Campus Party 2015: garoto de 13 anos cria impressora braile feita em LEGO

Por Caio Carvalho | 04 de Fevereiro de 2015 às 16h52
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Era mais um dia comum na vida do norte-americano Shubham Banerjee, de 13 anos, mas que mudou por completo o futuro deste jovem empreendedor, um dos destaques da oitava edição da Campus Party Brasil. Nascido na Bélgica, o garoto é responsável por uma ideia inovadora e que promete mudar o cotidiano de pessoas com deficiência visual: uma impressora braile de baixo custo feita a partir de peças de LEGO que converte texto comum para a linguagem usada por cegos.

Em entrevista, Shubham disse que sua motivação para desenvolver o protótipo surgiu após questionar seus pais como as pessoas cegas leem. "Um dia eu voltei da escola – mais um dia normal –, e eu vi que tinha um flyer dentro da caixa de correios. Era de uma organização que estava pedindo doações para pessoas cegas. Até então, nunca tinha pensado nisso, não conhecia ninguém que era cego. E aí eu pensei: 'O que uma pessoa cega faria se recebesse essa propaganda?'", comentou.

Esse foi o ponto de partida para a criação da impressora braile de LEGO. Depois, Shubham fez várias pesquisas, incluindo dados sobre quantos deficientes visuais existem no mundo e o preço de um aparelho da categoria vendido atualmente. Em seu levantamento, o jovem descobriu que cerca de 50 milhões de pessoas têm problemas de visão em todo o planeta, e que 90% delas vivem em países pobres. Logo, nem todas podem comprar uma impressora braile, uma vez que o preço desse tipo de dispositivo pode variar entre US$ 2.000, para o modelo mais barato, e US$ 50.000, para uma versão mais ágil e completa.

Impressora braile em LEGO

Shubham Banerjee, inventor da impressora braile em LEGO, na Campus Party Brasil 2015. (Foto: Caio Carvalho/Canaltech)

Na contramão de valores tão altos, Shubham utilizou um kit de desenvolvimento LEGO Mindstorm que custa US$ 350 para começar a construir a impressora braile. "Fiquei minhas férias de verão inteiras produzindo [o gadget]. Chegava a dormir de quatro a cinco horas por dia, e ficava até duas da manhã trabalhando no protótipo", disse. O aparelho levou um mês para ficar pronto e, ao terminá-lo, o jovem batizou o projeto de Braigo, que posteriormente deu origem à startup Braigo Labs.

Hoje a companhia conta com 10 funcionários supervisionados por Shubham. "Eu ainda estudo, então dedico em média uma hora e meia do meu dia nas atividades da empresa", afirmou. Como ele é menor de idade, Shubham atua como CEO, enquanto sua mãe é a presidente da startup.

Por enquanto, a impressora braile desenvolvida pelo americano funciona apenas em inglês, mas outros idiomas podem ser facilmente adaptados para a arquitetura do aparelho. Falando nisso, o garoto disse que 25 unidades do produto serão distribuídas em institutos que atendem pessoas cegas, e que o Brasil está incluído nessa lista. Sem muitas informações, a ideia é que algumas unidades do dispositivo cheguem ao país no segundo semestre de 2015, mesmo período em que uma versão comum da impressora deve chegar às lojas dos Estados Unidos. O preço também é convidativo: menos de US$ 500.

Impressora braile em LEGO

O protótipo original da impressora braile em LEGO (à esquerda) ao lado de um modelo comercial da Braico (à direta). (Foto: Caio Carvalho/Canaltech)

Investimentos também não faltam na Braigo Labs, sediada atualmente no Vale do Silício, nos EUA. A companhia recebeu aportes da Intel Capital, braço financeiro da Intel, que ajudou o jovem com milhares de dólares na construção e aprimoramento da impressora braile. Além disso, para que este lançamento comercial aconteça, Shubham e sua equipe têm trabalhado em um design mais convencional e prático, o modelo 2.0.

Um detalhe curioso é que o jovem, apesar de destinar sua ideia a pessoas cegas, não sabe ler braile. Contudo, Shubham acredita que isso não foi impedimento para seguir adiante com o conceito, já que seu objetivo é impactar os usuários de forma que os ajude nas tarefas do dia a dia. "Queremos trabalhar para beneficiar a sociedade. Quando forem desenvolver um projeto, não pensem no próximo aplicativo de um milhão de dólares, mas em algo que possa ajudar a sociedade como um todo. Ouçam o seu oração", concluiu.

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