Por ano, usina solar mata cerca de 6 mil pássaros incinerados

Por Redação | 08 de Setembro de 2016 às 20h59
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A busca por energia renovável tem sido uma das preocupações de países que querem diminuir o impacto do consumo energético no planeta. No entanto, esta busca pode produzir outros efeitos quando realizada no ambiente errado. Este é o caso da usina solar Ivanpah, que fica no deserto de Mojave, Califórnia. O deserto é um ponto crítico para muitas espécies de aves que migram em direção ao Pacífico, mas, atraídas pelo brilho da Ivanpah, cerca de 6 mil aves são mortas incineradas todos os anos. Alguns funcionários relataram que tentaram adotar medidas que evitem a morte de tantos pássaros, mas ainda sem sucesso.

A usina é composta por uma região de aproximadamente 13 quilômetros quadrados com espelhos e 40 torres de armazenamento. Os funcionários do local chamam os pássaros de "serpentinas", isto porque quando se aproximam do local eles acabam sendo mortos devido ao intenso calor produzido pela Ivanpah.

Em busca de alimento, as aves são "abatidas", produzindo uma pequena nuvem de fumaça com o choque. O brilho do local atrai insetos, que por sua vez são o alimento procurado pelos passarinhos.

"Estamos fazendo o possível para reduzir o número de pássaros mortos", disse David Knox, porta-voz da Ivanpah ao jornal Los Angeles Times. Visando a redução de mortes de animais, a usina, desde o início das operações em 2014, vem tentando implementar medidas como troca de refletores por iluminação LED, para tentar diminuir a chegada de insetos. E cada torre recebeu uma máquina que emite um cheiro característico que inibe que os pássaros se reúnam.

Medidas usadas em campos de agricultura e centros comerciais, testadas e efetivas, tais como as já citadas, fazem parte da tentativa de conter as mortes.

Além de pássaros e insetos, outros animais, como o papa-léguas, têm sofrido com a instalação. Eles ficam presos no perímetro da cerca da parte de fora – instalada para evitar a entrada de tartarugas – e acabam virando alvo fácil para os coiotes.

Ainda não ficou claro se alguma dessas medidas se provou, de fato, eficaz.

Fonte: LA Times