Egomnia, plataforma do "Zuckerberg italiano", chegará primeiro ao Brasil

Por Rafael Romer | 06.02.2015 às 14:44 - atualizado em 18.02.2015 às 16:37

Em março de 2012, o empreendedor Matteo Achilli foi catapultado do até então reconhecimento apenas na Itália para uma sensação internacional após sair na capa da revista italiana Panorama Economy, apelidado de "O Zuckerberg Italiano". A publicação criou um hype gigantesco ao redor da rede social Egomnia criada pelo jovem, agora com 22 anos, e o ajudou consideravelmente a expandir os planos da Itália para o restante do mundo.

Apesar da comparação de Achilli com o criador do Facebook, a plataforma desenvolvida pelo italiano se aproxima mais de um rede social corporativa aos moldes do LinkedIn do que à plataforma de Mark. A ideia é simples: colocar pessoas procurando emprego e empresas em contato uns com os outros através de algoritmos que analisam o que cada um busca e o que tem a oferecer para criar um ranking de combinações ideais. Com índices de desemprego girando ao redor de 13%, a ideia foi um sucesso na Itália e teve cerca de 15 mil inscritos em um mês.

Nesta quinta-feira (5), Achilli subiu ao palco principal da oitava edição da Campus Party Brasil para compartilhar com campuseiros mais da experiência que transformou sua vida nos últimos dois anos. De acordo com o empreendedor, a ideia para o site Egomnia veio após sua decisão de usar um ranking das melhores instituições na Itália para ajudá-lo na decisão de qual universidade escolher.

"Um dos meus colegas chegou na sala de aula com um documento rankeando as melhores universidades da Itália, e eu os demais alunos fomos influenciados por isso", contou. "Eu queria estudar Economia e vi que na primeira posição estava a Universidade de Bocconi, foi quando decidi estudar lá. Nesse momento tive a ideia e resolvi chamá-la de Egomnia".

Para começar o desenvolvimento da ideia, Achilli precisou pegar € 10 mil emprestado com o próprio pai, que o jovem considera seu primeiro investidor anjo. "A situação na Itália é bem difícil, nós não temos um ecossistema de startups, incubadoras, investidores", afirmou Achilli em entrevista ao Canaltech antes de sua apresentação. "Quando eu comecei o Egomnia, entre 2011 e 2012, ninguém conhecia a palavra startup na Itália". Segundo ele, o empréstimo familiar acabou se tornando algo positivo, já que o empreendedor hoje é dono de 100% do seu negócio.

Assim como aconteceu com o Facebook, Achilli começou divulgar o Egomnia para estudantes da universidade, ao mesmo tempo que passou a contactar empresas para também se juntarem ao site. O site começou a se tornar conhecido e logo chegou aos ouvidos de um dos diretores da universidade, que veiculou uma matéria em um jornal italiano que acabou viralizando. "Em menos de um dia nós já tinhamos mil inscritos e cerca de 25 empresas", disse. "E era um domingo".

Dois anos depois, a plataforma já agrega cerca de 400 mil inscritos e 900 companhias, entre elas, empresas como a Microsoft e a operadora Vodafone. O site ainda só está disponível na Itália, mas o lançamento internacional deve acontecer em março deste ano. Ao Canaltech, Matteo afirmou que a atenção da mídia internacional que recebeu após a matéria da Panorama e após a BBC tê-lo incluído no documentário "Os Próximos Bilionários" acabou colocando-o em contato com múltiplos investidores para fechar acordos com grandes empresas, o que fez com que ele decidisse empurrar o lançamento oficial da plataforma de outubro do ano passado para este ano.

O primeiro escritório fora da Itália está previsto para ser aberto em São Paulo, onde Achilli afirma que já tem um diretor local para a equipe. O site também deverá receber uma versão em português para usuários brasileiros – 30 mil brasileiros já pediram para se inscrever no site, mesmo sem o lançamento oficial por aqui, que deve ocorrer em março. O outro país a receber o Egomnia em seguida será Cingapura.

A ideia do empreendedor para lançar o site nesses dois países é mostrar que o Egomnia pode ser uma plataforma eficiente em realidades econômicas completamente diferentes: seja na Itália, com altos índices de desemprego e população com altos índices de ensino superior; no Brasil, com médio índice de desemprego, mas com falta de mão-de-obra especializada; ou em Cingapura, onde os índices de desemprego são muito baixos, mas as pessoas trocam de emprego muito mais frequentemente do que a média mundial. "Se eu mostrar para o mundo que o Egomnia é bom nesses três mercados, eu poderia dizer que o Egomnia é bom para todo o mundo", afirmou.