Preocupações com segurança e gastos derrubam ações da Tesla

Por Felipe Demartini | 22 de Maio de 2019 às 09h57
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As ações da Tesla voltaram a cair no começo desta semana, atingindo o valor mais baixo a ser registrado nos últimos dois anos e meio. A queda de 3,8% se une a um acumulado de 11% nas baixas, iniciado na última quinta-feira (16) depois que autoridades dos Estados Unidos determinaram que o piloto automático estava ativado na ocasião do acidente com um Model 3, no início de março, que resultou na morte de uma pessoa.

Nesta terça-feira (21), as ações da empresa acumularam baixa de 3% logo na abertura do pregão do dia; na segunda (20), os papéis chegaram a operar abaixo dos US$ 200 pela primeira vez desde dezembro de 2016. A expectativa geral é que eles se mantenham nesse patamar até o fim desta semana.

A avalanche de más notícias ganhou mais força com um relatório emitido pelos analistas do Morgan Stanley, que reduziram a expectativa de “pior cenário”da Tesla de US$ 97 para apenas US$ 10.

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A perspectiva corresponde a uma situação em que, de maneira direta, absolutamente tudo dá errado para a montadora de Elon Musk. A demanda foi a principal questão levantada pela Morgan Stanley, com a Tesla notoriamente deixando de cumprir previsões de entregas de carros. Agora, com a entrada na China, esse “pior cenário” viria caso a empresa ficasse abaixo da metade do total esperado em vendas, uma vez que a entrada no mercado é vista como o grande sintoma de recuperação da companhia.

Enquanto isso, a preocupação dos investidores recai não apenas sobre a dificuldade em atender a demanda em si, mas também sobre as dívidas que se acumulam e os gigantescos gastos para atender ao público. O 2019 da Tesla e de Musk não vem sendo nada agradável, como já previam os analistas, e a queda acumulada nas ações da companhia apenas demonstra que a tempestade está bem longe de chegar ao fim.

Também na última semana, o CEO da montadora disse que os esforços de corte de custos devem continuar, atingindo também os funcionários. Enquanto isso, um recente aporte de capital no valor de US$ 2,7 bilhões deve ajudar um pouco a colocar as coisas no lugar, mas o montante deve durar apenas 10 meses — é esse o tempo que a Tesla tem para entrar nos eixos e voltar a um funcionamento adequado e que, principalmente, agrade aos investidores.

Entretanto, mesmo com a previsão de “pior cenário” altamente pessimista, o Morgan Stanley manteve a perspectiva de valor das ações da Tesla em US$ 230, bem como a expectativa de “melhor cenário” possível para US$ 391 por ação. A expectativa dos analistas é que, com a baixa nas ações, os executivos busquem alternativas e parcerias para recuperação, evitando a chegada ao valor negativo estimado pelo banco.

É um clássico caso de “morde e assopra”, com o Morgan Stanley apresentando uma expectativa baixíssima para, na sequência, afirmar que a Tesla é pioneira e única em seu expertise no mercado de carros elétricos. Os analistas não esperam que o “pior cenário” efetivamente chegue e instruem os investidores a confiarem na competência dos envolvidos na montadora.

O relatório contrasta com a nota emitida neste começo de semana pela Wedbush, que também reduziu sua perspectiva de valor das ações da Tesla de US$ 270 para US$ 230 neste ano. Para os analistas, Elon Musk está distraído com seus projetos de exploração espacial, taxados de forma jocosa como “sci-fi” no relatório, e deixa de atender às necessidades de uma montadora que luta para suprir a demanda pelo Model 3.

Fonte: CNBC, Barrons

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