Campus Party: O investidor anjo é o homem certo para meu negócio?

Por Rafael Romer | 31 de Janeiro de 2014 às 17h57

Conforme o ecossistema de startups evolui no Brasil, outros braços deste mercado começam a ganhar espaço e relevância ao lado de investidores que tentam emplacar suas ideias e projetos. E parte importante desse cenário são os chamados investidores anjo, antigos empreendedores que deram certo e hoje utilizam seu capital e conhecimento para apostar em novos projetos.

E esse tipo de investidor foi assunto da palestra do fundador da associação Anjos do Brasil, Cassio Spina, na tarde desta sexta-feira (31), na Campus Party. "Investimento anjo é casamento com término previsto", definiu o executivo durante sua apresentação. De acordo com ele, o anjo é o investidor que ajuda e apoia um empreendedor sem interferir no modelo de negócio e com um propósito claro: ele quer apostar na ideia, mas quer ganhar dinheiro junto. Tradicionalmente, além do capital, investidores anjo entram com algum know-how e contatos para ajudar os empreendimentos aportados a evoluirem.

E para atrair esse tipo de aporte financeiro, é necessário que o empreendedor utilize algumas ferramentas para se destacar e se preparar o melhor possível para esse mercado altamente competitivo. Segundo o empreendedor, a primeira pergunta é justamente se esse é o tipo ideal de investidor para você. "Antes de achar o investidor, é preciso ver quais linhas de investimento existem para o seu negócio e encontrar aquela certa para o que você fazer", explica. Dependendo do estágio do seu negócio, amigos, família, aceleradora ou até crowdfunding podem ser opções melhores do que investidores anjo.

Para atingir esse tipo de investidor, também é importante se aproximar com algo para mostrar, não apenas com uma ideia. "É a fase do protótipo, do conceito, quando você já tem algo tangível para mostrar. Algo que mostre que você sabe fazer aquilo", afirma.

No Brasil, investidores anjo costumam aportar empresas com valores que podem ir de R$ 50 mil a R$ 500 mil, sem cobrar juros como em um empréstimo tradicional. Como contraparte, esses investidores esperam negócios que possam retornar esse investimento de maneira rápida e concreta. Por isso, é importante aproximar-se do anjo com negócios que sejam altamente escaláveis e que proporcionem boas oportunidades de lucro.

De acordo com Spina, empreendedores também podem procurar múltiplos anjos, mas é importante que ao menos um deles esteja focado na mesma área e setor no qual você atua. Um dos principais motivos de falha entre novos negócios é a falta de experiência do empreendedor na área com a qual ele pretende atuar – e é aí que entra a expertise dos anjos. "Um cara que entende pouco do seu negócio dificilmente vai investir e, principalmente, não vai te ajudar tanto quanto alguém do seu setor", explica.

O executivo sugere ainda que o empreendedor também procure balancear seu negócio com times que se complementem: alguém técnico deve procurar algum parceiro da área de negócios, e vice-versa, de forma que a equipe mantenha-se balanceada para enfrentar os desafios de evoluir após um investimento.

Evolução do ecossistema

A Anjos do Brasil promove atualmente encontros periódicos para capacitação de empreendedores que queiram se tornar investidores anjo, além de ter atualmente 11 diferentes grupos regionais que focam em empreendimentos locais em todo o país. "Investimento anjo não é uma novidade no Brasil, mas é feito em uma escala pequena", afirma o executivo.

Em entrevista ao Canaltech ao fim de sua apesentação, Cássio reconheceu que o ecossistema de investidores anjo no país ainda é tímido em relação a países mais consolidados, como o cenário norte-americano, mas atribui o fato a algumas dificuldades e barreiras legais que o ecossistema enfrenta no país. "Existe muito risco envolvendo o capital do investidor, no caso de algum problema acontecer e comprometer o patrimônio dele. Por isso temos que ter muito aconselhamento jurídico", explicou.

Ainda assim, Cássio vê que o cenário deve continuar evoluindo, conforme o número de empresários que "dão certo" passa para o lado de lá do ecossistema e começa a buscar novas empresas para investir seu capital. De acordo com a associação, só em 2013, o número de investimentos anjo cresceu 25%.

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