Retrospectiva Canaltech: As maiores decepções tecnológicas de 2017

Por Ares Saturno | 28 de Dezembro de 2017 às 18h35
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E então é Natal, e o que essas empresas tech fizeram? Nos deram algumas dores de cabeça ao longo do ano, é verdade. Mas nesse ritmo de festa a gente aprende a rir das burradas e dos transtornos, não é mesmo? Vamos lembrar as piores decepções tecnológicas de 2017? Vamos!

10) Luxo para uns, lixo para outros

Uma empresa chamada ChainAnalysis fez um levantamento de dados impressionante em novembro de 2017: nos 9 anos de história das moedas digitais, cerca de metade dos valores produzidos estão, de alguma forma, inacessíveis ou perdidos para todo o sempre. Como explicado nesse guia básico sobre bitcoins, o anonimato do blockchain precisa que as carteiras de criptomoedas não tenham mecanismos de recuperação de senha por questões de segurança. Dessa forma, se os dados sobre as posses em dinheiro digital são apagados, as quantias estão, permanentemente, perdidas.

É o que aconteceu ao azarado profissional de Tecnologia da Informação James Howells, um britânico que em 2013 já estava bastante frustrado por ter perdido um HD contendo as chaves de posse de 7500 unidades de bitcoin. Ele comprou as unidades a preço de banana em 2009, fez um backup de sua carteira num HD que foi guardado em sua casa por três anos, até Howells resolver fazer uma faxina e, distraído, jogou o HD que continham as moedas fora. Ao perceber que a cotação da unidade de bitcoin estava ultrapassando os mil dólares, em 2013, o britânico surtou com a possibilidade de lucro faraônico perdida.

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No Reino Unido, esse tipo de lixo é tratado por meio de aterro sanitário. Pela época que o HD foi jogado fora, Howells foi informado que o lixo valioso estaria enterrado numa profundidade entre três e cinco metros. Mas o trabalho de escavação era excessivo e mesmo com uma equipe de entusiastas o apoiando, Howells decidiu não perder mais dinheiro e tempo com sua cabeça-de-vento.

E você com preguiça de arrumar seu guarda-roupas

Mas isso foi antes de Bolsas de Valores anunciarem mercados de futuros de bitcoins e isso elevar o preço da moeda para até US$ 19 mil dólares, fazendo com que a fortuna escondida no HD aterrado passasse a valer mais de US$ 142 milhões de dólares.

James Howells não está bem. Em entrevista, ele disse: “Eu sempre soube que a Bitcoin valeria tanto quanto hoje, sempre soube que o valor do disco rígido subiria”. Em dezembro de 2017, Howells entrou com pedido de autorização para escavar o aterro em busca do HD encantado. O pedido ainda não foi julgado, mas uma série de confiáveis amigos da rede já ofereceram ajuda ao maior azarado do ano.

9) Foguete Soyuz 2.1b: algo errado não está certo

Na manhã do dia 27 de novembro de 2017, o foguete russo Soyuz 2.1b foi lançado com sucesso do cosmódromo de Vostochny, que fica localizado na pontinha da Rússia, logo acima da Ucrânia, e que foi construído para que não fosse necessário o deslocamento das cosmonaves produzidas em solo russo até o cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, para seu lançamento. A distância entre a base de Vostochny e a base de Baikonur é de cerca de 2,5 mil quilômetros, o que encarece o processo de emissão de cosmonaves ao espaço, uma vez que a fábrica dos foguetes se encontra bastante mais próxima da nova base de Vostochny.

A missão era levar o imenso satélite meteorológico Meteor-M e posicioná-lo em órbita. A bordo da Soyuz ainda estavam mais 18 satélites menores, pertencentes a diversas nações da América do Norte e Europa, que seriam levados a outros pontos durante a viagem espacial.

Seriam. E é exatamente esse o ponto.

A decolagem foi bem sucedida e os dois primeiros estágios do lançamento ocorreram exatamente como planejado. No terceiro estágio, que começou muito bem, o Fregat deveria ter fornecido uma aceleração final que posicionaria a cosmonave a 825 km de altitude. Alguns minutos após a nave ser lançada, a equipe de comando da Terra perdeu a comunicação com a Soyuz, pois ela não se encontrava na localização prevista para ela se encontrar naquele momento.

