Nem PS4, nem Xbox One: 82% dos brasileiros preferem jogar games no celular

Por Caio Carvalho | 09.02.2015 às 09:37
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Os consoles de nova geração, como o PlayStation 4 e o Xbox One, já estão no mercado há pouco mais de um ano, inclusive aqui no Brasil. Mas, quando o assunto são plataformas de jogos eletrônicos, os brasileiros têm optado pelo tablet ou smartphone em vez de um aparelho de mesa. Este foi o resultado da Pesquisa Game Brasil 2015, divulgada na última quinta-feira (5) na Campus Party Brasil 2015, em São Paulo.

Os dados são das empresas Sioux e Blend New Research, que ouviram 909 pessoas, com idades entre 14 e 84 anos, de 25 estados e do Distrito Federal em janeiro deste ano. De acordo com o relatório, 82,1% dos usuários brasileiros jogam pelo celular. Aliás, os dispositivos móveis ultrapassaram a liderança que era dos computadores e notebooks, hoje com 71,3%, e dos consoles, que figuram em terceiro lugar com 56,2%. Na quarta posição aparecem os tablets, com 37,4% da preferência, seguidos pelas Smart TVs, com 6,1%. Este último revela um hábito curioso, uma vez que são poucos os jogos oferecidos exclusivamente para esse tipo de produto.

Segundo Guilherme Camargo, CEO da Sioux, e Lucas Pestalozzi, presidente da Blend New Research, a mobilidade é um dos principais fatores que tem contribuído para a popularização de games em tablets e smartphones. Isso acontece porque 86,2% do uso para jogos acontece em deslocamentos, como no trânsito ou em filas de espera, por exemplo.

Ainda no segmento mobile, o estudo revelou que os aplicativos mais baixados são jogos (78,1%), seguidos por outras formas de entretenimento (58%), fotografia (45,8%) e comunicação (45,1%). Toda semana, a frequência de jogos baixados em gadgets portáteis é de 33,5%, sendo que 91,2% dos consumidores têm o costume de baixar títulos em seus tablets - 38,4% todas as semanas.

Apesar de ser a plataforma dominante para jogos no Brasil, o mobile ainda enfrenta uma dificuldade que prejudica principalmente desenvolvedores de serviços para esse mercado. Camargo explicou que 75% das pessoas só fazem download de apps gratuitos e apenas 21% pagam por algum item, com uma média de gasto mensal de R$ 29,12. Para 57,3% dos entrevistados na pesquisa, "sempre existem outras opções gratuitas", o que, na visão desses usuários, não justifica gastar alguns reais na compra de um jogo.

No quesito sistemas operacionais, o Android lidera com 75,2%. Em segundo lugar vem o iOS, da Apple, com 11,1%, e Windows Phone, da Microsoft, em terceiro, com 7%. Quanto às marcas, Apple e Samsung aparecem praticamente empatadas na primeira posição com 33,6% e 33,2%, respectivamente. Nos tablets, o Android também é líder, com 78,8%, contra 16,4% do iPad. Já sobre a marca, o tablet da Maçã é o favorito, com 51,4%, enquanto os dispositivos da família Galaxy, da Samsung, figuram no segundo lugar com 35,7%.

Girl power

Videogames

Quebrando o estigma de que "videogame é coisa de menino", as mulheres têm conquistado um espaço merecido na indústria de jogos no Brasil. Atualmente, elas representam quase metade dos gamers no país, com 47,1% de participação em todas as plataformas - para efeito de comparação, em 2013, quando a primeira Pesquisa Game Brasil foi realizada, o público feminino era de 41%.

"É provável que em nosso próximo estudo as mulheres tenham ultrapassado os homens", comentou Camargo. Os homens aparecem um pouco à frente das mulheres, com 52,9%. As idades entre ambos os gêneros varia de 25 a 34 anos (41,1%).

Pais e filhos

Os jogos eletrônicos têm aproximado as famílias. Segundo o relatório, 82,1% das pessoas que responderam à pesquisa e disseram ter filhos disseram que costumam jogar ao mesmo tempo em que eles, e 90,6% afirmaram que seus filhos jogam games com frequência. A faixa etária dos pequenos varia até 5 anos (32,5%), 10 anos (30,3%), 15 anos (27,3%), 20 anos (17,7%) ou acima dos 20 anos (11,5%).

Outro dado destacado pela pesquisa é sobre os pais serem contra ou a favor de que seus filhos joguem videogame. A maioria (71,2%) disse aprovar esse hábito, mas com ressalvas, enquanto 16,3% são totalmente a favor e 6,6% são indiferentes. Outros 6,6% não gostam da atividade, mas deixam seus filhos jogarem mesmo assim, e nenhum dos entrevistados disse ser contra. “Os gamers dos anos 80 já constituem família, de modo que a cultura de jogos eletrônicos entra de maneira natural na criação dos filhos, sem o medo ou preconceito da geração dos seus pais”, afirmou Camargo.

