Campus Party 2014: Os 10 mitos das startups no Brasil

Por Pedro Cipoli | 31.01.2014 às 19:49 - atualizado em 03.02.2014 às 10:43
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No palco Gutenberg contamos com a presença de Bob Wollheim, que fez uma palestra apontando os 10 principais erros que muitos empreendedores comentem em alguma fase da criação de seu próprio negócio. São dicas essenciais sobre o que NÃO fazer na hora de empreender, em especial pela altíssima porcentagem de negócios que não passam do segundo ano, tanto no Brasil (80%) quanto nos Estados Unidos (60%).

Abaixo de cada item, fizemos um resumo dos comentários do próprio Bob sobre o que exatamente ele quis dizer.

Empreendedorismo

1. Startup = "Tesão"

Explicando: muitas pessoas consideram empreender como sinônimo de trabalho apaixonado para o resto da vida. Não é assim. Boa parte do tempo é gasta com burocracia, problemas e decisões erradas. "É trabalhar como um louco e ter pouquíssimo tempo para a vida pessoal", nas palavras de Bob.

2. Empreender = Felicidade

Novamente lembramos que 80% das empresas criadas aqui no Brasil falham logo nos dois primeiros anos de vida, e acreditem: as pessoas que falham realmente não ficam felizes. Mesmo com as coisas indo muito bem, as situações de infelicidade acontecem com frequência e deve-se estar preparado para enfrentar cada uma delas, não sendo nenhuma forma de "mundo cor de rosa", como muitos acreditam.

3. Um PPT na mão vale um milhão

"Ou um Keynote, se você usa Mac", como diz Bob, "mas de qualquer forma não funciona". Muitos usuários ficam entusiasmados com "histórias" de pessoas que tiveram uma boa ideia, apresentaram para alguém (provavelmente em PPT), e um ou dois anos depois estavam milionárias. É preciso tomar cuidado com essas histórias, pois, em primeiro lugar, as empresas que crescem muito rápido são a exceção da exceção. Em segundo, esse espaço de "apenas um ou dois anos" foi recheado de trabalho e problemas para se resolver, não sendo um período fácil nem para quem conseguiu fazer tudo dar certo.

4. É preciso ganhar prêmios

"Prêmios devem ser vistos como consequência, não objetivo", comenta Bob. Algumas pessoas se preparam especificamente para ganhar determinado prêmio, e ele agrega sim valor à empresa. Porém, significa apenas que ela está indo bem naquela ocasião. "É o momento", completa Bob. Mas não deve ser o foco do empreendedor.

5. Mentoria é imprescindível

Bem, é mesmo, mas o empreendedor deve escutar o mentor de forma mais crítica, não necessariamente seguindo todas as recomendações dele e mudando completamente o rumo do negócio, pois muito mentores podem não ter uma visão completa do negócio em questão (um adminstrador falando sobre biotecnologia, por exemplo). O outro extremo é não gostar do que acabou de escutar e ficar com raiva do mentor. Se ele está bem informado sobre o seu meio de atuação e tem experiência o suficiente, ignorá-lo por não gostar do que ouviu pode ser fatal.

6. Uma acelerardora resolverá o meu problema

Segundo Bob, muitas aceleradoras são formadas por grupos de pessoas sem qualquer capital, contatos ou habilidade, então deve-se tomar cuidado em relação a quem recorrer. E também não devem ser vistas como panaceia de qualquer tipo de problema que a empresa tenha ou única oportunidade disponível, mas sim como uma oportunidade.

7. Existem muitos investidores no Brasil (estatisticamente)

Segundo Bob, essa história que costumam falar que há muito dinheiro mas poucos projetos é papo furado. Proporcionalmente, o Brasil tem uma parcela muito pequena de investidores, e em geral eles não investem em ideias em que não os lucros são grandes e imediatos. Mesmo assim, muitos negócios aqui dão certo, mas por vias diferentes. O brasileiro recebe ajuda de pessoas com dinheiro, mas estas normalmente se consideram "sócias", não investidores, sendo, em geral, membros da família ou amigos.

8. Ter um investidor é necessário

Ajuda, mas não é essencial. Já há uma série de pessoas que conseguiram prosperar sem necessariamente ter um investidor financiando a expansão do negócio. Muitos desses negócios são mais sólidos do que outros que levantaram capital muito rápido e perderam o rumo.

9. Todo mundo levanta capital nos EUA

É aquela velha história que diz que a grama do vizinho é mais verde que a sua. Diferentes países têm diferentes porcentagens de investimentos, sucesso e falhas, afinal, são culturas completamente diferentes. Muitas pessoas utilzam isso como desculpa para seu negócio não estar dando certo, por "falta de investimento", sendo na realidade um problema completamente diferente.

10. O TechCrunch é realidade

Muitos usuários consideram o que aparece no TechCrunch (ou em qualquer veículo estrangeiro, na realidade) como pura verdade, direcionando o seu negócio baseado no que eaparece lá. "A Campus Party é a realidade. O que está acontecendo por aqui, à sua volta, não o que a mídia estrangeira publica", comenta Bob.