Para analistas, interrupção da Bolsa de Nova York teve pouco impacto

Por Redação | 10.07.2015 às 12:26
photo_camera Divulgação

A Bolsa de Valores de Nova York já foi um dos grandes pilares mundiais da economia, e hoje, ainda carrega esse status. Mas, para muitos analistas, essa é apenas uma noção, que passa um pouco longe da realidade. As discussões são muitas, mas a realidade ou não dessa noção foi colocada à prova nesta semana, quando a NYSE interrompeu a negociação de ações, na quarta-feira (8).

Após a detecção de um “comportamento irregular” em seus sistemas, a Bolsa suspendeu as operações, mas como já esperado por alguns especialistas, isso não impediu que os papeis continuassem em negociação. Grandes companhias, como a ExxonMobil e a JPMorgan Chase, por exemplo, continuaram com suas altas e baixas, assim como as empresas de tecnologia, que permaneceram operando normalmente.

Não é como se o mercado não tivesse sido afetado pelo transtorno, que durou quase quatro horas. Mas as mudanças não foram muitas, fruto de uma descentralização cada vez maior do mercado de ações nos Estados Unidos. Diante de “concorrentes” como a Nasdaq, onde operam boa parte das empresas do Vale do Silício, e outras bolsas menores em estados como o Arizona e a Flórida, a importância do mercado de Nova York vem caindo cada vez mais.

De acordo com as estimativas de Gregori Volokhine, diretor da firma de investimentos Meeschaert Capital Markets, apenas 15% de todo o volume de ações negociadas nos Estados Unidos acontece na Bolsa de Valores de Nova York. E esse é um valor que tende a diminuir cada vez mais, pois o governo, eventualmente, libera novas concessões para operações do tipo e continua dando preferência para plataformas eletrônicas que independam de um local geográfico.

E as mudanças, afirma o especialista, não representam um problema, mas acontecem de forma natural para as empresas. Seja como forma de diversificar suas ofertas, trazer as ações para mais perto de casa ou simplesmente evitar problemas como o que aconteceu em Nova York, diversas companhias levaram suas ações também para outros mercados, o que acabou reduzindo bastante o impacto da interrupção desta semana.

Além disso, “a sorte” foi que tudo aconteceu em um dia de pouca movimentação, sem grandes aberturas de capital, eventos com anúncios de empresas listadas ou pronunciamentos relacionados à economia do país, por exemplo. Além disso, a Bolsa de Valores de Nova York foi capaz de reabrir antes do horário de fechamento do pregão, o que permitiu que os investidores fizessem as movimentações necessárias.

Mas não é como se o impacto fosse irrelevante também. Os mais afetados pelos problemas foram aqueles que negociam um grande volume de ações ou utilizam os sistemas com muita frequência, fazendo revisões, vendas e compras a todo instante. Estes ficaram sem acesso durante as quatro horas de interrupção, enquanto viam o mercado continuando a se mexer como fruto da já citada pluralização do setor.

Os problemas na Bolsa de Valores de Nova York começaram em torno das 12h32, no horário de Brasília, e estão ligados aos problemas técnicos de instalação e operação de atualizações e novos softwares. Além da NYSE, os voos da American Airlines e as operações do periódico The Wall Street Journal também foram afetados de forma quase simultânea, o que levou muita gente a acreditar que os Estados Unidos poderiam estar sendo alvo de um grande ataque cibernético. A hipótese foi descartada rapidamente e os casos também não parecem estar relacionados.

Fonte: Business Insider