, no entanto, o executivo está buscando transformar o negócio direto na fonte, com um novo serviço de "cinema sob demanda" que lembra muito sua experiência na Netflix. Apelidada de MoviePass, a empresa oferece hoje uma assinatura mensal de US$ 25 a usuário norte-americanos que garante acesso irrestrito à salas de cinema de algumas redes nos Estados Unidos – tudo controlado por aplicativo, é claro.

A companhia ainda é pequena e está "descobrindo seus clientes", segundo Lowe, mas já tem planos ambicioso de expansão. "Há uma semana fizemos uma negociação estratégica com uma companhia internacional que cria software para salas de cinema ao redor do mundo. Nós esperamos trabalhar com eles para levar o MoviePass para todos os lugares".