Analisando o comportamento da cosmonave, parecia que os cálculos de trajeto estavam errados, o que fez com que o Kremlin abrisse investigações para saber o que havia acontecido e onde estava a Soyuz e sua valiosa carga. "Durante a primeira comunicação com o foguete não foi possível estabelecer a conexão devido à sua ausência na órbita-alvo", disse a nota publicada pela Roscosmos, explicando que o Soyuz não se encontrava na posição que deveria ocupar para permitir o contato. "Atualmente, a informação está sendo analisada".

Eis que surge a verdade dolorosa e cruel: o Fregat funcionou perfeitamente bem e fez seu trabalho como planejado. O problema é que os cálculos de trajeto que deveriam informar ao Fregat em qual direção empurrar a Soyuz foram feitos tendo como certo que o lançamento da cosmonave seria feito diretamente da base de Baikonur, e não de Vostochny.

Sim, vergonha alheia define

Aparentemente, depois de empurrar a Soyuz na direção errada, o Fregat se desprendeu da nave, como deveria fazer segundo o planejamento. A Soyuz até tentou corrigir a rota, mas não conseguiu e se perdeu para todo o sempre.

Abaixo você pode assistir a um vídeo que mostra o lançamento do Soyuz até o momento onde ele é perdido de vista nos céus:

08) Ocidentalização, machismo e racismo

A adaptação em live-action do mangá e anime Death Note feita pela Netflix deu o que falar. Fãs da obra original ficaram pistola ao perceber a colonização americana descaracterizando a trama e os personagens.

A ocidentalização da obra foi realmente forçada para além do tolerável e resultou em mais um longa-metragem retratando os sentimentos adolescentes de estudantes de High School. Quando a Netflix optou por ambientar a obra nos EUA ao invés de a manter o contexto japonês, já era um efeito esperado obter essa descaracterização e ver a cultura predatória americana se sobrepor a um elemento central da obra original: sua identidade étnica.

Raito Yagami, protagonista do anime e mangá, pouco tem a ver com Light Turner, personagem principal do live-action americano. Enquanto o japonês é uma espécie de crítica velada ao perfeccionismo patológico da sociedade japonesa, que adoece e suga a sanidade de seus jovens, o personagem americano parece ser apenas um garoto mimado e emocionalmente instável que planeja se vingar do valentão bully do time de futebol americano pegando sua namorada cheerleader. Que arquétipo inédito.

A família Yagami também tem pouca sintonia com a família Turner. Na obra original, o lar amoroso e cheio de estímulos benéficos que deu origem a Raito contrasta com sua falta de caráter e o ódio que ele carrega dentro de si. Na adaptação, mataram a Senhora Turner nas mãos de um criminoso que saiu impune e tornaram o Senhor Turner um pai ausente e apático, numa família desajustada que faz o desfavor de fortalecer a ideia que a criminalidade é falta de amor no coração e não um problema público de violência urbana que às vezes cruza caminhos com a falta de acesso à saúde mental e a boas oportunidades de interações sociais positivas.

A personagem feminina Mia, análoga à Misa da obra japonesa, entretanto, foi uma boa redenção dentro da adaptação. Enquanto Misa é apenas um corpo feminino atraente e jovem, pronto para ser explorado sexualmente numa trama que não dá a ela direito de ser uma personagem de fato, Mia é retratada com detalhes tão humanos que chega a ser incômodo de ver. Porém, qualquer chance de empoderamento feminino através da personagem é completamente minado quando o roteiro decide usar Mia como um recurso para acelerar a caçada de L. Afinal, temos pouco mais de uma hora e meia de filme para contar toda a história, então precisamos de uma personagem feminina para levar o macho-alfa a cometer deslizes e fazer burrices para que o sagaz L seja capaz de pegar Light no pulo. Sim, o arquétipo de Eva dando a maçã para Adão novamente. Muito empoderador, obrigada, Netflix.

O mesmo pode ser visto na escalação de um ator negro para a interpretação do papel de L, que na obra original é um crânio potente e na adaptação podemos eufemizar que ele não é a lâmpada mais brilhante. Associar isso à raça negra foi um dos fiascos mais toscos do ano e fez com que a Netflix, que já produziu obras fantásticas sobre racismo como The Get Down e Cara Gente Branca, perdesse muitos pontos nos nossos conceitos.

