Polícia russa investiga concurso online que premia selfies feitas com cadáveres

Por Redação | 20 de Agosto de 2015 às 12h50
photo_camera Divulgação

Uma competição bizarra e que pode ter excedido os limites da noção tem sido destaque na Rússia nos últimos dias. Trata-se de uma campanha, se é que podemos chamá-la assim, em que os usuários precisam fazer selfies com cadáveres. Os melhores cliques são avaliados e o dono da fotografia pode ganhar entre R$ 50 e R$ 260 por cada registro.

O concurso é realizado na rede social Vkontakte, o equivalente russo do Facebook no país que já conta com mais de 300 milhões de usuários. Para armazenar todas as imagens enviadas pelos internautas, foi criado um grupo chamado postmortemselfie, que atualmente possui mais de 500 membros. Basta ingressar na comunidade e enviar as fotos — por alguma razão, a página não é recomendada para "grávidas e pessoas com problemas nervosos", segundo a descrição.

Só que não basta fazer uma foto com o morto para ganhar os prêmios. De acordo com as regras da competição, só são aceitas imagens em que o fotógrafo apareça com um ar sorridente ao lado do defunto, "pois essas pessoas partiram desta vida para um lugar melhor". Os organizadores do concurso disseram também que não é permitido faltar com respeito aos falecidos, mesmo sem especificar o que exatamente significa isso.

Sites internacionais tiveram acesso a algumas imagens postadas na página do Vkontakte russo. Algumas delas você pode ver logo abaixo, mas lembramos que tais conteúdos podem chocar usuários mais sensíveis.

Selies com mortos
Selies com mortos

Investigações

Por se tratar de uma competição bastante polêmica e que parece ter virado moda entre os jovens russos, autoridades locais receberam diversas denúncias sobre o ocorrido. Uma delas foi a de parentes de uma adolescente de 13 anos que teria morrido em um acidente de carro na cidade de Skytyvkar. A jovem teria aparecido em uma das selfies vencedoras no concurso.

Alexander Shidyusov, porta-voz da polícia russa, disse à agência de notícias AFP que a investigação está em estágio inicial para tentar identificar o responsável pela publicação da imagem e as pessoas ligadas ao grupo na rede social. "Tentamos entender as circunstâncias após estes artigos e tentamos saber se por trás se encontra um grupo ou uma pessoa", comentou.

Os policiais afirmam já ter encontrado um dos administradores da página: um homem chamado Alfred Polyakov. Embora tenha tido seu perfil suspenso na plataforma por atividades suspeitas, o rapaz se apresenta como um ex-professor universitário de 28 anos que vive em Donetsk, no Leste separatista da Ucrânia. "Criamos este grupo para mudar as mentalidades no que diz respeito à morte. A morte é o início de uma nova vida", declarou por telefone à AFP.

Polyakov ainda comentou que, apesar de muita gente ficar chocada com esse tipo de competição, as fotografias precisam ser levadas a sério porque ajuda as pessoas — no caso, os vivos que aparecem fazendo os retratos — a conseguir dinheiro para pagar o funeral de seus entes queridos.

Nos últimos tempos, as selfies se tornaram moda entre os russos, mas também motivo de preocupação para as autoridades do país. Recentemente, o governo lançou uma campanha de conscientização chamada "Safe Selfies", para alertar os usuários locais de que fazer fotos de si mesmos em locais exóticos pode causar acidentes fatais. A iniciativa teve início após diversos acidentes envolvendo selfies, algumas delas terminando na morte dos indivíduos.

Fonte: IBTimes, Daily Mail

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