CEO do Tinder fala mais do que devia e pode se complicar com a Bolsa de Valores

Por Redação | 19.11.2015 às 09:40

O cofundador e CEO do Tinder, Sean Rad, é a prova de que nem todo executivo foi feito para dar entrevistas — não ao menos sem ser muito bem treinado para isso. A prova é que, em uma conversa com o site Evening Standard, ele não só falou algumas besteiras como ainda revelou algumas informações confidenciais e pode se complicar bastante por conta disso. E você achando que ter dinheiro era tudo o que bastava nessa vida.

Em meio a alguns exageros ditos durante a entrevista, como o fato do Tinder ser aquilo que o mundo realmente precisa e quer para solucionar o maior problema da humanidade de fazer com que pessoas se conheçam, Rad revelou que o aplicativo conta com cerca de 80 milhões de usuários em todo o mundo e registra uma média de 1,8 bilhão matches por dia. O problema é que a Match, empresa a quem o Tinder pertence, está prestes a abrir seu capital e, por ordens do órgão que regulamenta toda essa questão, a companhia não pode trazer dados como esse a público às vésperas de entrar na Bolsa para evitar especulação em torno de suas ações.

Assim, diante da língua solta de Sean Rad, a Match tratou de emitir uma nota oficial para esclarecer a questão. Segundo ela, Rad não estava autorizado a fazer qualquer tipo de declaração sobre números e estatísticas. Tanto que as informações que ele citou no programa não são dados oficiais, mas estimativas apresentadas por analistas de mercado e que esses números são imprecisos e não correspondem com a realidade. Segundo a companhia, o Tinder possui 9,6 milhões de usuários ativos de uma média de atividade de 1,4 bilhão diária.

Sean Rad

O curioso é que, apesar da preocupação da empresa em corrigir os números revelados por Rad, ela não se importou em pisar um pouco mais na sujeira que ele criado anteriormente e pode se complicar um pouco mais com a Security & Exchange Commission. Como a Match vai entrar no mercado de ações nesta semana, ela ainda está no período de silêncio exigido pelo órgão e tanto a declaração inicial quanto a sua correção podem gerar algumas boas dores de cabeça.

Apenas para ter uma ideia, em 2004, os fundadores do Google também fizeram algo parecido. Em uma entrevista à revista Playboy, Larry Page e Sergey Bin falaram mais do que deviam às vésperas da entrada da empresa na Bolsa e, por conta dessa violação dos termos, tiveram de comprar de volta todas as ações pelo preço original e não puderam vendê-las por um ano. Acredita-se que seja por isso que os executivos da empresa são tão reservados em seu contato com a imprensa.

Resta saber se Sean Rad vai aprender a mesma lição. Quem sabe assim ele deixe de confundir "intelectual" e "sodomia" quando for falar sobre o que lhe atrai em uma mulher.

Via: Gizmodo, Business Insider