7) Só no marketplace

A Amazon está, efetivamente, no mercado brasileiro desde 2012. Porém, os produtos disponíveis aos consumidores brazucas se limitavam aos livros e leitores digitais. Apenas em abril de 2017 a empresa adotou o modelo de marketplace, ainda tendo como principais produtos os e-books e sua linha de e-readers, o kindle, além dos livros físicos ofertados por editoras nacionais parceiras.

A expectativa era tão grande que o mero anúncio de que a Amazon expandiria seus produtos eletrônicos no Brasil fez com que sua principal concorrente nacional, o Mercado Livre, perdesse mais de US$ 1 bilhão em ações na Bolsa. A confiança dos brasileiros na Amazon era tão grande que a rede mundial de publicidade e marketing McCann chegou a apontar, após pesquisas, que a empresa era vista como mais confiável até que a Google ou a Apple. E se você já recorreu à Amazon alguma vez para pesquisar preços de produtos que você ia comprar em outro lugar, sabe do que eu estou falando. A Price WaterHouse Cooper (PwC) também realizou uma pesquisa com consumidores brasileiros à época do anúncio da expansão da Amazon no Brasil e descobriu que 47% dos brasileiros entrevistados no estudo já haviam, ao menos uma vez, realizado compras através da plataforma. E olha que nessa época os produtos ofertados eram e-books e a linha kindle, apenas.

Não só os consumidores de tecnologia brasileiros mas também as lojas nacionais de eletrônicos se abalaram. Esperava-se que, pela força da Amazon mundial, o braço tupiniquim da empresa quebraria completamente a concorrência por poder oferecer preços mais baixos, produtos mais exclusivos, entregas mais rápidas. Mas ninguém se atentou para o fato de que o foco da Amazon mundial sempre foi o marketplace. Nos EUA, por exemplo, metade do faturamento da empresa se dá através de taxas cobradas de outros vendedores que utilizam a plataforma para ofertar seus produtos locais. E, para quem soube aproveitar a oportunidade, os negócios locais conseguiram crescer com a chagada do marketplace da Amazon. Alexandre Martins Fontes, sócio da editora Martins Fontes, declarou em entrevista feita em maio de 2017 que “O aumento no volume de vendas justifica nossa entrada (na plataforma de vendas da Amazon Brasil), por mais que tenhamos de abrir mão de parte de nossa margem. Estamos recebendo mais pedidos do que imaginávamos”. Nessa mesma época, a Amazon era responsável por 10% das vendas de produtos das maiores editoras do país, contra apenas 4% em maio de 2016.

Estoque da Amazon Brasil

Entretanto, a nossa logística não era tão firme como a que a Amazon dispunha no território norte-americano, onde ela oferece centros de distribuição em diversos locais para tornar mais ágil a entrega ao permitir que os lojistas parceiros abriguem seus produtos, além da transportadora própria. Em solo brasileiro, tanto as entregas quanto o único centro de distribuição são terceirizados.

A mágica não aconteceu e ficamos a ver navios. A Amazon não cumpriu a expectativa e se diferenciou muito pouco de outras plataformas e-commerce de marketplace que o brasileiro já conhecia e botava defeito, como as controladas pelo grupo B2W, Americanas e Submarino.

6) CryptoAcre

No dia 27 de março de 2017, Bruno de Melo Silva Borges, de 24 anos, desapareceu de sua residência em Rio Branco, no Acre. Ao entrar no quarto do jovem desaparecido, a família encontrou escritos misteriosos em uma língua desconhecida nas paredes, uma estátua do filósofo e teólogo romano Giordano Bruno de mais de dois metros e meio de altura que ninguém sabe como foi parar lá e 14 livros manuscritos por Bruno, mas criptografados através de códigos que ninguém entendeu à primeira vista.

Estátuas e cofres e paredes pintadas, ninguém sabe o que aconteceu

Não bastasse o mistério todo, a Polícia Civil acreana foi em busca do artista plástico Jorge Rivasplata, de 83 anos, responsável pela confecção da estátua de Giordano Bruno que estava no quarto. Enquanto negava conhecimento do paradeiro do garoto e afirmava que Bruno estava bem, apenas se preparando para o lançamento bombástico dos seus 14 livros escritoa a mão que aparentemente salvariam a humanidade dela mesma, o escultor declarou: "A maioria não entende, mas eu o conheço há muito tempo. Dá para acreditar que foi reencarnado Giordano Bruno nele. Não posso contar mais, a única coisa que posso dizer é que já terminou os livros que o filósofo deixou inconclusos. Queria falar ao seu pai e mãe que não se preocupem, ele está bem e vem apresentar ao mundo esse projeto lindo, fantástico".

