Indústrias precisarão repensar seus negócios graças ao blockchain

Por Patrícia Gnipper | 26 de Junho de 2018 às 12h03

Na visão da Price Consulting, o blockchain fará com que indústrias de diversos setores repensem seus modelos de negócios. Para Lucas Jolías, diretor da empresa de consultoria, o blockchain propõe um novo modelo de internet distribuído, distante dos modelos cliente-servidor, e, ao permitir a criação de bens digitais únicos, que não podem ser replicados, tal tecnologia dá um passo ao que vem sendo chamado de "Internet de Valor".

O blockchain ficou com seu nome associado às criptomoedas, mas vem sendo adotado por outros setores que igualmente se beneficiam das vantagens desta tecnologia, como comércio, logística e o setor público. Aqui na América Latina, Argentina, México e Chile são alguns dos países que se destacam na adoção do blockchain.

“Surgida em 2008, mediante um paper acadêmico de Satoshi Nakamoto, blockchain é a tecnologia, ou uma confluência de tecnologias, por trás do bitcoin e de outras criptomoedas. Trata-se de um sistema para transferências de valor sem necessidade de intermediário, como um grande livro contábil distribuído em uma rede de pares (P2P), que incorpora criptografia, um sistema de governança, leis de validação e um mecanismo de consenso”, explicou Jolías.

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Ainda, para Jose Otero (diretor da 5G Americas para América Latina e Caribe), “tecnologias como blockchain e Internet das Coisas (IoT) necessitam de uma plataforma tecnológica suficientemente robusta que permita transportar toda essa grande massa de tráfego que vamos ter no futuro. No curto prazo, essa plataforma tecnológica na parte sem fio será o 5G”.

Tudo isso porque o blockchain usa um sistema descentralizado para dar propriedade exclusiva a um bem digital. Jolías informa que algumas nações latino-americanas já começaram a empregar a tecnologia como mecanismo para certificar determinados processos, documentos ou informações públicas. "Esta é a primeira camada ou a ponta do iceberg do blockchain", opina.

Para ele, outro fator que torna o blockchain aplicável em uma extensa gama de possibilidades é a tokenização. "Alguns países estão começando a experimentar [o blockchain] no emprego para títulos de propriedade de terras ou automóveis. Também estão realizando provas para utilização de blockchain em sistemas de geração de energia distribuída, como por exemplo, no Brooklin, em Nova York, em logística, para rastreabilidade de diamantes, e para rastreabilidade e certificação no manuseio de carne suína. Na Argentina, aconteceu um teste piloto para a entrega de subsídios certificados em blockchain. E também na Argentina, o boletim oficial está certificando com blockchain como um notário digital", revela.

Jolías enxerga o blockchain como uma tecnologia "no mínimo disruptiva", com o sistema bancário sendo o exemplo mais nítido de que será preciso repensar serviços também em outras áreas — e não estamos falando de algo a longo prazo.

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