Na Campus Party, professor ensina língua dos elfos de 'O Senhor dos Anéis'

Por Caio Carvalho | 09 de Fevereiro de 2015 às 12h53
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Se aprender outro idioma já exige estudo e dedicação, o que dizer sobre o "quenya", uma das línguas faladas pelos elfos da série "O Senhor dos Anéis"? Este era o desafio proposto por um workshop na Campus Party 2015, que trouxe um professor especializado na linguagem para ensiná-la aos visitantes da oitava edição do maior evento de tecnologia do Brasil.

Produzido pela escola de idiomas Wizard, o projeto foi lecionado por Pedro Henrique Bernadinelli, de 20 anos, que precisou ministrar as aulas no palco Sol, um dos maiores da feira, tamanha foi a procura pela aula do idioma élfico inventado pelo escritor e linguista J.R.R. Tolkien (1892-1973). Cerca de 200 pessoas se reuniram para aprender a língua das criaturas místicas da cultura escandinava retratadas frequentemente em filmes, séries e obras literárias.

Fã de Tolkien e nerd assumido, Bernadinelli, que atualmente estuda Física, começou a estudar o quenya ainda no Ensino Médio, após ler "Contos Inacabados", uma das obras mais importantes do autor sul-africano sobre a Terra Média, região fictícia onde são retratadas as histórias contadas por ele. O estudante também faz parte do Conselho Branco de São Paulo, uma comunidade que reúne entusiastas das aventuras épicas que envolvem o Um Anel.

"É uma língua muito poética, mas não usamos para conversar fluentemente", explicou Bernadinelli. Segundo o professor, o idioma é mais utilizado para traduções de poemas e frases por ter um aprendizado difícil, com conjugações verbais, plural e pronúncia de palavras com muito mais detalhes do que a língua portuguesa, considerada um dos idiomas mais complexos do mundo. Pela dificuldade, o quenya possui até um teclado alfabético élfico, o Tengmar.

Pedro Henrique Bernadinelli

Pedro Henrique Bernadinelli durante palestra na Campus Party. (Foto: Divulgação/Daniel Nascimento/Campus Party)

Bernadinelli também lembrou que o quenya é apenas uma das variáveis élficas criadas por Tolkien, uma vez que o élfico possui até dez classes diferentes de idiomas, e é a mesma língua falada por Galadriel, uma das líderes mais importantes do reino dos elfos - nos cinemas, ela ganhou vida pela atriz Cate Blanchett. A vertente mais conhecida é o Sindarin, falado pelo personagem Legolas. Além das línguas dos elfos, existem os idiomas das divindades Valar, com aproximadamente 20 palavras, e a dos Ents, árvores com milhares de anos que guardam as florestas da Terra Média.

Uma das leituras mais famosas já feitas em quenya vem do próprio Tolkien. Na década de 1950, o autor leu "Namárie" (Adeus), também conhecido como "O Lamento de Galadriel". Os versos foram escritos antes do primeiro livro da trilogia do anel. Ouça:

Abaixo, veja o poema original escrito em quenya. Assim você pode treinar sua leitura usando o idioma:

Ai! laurië lantar lassi súrinen,
yéni únótimë ve rámar aldaron!
Yéni ve lintë yuldar avánier
mi oromardi lissë-miruvóreva
Andúnë pella, Vardo tellumar
nu luini yassen tintilar i eleni
ómaryo airetári-lírinen.

Sí man i yulma nin enquantuva?

An sí Tintallë Varda Oiolossëo
ve fanyar máryat Elentári ortanë
ar ilyë tier undulávë lumbulë
ar sindanóriello caita mornië
i falmalinnar imbë met,
ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
Nai elyë hiruva! Namárië!

E aqui a tradução aproximada do poema para o português:

Ah! Como ouro caem as folhas ao vento,
Longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Os longos anos se passaram como goles rápidos do doce hidromel
Em salões altos além do oeste,
Sob as abóbadas azuis de Varda
Onde as estrelas tremem na canção
De sua voz de Santa e Rainha.

Quem agora há de encher-me a taça outra vez?

Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
do Monte Semprebranco, ergueu suas mãos como nuvens
E todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
E de uma terra cinzenta a escuridão se deita
sobre as ondas espumantes entre nós
E a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar.
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!

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