A mãe, outra tiete do menino, afirmou que ele nunca demonstrou sintomas de doenças psíquicas. "Ele é iluminado. Na escola, sempre foi diferenciado, um líder nato, com um alto poder de persuasão. É um menino de um coração tão bom, que dava as coisas da casa e dele aos outros, como camisetas e calças. Não é porque é meu filho, estou falando do Bruno amoroso, que enxerga a alma das pessoas”, falou a mãe cheia de orgulho do filho.

Embora o caso corra em segredo de Justiça, as páginas dos livros encontrados no quarto de Bruno foram divulgadas na internet para que os curiosos amantes de códigos e criptografias pudessem ajudar na tradução do conteúdo. Um site chamado Decifre o Livro foi montado por Igor Rincon e Renoir dos Reis para organizar o trabalho de decodificação dos livros de Bruno e um grande rebuliço sobre a origem dos ensinamentos foi criado na rede, onde muito se falou sobre a possibilidade de os livros representarem fidedignamente o pensamento de extraterrestres preocupados com a evolução espiritual humana.

Imagem encontrada no quarto de Jesse Pinkman

O sumiço de Bruno durou cerca de 5 meses e parte da sua obra foi devidamente traduzida pelos especialistas em criptografia da internet durante esse tempo. O problema é que, após tanta expectativa e promessas de que o trabalho era trancendentalmente significativo no âmbito da filosofia moderna, o texto escrito enigmaticamente por Bruno não satisfez.

Nota dez para a campanha de marketing, mas apenas uma estrela para o produto em si. Segue abaixo uma imagem do código manuscrito de Bruno e, em seguida, o texto decodificado para que os Canaltechers decidam se Bruno é espertinho ou espertão:

Quem é firmeza criptografa na mão

"Caminho difícil

Por milhares de anos o ser humano vem tentando encontrar respostas para perguntas como 'qual o sentido da vida'? A filosofia que, ao que tudo indica, parece ter se iniciado com Tales de Mileto em meados de 700 a.C. visa encontrar vestígios de perguntas sem respostas. A pesquisa profunda pela verdade absoluta advém da filosofia, e quando falamos a respeito de caminhos fáceis ou difíceis estamos nos referindo a esse tipo de teorema.

É fácil aceitar o que desde criança te ensinaram que é errado. Difícil é, quando adulto, entender que te ensinaram errado o que desde criança você suspeitou que fosse correto. Em outras palavras, se você se enquadra em algum cujos estímulos do meio lhe determinaram certo comportamento, fazendo com que estivesse à mercê de crenças já providas e bem estabelecidas em dogmas e rituais, com uma massa concentrada de pessoas nela; ou permitindo-o ficar no conformismo, aceitando o conceito de felicidade e de sentido da vida embutido pela mídia e pela sociedade, então claramente você faz parte do caminho fácil para a busca da verdade absoluta.

Acaso se enquadre na segunda opção, ou seja, aquele que suspeitava de todo conjunto de crenças que lhe foi enraizado, então este tem tudo para ser um investigador da veracidade nas coisas ao seu redor, entrando em um caminho mais complicado, no qual uma minoria se arrisca ou enfrenta com bravura".

Ao menos, é divertido de quebrar o código. Talvez fosse mais legal se Bruno trabalhasse criando passatempos tipo revista Coquetel e abandonasse o campo da filosofia.

5) Quer chorar?

Em maio de 2017 aconteceu o maior ataque hacker com uso de ransomware do mundo, o WannaCry. Usuários de todo o mundo, de empresas gigantescas europeias a serviços públicos do Brasil, tiveram seus arquivos capturados e criptografados, tornando bancos de dados inteiros reféns até que se pagasse uma quantia de resgate em moedas digitais. Foram mais de 300 mil computadores afetados espalhados em mais de 150 nações, colhendo mais de US$ 140 mil dólares em resgates pagos em bitcoins.

A princípio, ninguém acreditou que o WannaCry chegaria ao Brasil. Mas devido à ação maliciosa dos hackers o Ministério Público de São Paulo, o Tribunal de Justiça de São Paulo, o INSS e outros órgãos públicos simplesmente pararam de funcionar, incapazes de recuperar seus dados.

