China cria bolsa de valores para empresas inovadoras

China cria bolsa de valores para empresas inovadoras

Por Munique Shih | Editado por Claudio Yuge | 02 de Setembro de 2021 às 19h30
Elements/leungchopan

Nesta quinta-feira (2), o presidente Xi Jinping anunciou a criação de uma bolsa de valores em Pequim para atender às pequenas e médias empresas orientadas à inovação, em um discurso na Feira Internacional de Comércio de Serviços da China (CIFTIS, na sigla em inglês).

O estabelecimento de uma bolsa de valores em Pequim e a reforma do balcão de ações para startups New Third Board são novos acordos estratégicos importantes para melhorar o serviço do mercado de capitais do país e promover seu desenvolvimento, disse um funcionário da Comissão Reguladora de Valores da China (CSRC), o principal órgão regulador de valores mobiliários. A instituição também informou que o país fará esforços para padronizar o setor de forma transparente, aberta, dinâmica e resiliente.

Segundo Xi, a bolsa criaria mais possibilidades de cooperação, ampliando o apoio ao crescimento do setor de serviços nos países da Rota da Seda. A segunda maior economia do mundo tem feito diversos esforços para reforçar sua influência global por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota, que prevê desenvolver de infraestrutura e comércio ao longo da Ásia, Europa e África.

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Durante o discurso, o líder enfatizou a abertura gradual da China ao investimento estrangeiro em setores de serviços como finanças e saúde, onde Pequim vê a introdução da concorrência externa como uma parte fundamental da modernização de sua economia.

A China apoiará Pequim e outras localidades no alinhamento das regras nacionais com os acordos internacionais de livre comércio de alto padrão e na construção de zonas de demonstração de comércio digital, acrescentou o presidente. Até o momento, não se tem uma data específica para a criação do novo conselho ou qualquer outro detalhe.

China vive momento de grandes mudanças no mercado de capital

A criação da bolsa de valores em Pequim marca os esforços da China nos últimos meses para desenvolver seu mercado de capitais em território nacional. Nas últimas semanas, uma série de reformas políticas e regulatórias foram feitas pelo governo. Medidas que foram adotadas inicialmente para conter o monopólio de gigantes da tecnologia no país se estenderam a todos os setores comerciais, desde a educação e jogos eletrônicos, até empresas de alimentos.

Além disso, com a intensificação do controle sobre as empresas chinesas, principalmente àquelas com ofertas públicas de ações (IPOs, na sigla em inglês) tanto nos Estados Unidos quanto na China, as dúvidas sobre o futuro de longo prazo das companhias locais listadas em Wall Street têm aumentado bastante.

Imagem: Reprodução/Rawpixel

De acordo com o Financial Times, a China tem tido sucesso desigual na construção de seus novos mercados de ações. Por exemplo, a criação do Star Market de Xangai em julho de 2019 foi a resposta do país à Nasdaq, bolsa de valores com foco em tecnologia e baseada em Nova York. Após uma grande quantidade inicial de listagens, teve um desempenho irregular este ano, acumulando reclamações sobre o severo processo de verificação e questionamentos envolvendo a qualidade das empresas relacionadas.

Nos primeiros quatro meses de 2021, o Star Market de Xangai rejeitou 37 pedidos, em comparação com apenas três durante o mesmo período do ano passado. O regulador informou que aqueles rejeitados não possuíam a tecnologia central ou a inovação científica para atender às qualificações para serem listados. Outras exigências relacionadas colocam em dúvida o aumento das restrições impostas recentemente pelas autoridades. Os líderes chineses têm prometido repetidamente melhores condições de acesso ao financiamento para empresários, porém, a máquina financeira estatal prioriza a indústria governamental.

E a situação ficou ainda mais apertada para as companhias com a recente Lei da Segurança de Dados e outras medidas que vêm afetando os grupos chineses de tecnologia desde o final do ano passado — uma mensagem que deixa claro o monitoramento sobre as empresas que buscam permissão para entrar em bolsas de valores estrangeiras. Assim, a criação do balcão de ações em Pequim e os esforços para fortalecer o setor interno de capital vêm para "balancear" as diretrizes consideradas mais rígidas.

Fonte: Financial Times,Reuters

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