Taxistas sequestram e agridem motorista do Uber em São Paulo

Por Redação | 11 de Agosto de 2015 às 12h04

Quando a gente achava que a briga contra o Uber não poderia ficar mais absurda, os taxistas de São Paulo mostram que sempre é possível ir além. Afinal, eles simplesmente sequestraram e agrediram um motorista do serviço na madrugada do último sábado, 8 de agosto.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o crime ocorreu em Itaim Bibi, na área nobre da zona oeste da capital paulista. De acordo com o motorista de 22 anos, que não teve a identidade revelada, nada menos do que 20 taxistas o abordaram e, em seguida, ele foi atacado e posto para fora do seu carro.

Em depoimento à polícia, ele contou que quatro homens, incluindo um armado, o forçaram a entrar em um táxi e o mantiveram refém por meia hora. Nesse período, ele diz ter sido agredido, levando um soco na boca.

Diante do ocorrido, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que vai abrir um processo administrativo para cassar o alvará dos taxistas envolvidos. O desafio agora é identificar os responsáveis pelo sequestro e pelas agressões ao motorista.

O caso é mais um evento absurdo na briga entre taxistas e o Uber. O aplicativo tem sido tratado como clandestino e fortemente combatido pela classe, que já organizou vários protestos em várias cidades brasileiras — assim como já havia acontecido em outros países.

No entanto, a polêmica ganhou contornos mais sombrios quando, em junho, um representante dos taxistas afirmou durante uma audiência na Câmara dos Deputados de São Paulo que "haveria morte" se o Poder Legislativo não tomasse alguma providência contra o que eles consideram concorrência desleal. Na época, Antônio Matias dos Santos, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi do Município de São Paulo e autor da infame declaração, disse que também já havia sido ameaçado por motoristas do Uber.

Enquanto as duas categorias estão praticamente entrando em guerra no sentido mais literal da palavra, a regulamentação do uso do aplicativo segue sendo discutida a passos lentos. Na semana passada, por exemplo, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, vetou o projeto de lei que proibia o serviço e deu um prazo de 90 dias para debater com a sociedade e as partes envolvidas a melhor forma de estabelecer regras para o transporte privado de passageiros.

O problema é que parece que ninguém está muito disposto a negociar nesse meio tempo e o diálogo é a última prioridade dessa lista. Além da violência contra o motorista do Uber, recentemente vimos ataques aos próprios passageiros. Ainda no Distrito Federal, taxistas forçaram um casal a descer de um carro a serviço do aplicativo e entrar em um de seus veículos.

Via: Folha de S.Paulo