Pesquisa estranha do dia: tirar fotos o tempo todo pode prejudicar sua memória

Por Redação | 12.12.2013 às 10:10
photo_camera Divulgação

Se você é o tipo de pessoa que adora tirar fotos de todos os lugares em uma viagem, passeio ou show, é melhor pensar duas vezes. Um estudo publicado esta semana na revista científica Psychological Science constatou que usar sua câmera fotográfica para guardar cada momento, nos mínimos detalhes, pode prejudicar sua memória em vez de fazê-la se lembrar daquilo que foi registrado.

De acordo com o Telegraph, a pesquisa foi conduzida pela psicóloga e cientista Linda Henkel, da Universidade de Fairfield, nos Estados Unidos, que questionou a si mesma sobre o impacto das câmeras digitais na nossa capacidade de memorizar acontecimentos, pessoas e objetos. "Os usuários costumam pegar suas câmeras, quase sem pensar, para registrar um momento, a ponto de perder o que está acontecendo bem na frente delas", explicou a doutora.

Para o estudo, Henkel levou um grupo de alunos para um passeio em um museu de artes. O objetivo era que eles guardassem notas de certas obras no local, podendo fotografá-las ou apenas observá-las. Ao final do experimento, no dia seguinte, a médica concluiu que os estudantes que apenas observaram, sem tirar fotos, foram capazes de responder mais perguntas sobre detalhes visuais da peça. Já o grupo que optou pela máquina fotográfica não conseguiu dar tantas informações sobre as mesmas obras.

Por outro lado, Henkel e sua equipe identificaram um fenômeno curioso: aqueles que usaram o zoom da câmera para tirar fotos de um detalhe específico do objeto conseguiram preservar a memória inteira da peça, ou seja, das partes que ficaram fora do enquadramento. "Esses resultados mostram que o 'olho da mente' e o olho da câmera não são os mesmos", disse Henkel.

Independentemente dessa descoberta, a cientista alerta que não se pode acumular uma grande quantidade de fotos e lembranças em pixels, mas sim acessar e interagir com elas. "Quando as pessoas confiam na tecnologia para lembrar das coisas - contando com a câmera para registrar o evento e não precisar estar nele completamente -, pode ter um impacto negativo sobre a forma como elas se lembram de suas experiências", disse. O nome dado a essa expressão é "photo-taking impairment effect" ("efeito de perda ao tirar fotos", na tradução livre).

E não é só o hábito de fotografar todos os lugares que parece acabar com a nossa memória. Uma outra pesquisa revelou que o uso excessivo de motores de busca, como o Google, está aumentando os níveis de esquecimento da população. Assim como os computadores e celulares, esses buscadores se tornaram "extensões da nossa inteligência", em vez de ferramentas separadas. Como consequência, estamos cada vez mais propensos a esquecer das situações que não pesquisamos na internet.