Resgates em baixos valores de bitcoins eram pedidos na esperança de colar

Como a manutenção dos sistemas operacionais dos serviços públicos no Brasil é deficiente por falta de servidores capacitados para atender à demanda, diversos computadores não tinham os últimos patches do Windows Server 2003 instalados e se tornaram presas fáceis para o WannaCry.

A Microsoft, à época, liberou uma nota de imprensa dizendo "Hoje, os nossos engenheiros adicionaram funções de detecção e proteção contra um novo software malicioso, conhecido como Ransom:Win32.WannaCrypt. Em março, nós fornecemos proteção adicional contra malwares dessa natureza, com uma atualização de segurança que impede a sua propagação através de redes. Aqueles que estiverem utilizando o nosso antivírus gratuito e tenham habilitado o Windows Update estão protegidos. Estamos trabalhando junto aos nossos clientes para fornecer assistência adicional".

Em dezembro de 2017, entretanto, a Microsoft e a Google acusaram publicamente o governo da Coreia do Norte pela ação do ransomware WannaCry. Em seguida, Reino Unido e EUA aumentaram a tensão com o país asiático e alegaram culpa por parte dos norte-coreanos. O governo de Kim Jong-Un disse: "Como claramente afirmamos em várias ocasiões, não temos nada a ver com o ataque cibernético e não sentimos necessidade de responder, caso a caso, a alegações tão absurdas dos EUA", mas as maiores apostas são que o WannaCry tenha sido, de fato, uma criação do Lazarus Group, ligado ao governo norte-coreano.

Entretanto, os mais de US$ 140 mil em bitcoins foram sacados em espécie numa época em que a moeda ainda não tinha recebido o boost de valor que aconteceu no final do ano. Quem chora por último?

4) INEP finge que não existe gente ruim no mundo

Os channers estão sempre aprontando alguma presepada na divisa entre o oportunismo, o crime e a falta de noção. Eles, supostamente, descobriram falhas nos sistemas de recuperação de senhas do site do INEP, portal onde os candidatos inscritos no ENEM verificam suas informações referentes ao certame e fazem a opção de quais vagas de cursos de graduação pretendem concorrer através do SISU. Esses espíritos sem luz foram tão sacanas que exploraram, quietinhos, toda a brecha que a falha permitia e, no último dia antes do prazo final para modificações no sistema, invadiram um monte de contas privadas e mudaram as opções de cursos da galera. A ideia era atacar quando já não havia mais tempo hábil para que os concorrentes percebessem as alterações feitas em seus rumos de vida.

Muito maduro

Foi o que aconteceu com Tereza Gayoso, que investiu pesado para ser uma concorrente à altura das vastas concorrências do curso de Medicina, chegando a obter nota máxima na redação, mas teve sua inscrição alterada pelos capirotos anônimos, contra sua vontade, para o curso de Produção de Cachaça. É uma forma bem radical de acreditar que um pileque pode ser a cura para todos os males.

Após Gayoso entrar em contato com o INEP para explicar que focinho de porco não era tomada, percebeu-se que havia outros casos semelhantes. E quando o caso repercutiu na mídia, percebeu-se também que o portal do INEP parecia não se preocupar muito com a possibilidade de ataques desse tipo, uma vez que apenas dados públicos como CPF e data de nascimento eram solicitados aos usuários em caso de recuperação de senha. Os anões recomendaram o uso do banco de dados do Sistema Único de Saúde, o famigerado SUS, como fonte de informações dos candidatos do ENEM. O CADSUS vem sendo utilizado como uma espécie de livro aberto contendo os dados pessoais de todos os brasileiros, sem que o Ministério da Saúde tome muitas providências para impedir o vazamento de informações pessoais.

Apesar do mole concedido pelo portal SISU com a ajuda do imenso mole que o Ministério da Saúde vem dando, o que os sem noção anônimos fizeram ainda é um crime e pode ser que alguém seja punido quando for concluída a investigação criminal conduzida atualmente pela Polícia Federal. Uma tremenda falta de sacanagem, sem dúvidas. Mas nós sabemos que o que mais te marcou ao ler essa história foi saber que existe um curso de Tecnologia em Produção de Cachaça, né? Pois saiba que é real: a graduação existe desde o ano de 2005 e é ofertada pelo Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, em sua unidade de Salinas, em Minas Gerais.

