Na Rússia, polícia prende pesquisador da Kaspersky por alta traição

Por Redação | 26 de Janeiro de 2017 às 08h49

Um dos funcionários da Kaspersky Labs, uma das mais renomadas empresas de segurança digital do mundo, se meteu onde não devia e acabou sendo preso na Rússia acusado de alta traição.

De acordo com informações do jornal russo Kommersant, Ruslan Stoyanov foi detido em dezembro por violar o Artigo 275 dos Crimes Contra os Fundamentos do Sistema Constitucional e da Segurança do Estado do país. O artigo define como traição qualquer atividade de "espionagem, divulgação de segredos de estado" ou qualquer outra atividade que possa afetar a segurança externa da Rússia.

Não se sabe exatamente o que Stoyanov andou aprontando, mas é certo que ele ultrapassou os limites e recebeu uma visita dos oficiais de Vladimir Putin. E é claro que essa confusão toda pode afetar a imagem da Kaspersky.

Antes de trabalhar para a Kaspersky, Stoyanov foi funcionário do Ministério do Interior da Rússia de 2000 a 2006. Caso pode estar relacionado a esse período.
Antes de trabalhar para a Kaspersky, Stoyanov foi funcionário do Ministério do Interior da Rússia de 2000 a 2006. Caso pode estar relacionado a esse período (Reprodução: Totpi)

Entretanto, ela logo tratou de espanar os olhares tortos e liberou um comunicado oficial em que diz que a prisão do funcionário não está de maneira alguma relacionada ao trabalho dele na companhia:

"O empregado, que é chefe da Equipe de Investigações de Incidentes Computacionais, está sendo investigado por algo que fez antes de seu trabalho na Kaspersky Lab. Não temos qualquer detalhe sobre tal investigação".

Segundo informações divulgadas pelo Ars Technica, Stoyanov de fato trabalhou para o governo russo, mais especificamente no Ministério do Interior, entre 2000 e 2006, antes de se juntar à Kaspersky em 2012.

Curiosamente, o trabalho de Stoyanov na Kaskerspy ajudou a deter vários cibercriminosos russos, incluindo um grupo de três bandidos que extorquiam casas de apostas no Reino Unido e obtiveram US$ 4 milhões com o esquema.

Por ter violado o Artigo 275, todo o caso está sendo conduzido por um tribunal militar secreto e por isso é bastante provável que não saibamos de seus desdobramentos, tampouco que fim levará o aparentemente ex-funcionário da Kaspersky.

Fonte: Ars Technica, Forbes, Kommersant (traduzido)

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