Dos pais, 61,8% controlam o que seus filhos estão baixando ou jogando, e 48,9% controlam o tempo em que as crianças ou adolescentes ficam na frente da tela da TV ou do tablet e smartphone. Outros 35,1% controlam o horário em que eles podem acessar esses dispositivos e 21,9% ficam de olho nas companhias dos filhos. O estudo constatou que 14,4% dos pais não monitoram qualquer atividade dos filhos relacionada aos videogames.

Consoles de mesa

Videogames

Desde que iniciou a fabricação local de videogames, a Microsoft viu sua participação crescer no mercado brasileiro. Tanto é que o Xbox 360 ainda é o console mais popular no país, com 42,9% da preferência dos jogadores. O aparelho está à frente de concorrentes como o PlayStation 2 (38,9%) e PlayStation 3 (30,3%). Entre as máquinas de nova geração, o PlayStation 4, mesmo sendo o item mais caro, lidera com 10,4%, seguido do Xbox One (7%) e do Wii U (2,2%). Segundo a pesquisa, o gamer brasileiro possui mais de um console em casa.

A maioria (63,9%) dos entrevistados pela pesquisa disse ter adquirido seu videogame no varejo oficial, contra 17,2% daqueles que compraram em mercados paralelos de usados e sites de leilões e 14% em viagens para outros países. Embora os valores praticados por aqui sejam bastante altos comparados a outros locais do globo, 71,2% dos consumidores preferem adquirir o produto em lojas oficiais por causa da garantia. Além disso, 98% daqueles que compraram fora do país disseram que o principal motivo é o preço, e 2% pela disponibilidade imediata de lançamentos, tanto física quanto digital.

Falando nisso, os jogos em caixinha vendidos em estabelecimentos físicos ainda são a preferência nacional, com 52,7%, seguidos pela mídia digital (33,3%) vendida em lojas online e em terceiro (7,6%) pelas redes online Xbox Live e PlayStation Network. A questão do preço também é determinante na hora de adquirir um jogo: 77,9% dos usuários dizem comprar títulos usados por causa do preço e outros 16% optam por esse método como moeda de troca na aquisição de um novo game.

Localização

O maior público de jogos no Brasil está concentrado no Estado de São Paulo, com 37,7% dos respondentes, seguido pelo Rio de Janeiro (9,2%) e Minas Gerais (9%). As classes C e D são as mais ativas, com 43% e 25%, respectivamente. Sobre os gêneros favoritos dos usuários, 32,8% preferem jogos de ação/tiro, 26,9% gostam de aventura, 17,4% de futebol e 13,5% títulos com temática de corrida.

Para 30,1% do público do estudo, Grand Theft Auto V foi o melhor lançamento de 2014, levando em consideração fatores como preço, disponibilidade, localização e jogabilidade. Em segundo lugar aparece FIFA 15, com 23,9% da preferência. Já a marca favorita entre os brasileiros é o PlayStation, da Sony, com 53,4%, seguido pelo Xbox, com 43,5%, e da Nintendo, com 3,1%.

Perguntados sobre o que acham da qualidade de jogos dublados para o português do Brasil, 40% dos entrevistados disseram que a localização nacional é regular, enquanto 36,1% disseram ser boa e 17,1% excelente. Ou seja, para a maioria dos jogadores brasileiros, as vozes traduzidas para o nosso idioma ainda precisam melhorar (e muito).

PC

Videogames

Os computadores ainda representam uma boa parcela do mercado de jogos no Brasil. O Windows 7 lidera como o sistema operacional mais popular para esse tipo de atividade, com 44,2%. Logo atrás vem o Windows 8, com 33,9%, e o Windows XP, com 16,4%.

Contudo, a maior parte (90,6%) dos usuários só usa a tela normal do computador para jogar em vez de plugar outros monitores para uma experiência mais imersiva. Além disso, a grande maioria (60,1%) usa o notebook para rodar seus jogos, contra 27,7% do desktop e 12,2% daqueles que jogam nas duas plataformas. Quem joga no PC prefere comprar títulos pela internet (40,1%), seguido por lojas físicas (34,1%), microtransações dentro do próprio jogo (11,2%) e pelo Steam (7%), que tem crescido entre a comunidade gamer brasileira.

Na hora de rodar um game no computador, 40,4% dos entrevistados disseram ser importante ter uma boa placa de vídeo e outros 38,6% um processador que garanta um bom desempenho. Outros 11,2% destacaram a memória e 7,6% a velocidade e conexão com a internet.