Nós esperamos muito que algum jovem tenha usado o ataque ao INEP como desculpa para romper com as expectativas da família para cursar coisas chatas e tomar a coragem de optar por aquele curso dos sonhos que não vai render dinheiro, colocando a culpa nos channers desalmados.

3) iOS 11 e seus bugs semanais

Poucos dias após o lançamento do iOS 11, a Apple precisou liberar a versão 11.0.1 do sistema operacional devido a vários bugs relatados por usuários de todo o mundo. Usando os mais variados modelos de iPhones e iPads, todo mundo estava enfrentando uma série de contratempos inespecíficos, como o mal funcoinamento de aplicativos, superaquecimento e bateria tendo seu poder drenado sem nenhuma ação que justificasse o gasto, ruídos desconhecidos durante ligações, aparelhos reiniciando do nada, entre outras capirotagens.

A Apple liberou as atualizações no seu jeitinho por baixo dos panos, sem explicar a gravidade do problema e sem dar mais informações sobre quais bugs foram solucionados. Não resolveu. Não deu bom.

A Apple, então, resolveu lançar a versão iOS 11.1 para tentar lidar com os bugs. Mais bugs surgiram: usuários relataram que o auto-corretor mudava as letras i minúsculas para A maiúsculos e alguns caracteres estranhos vinham junto.

Pouco tempo depois, a Apple lançou a versão 11.1.1 do iOS, que corrigia o bug do i virando A e outros bugs de acionamento da Siri.

A coisa saiu de controle e virou piada quando a versão 11.2 do iOS foi liberada aos desenvolvedores membros do programa Beta da Apple e continha a correção de um bug que fazia com que algumas contas feitas através da calculadora mostrassem resultados errados devido a demoras na animação do programa, na versão 11.0.3 do iOS que havia sido liberada poucas semanas antes para todos os consumidores da Maçã. A essa época, a versão 11.1 ainda nem tinha sido liberada para não-desenvolvedores.

Basta um fruto podre no cesto

Com o lançamento da versão 11.2 para todo o público em 2 de dezembro de 2017, alguns bugs relacionados a carregamentos e tela branca da morte foram corrigidos, mas logo surgiram relatos de consumidores muito descontentes após a instalação da versão atualizada. Outros bugs fizeram os sensores de chamadas entrarem em pane, a câmera deixar de funcionar, superaquecimentos, entre outros.

Apenas em 13 de dezembro, quase três meses após a primeira versão do iOS 11 ser disponibilizada, a Apple liberou para seus usuários o iOS 11.2.1, versão que corrigiu definitivamente os bugs relacionados aos problemas no HomeKit.

A Maçã divulgou que apenas 59% dos iPhones e iPads em funcionamento atualmente foram atualizados para alguma versão do iOS 11. Talvez depois de toda essa bagunça ela deva suspeitar que seja por "receAo".

2) Caixas de loot e pay-to-win

Quem é gamer sabe que parte da graça dos jogos atuais são as chamadas caixas de loot, que ofertam itens aleatórios que podem ajudar na jogabilidade, a depender da sua sorte. As caixas de loot existem nos jogos há bastante tempo, sendo geralmente ofertadas gratuitamente aos gamers para despertar a curiosidade — e a ganância! — e incentivar que se gaste dinheiro real para comprar mais caixas de loot. Há, inclusive, jogos que separam por preço caixas com mais ou menos probabilidade de presentear o gamer apostador com itens que valham o risco econômico.

Já pelo ponto de vista dos desenvolvedores de jogos, as caixas de recompensas aleatórias podem ser um mecanismo de prender o gamer na dinâmica do jogo ou mesmo fornecer ferramentas que melhorem a experiência do jogador.

Entretanto, o jogo Star Wars Battlefront 2, lançado em 17 de novembro de 2017 pela EA Games, foi o grande responsável por chamar a atenção das autoridades governamentais em todo o mundo, mostrando que as caixas de loot poderiam ser comparáveis a jogos de azar dentro dos games. Uma vez que as recompensas não eram tão aleatórias assim dentro do game, privilegiando jogadores que faziam compras de itens com dinheiro real em detrimento àqueles que recebiam as recompensas apenas através de suas habilidades no jogo, a EA Games chegou a desabilitar a possibilidade de pagamento com dinheiro real após receber uma torrente de críticas.

