Sonos vai levar seus smart speakers para a bolsa de valores

Por Felipe Demartini | 06 de Julho de 2018 às 15h05

A Sonos registrou, nesta sexta-feira (6), sua oferta pública de ações na bolsa digital NASDAQ, marcando oficialmente sua já comentada intenção de abertura de capital. A fabricante de smart speakers não revelou quantas de suas cotas serão abertas à negociação nem o valor de cada uma delas na estreia no pregão, fixando, apenas, um valor temporário de US$ 100 milhões a serem levantados pelo movimento.

A empresa também não deu um prazo para a abertura de seu capital, que será negociado com o símbolo SONO. Mesmo assim, a notícia veio em boa hora para analistas de mercado, pois aproveita o bom momento da empresa, com a recente revelação de resultados financeiros positivos que acompanharam a marca de 19 milhões de produtos vendidos em todo o mundo.

Mais do que um número em si, o total é a prova de que a abordagem da Sonos está surtindo efeito. A companhia foca na integração de seus aparelhos e serviços online, mas também na ideia de que os usuários podem criar um sistema de som integrado, com diversas caixas espalhadas pela casa. Tanto que, por trás das 19 milhões de unidades vendidas, está a presença em 6,9 milhões de residências, ou seja, cada usuário de seus produtos tem, em média, de dois a três dispositivos.

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Outros dados, como o fato de que os usuários de equipamentos da Sonos ouvem 80% mais música, servem para levar a empresa ao abraço dos serviços de streaming musical, mas, também, para alavancar seus números. No ano fiscal de 2017, foram US$ 992,5 milhões em faturamento, 10% acima do registrado em 2016 e com 55% de toda essa renda sendo gerada fora dos Estados Unidos.

Ainda assim, a empresa é daquelas que apresentam soluções inovadoras, mas ainda trabalham para chegar a números positivos. Por mais que a abertura de capital gere empolgação e seja vista com bons olhos pelo mercado, ele também não se esquece de que as perdas no ano fiscal 2017 foram de US$ 14,2 milhões. A expectativa para o período anual é de reduzir esse total, mas, ainda, não será a vez de chegar ao azul, algo que deve acontecer, somente, a partir de 2019.

A abertura de capital e o montante levantado com ela, entretanto, pode ser um grande aliado deste caminho. Mas ao mesmo tempo em que cita as parcerias com serviços como sua principal força, a Sonos também pede cautela pelo exato mesmo motivo. Nos documentos registrados junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês), a companhia também afirma que essa aposta traz certa instabilidade.

É o caso, por exemplo, da união com a Amazon, que dá acesso à sua assistente de voz Alexa em dois dos aparelhos principais da companhia, o Sonos One e o Beam. É uma aliança que deu certo e vem gerando dividendos, mas ao mesmo tempo, a companhia lembra que a empresa de Jeff Bezos também fabrica seus próprios smart speakers e, se desejar, pode revogar a parceria para tornar seus produtos mais exclusivos.

A concorrência com fabricantes citados como mais tradicionais, entretanto, não assusta muito. A companhia citou a Samsung e a Bose como suas principais concorrentes nesse sentido, mas afirma que já acumulou bastante experiência, estando no mercado desde 2002, assim como a confiança dos usuários para se tornar outra grande expoente no segmento dos alto-falantes inteligentes.

Os bancos Goldman Sachs, Morgan Stanley e Allen & Company foram os escolhidos para tocar a abertura de capital da Sonos. A empresa de private equity KKR possui 26% da companhia, enquanto seu co-fundador e antigo CEO John McFarlane é dono de 13% dela, mesmo montante possuído pela investidora Index Ventures.

Fonte: SEC, CNBC

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.