As principais queixas dos gamers ao sistema de recompensas de Star Wars Battlefront 2 eram sobre o que se conhece como pay-to-win, ou pague-para-ganhar, em tradução livre, que se refere à concessão de vantagens que resultem em melhoria nas habilidades de jogo para quem estiver disposto a investir algumas economias em recursos pagos, e dane-se quem se dedica a melhor suas habilidades gamers na raça.

As famigeradas caixinhas de recompensas aleatórias do SWB2

A polêmica já estava montada quando as críticas chegaram às caixas de recompensa do Call of Duty WWII, que permitia a abertura das caixas de loot às vistas de outros jogadores. A ferramenta foi vista como oportunismo por parte dos desenvolvedores, uma vez que ver outro jogador receber itens bons em uma caixa de loot aumenta a probabilidade de um gamer optar por gastar seu rico dinheirinho na chance de também se dar bem.

Overwatch, da Blizzard, foi apontado como o melhor exemplo de como um jogo pode oferecer caixas de loot aos jogadores sem caírem na falha do pay-to-win: nos seus baús surpresa que são ofertados aos personagens ao evoluir de nível ou podem ser compradas com dinheiro real, não são encontrados itens que alterem as habilidades de jogo, mas sim sua estética. Roupas, cenários, falas e imagens extra são disputadas em razão de sua popularidade ou raridade sem que ninguém obtenha vantagem de performance por isso. Fazendo a linha ética da Blizzard também estão os jogos Team Fortress 2, Heroes of the Storm, League of Legends e Dota 2, com itens meramente cosméticos em suas caixas de loot.

Caixas de loot politicamente corretas de Overwatch

A partir da polêmica, quase que as caixas de recompensas aleatórias dos games são completamente proibidas por guardarem semelhanças com a exploração de jogos de azar. Comissões foram montadas ao redor do mundo todo para discutir a problemática das caixas de loot e acabaram concluindo que não era necessário proibir, mas ao menos informar melhor o gamer sobre as probabilidades, numa pegada semelhante às legislações de bilhetes de loteria aqui no Brasil.

Foi aí então que plataformas que oferecem acesso ao download de jogos adotaram políticas mais nítidas sobre as caixas de loot. A App Store, por exemplo, inseriu a seguinte regra como item 3.1.1 em suas regras: "Aplicativos que oferecem 'caixas de loot' ou outros mecanismos que oferecem itens virtuais de forma aleatória devem divulgar as chances de receber cada um deles para os consumidores antes da compra".

A situação está longe de ser concluída, mas comissões do Reino Unido e Nova Zelândia concluíram que, com informações mais transparentes, as caixas de loot podem continuar existindo nos games. Ufa!

1) Senha? Pra que senha?  

Lemi Orhan Ergin, um desenvolvedor de softwares turco, estava só nos compíuter quando percebeu que o macOS High Sierra tinha uma falha muito abusrda: ao preencher o campo de login com a palavra root e deixar o campo de senha sem nenhuma informação, bastava duas vezes no botão desbloquear que o computador cedesse ao acesso. No calor do momento, Ergin publicou a descoberta em sua conta do Twitter com o intuito de chamar atenção da equipe de segurança da Apple para que o problema fosse resolvido o mais rápido possível:

Não bastasse o perigo de qualquer um entrar num computador pessoal sem que estivesse autorizado, a brecha era ainda pior: era possível fazer o mesmo procedimento através de acesso remoto. Se descobrissem como unir a possibilidade de invasão de qualquer máquina com o sistema operacional macOS High Sierra remotamente com o fato de o desbloqueio permitir não apenas acesso aos dados mas também às configurações, a brecha viraria uma ponte para a ação de malwares.

Me sinto bastante seguro

No dia seguinte, entretanto, saiu o update da Apple já com uma nota explicativa dizendo que encontraram "um erro lógico existente na validação de credenciais". Funcionou, mas que susto, hein?

Bônus: Elon Musk é amor!

Você precisa ser uma pessoa muito segura de si para rir de suas próprias falhas. E, por esse parâmetro, Elon Musk é detentor de uma autoestima muito saudável. Ele trouxe a público um vídeo de retrospectiva de erros cometidos pela sua SpaceX em tom de videocassetada. A compilação de falhas, que pode ser vista abaixo, é um atestado inegável de que é errando que se aprende:

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