Britânico passará 28 dias ininterruptos usando o Oculus Rift

Por Redação | 24 de Novembro de 2014 às 09h13

Atualmente quase todo mundo vive conectado em redes sociais, navegando por sites e se divertindo com games em ambientes digitais, mas será que você passaria 28 dias imerso num universo virtual, mimetizando a vida de outra pessoa? Esse é o desafio a que se propõe o artista britânico Mark Farid. A história é destaque do The Verge.

"É para ver se o que somos é uma identidade individual ou se é apenas uma identidade cultural que carregamos", comenta Farid sobre o experimento, que está em fase de arrecadação de fundos no Kickstarter.

VR FARID

"Cresci na cidade toda a minha vida. Então, tudo o que vi até hoje - os jardins quadrados que temos, a árvore plantada num ponto específico, a maneira que o vento sopra ao longo da estrada - foi criado artificialmente. Toda experiência que estamos vivenciando é sintética", opina o artista.

Chamado de Seeing I ("Vendo Eu"), o projeto prevê que Farid veja e ouça o mundo pelos olhos e ouvidos de outra pessoa, chamada de "O Outro", desconhecida. Tudo o que essa pessoa fizer será registrada por uma câmera e microfones e, após um certo tempo, a gravação será transmitida ininterruptamente via óculos de realidade virtual e fones de ouvido capazes de isolar completamente a visão e a audição de Farid do "mundo real".

A partir do que será captado pelo "Outro", o artista terá que tentar reproduzir de forma fiel, de acordo com as limitações, num espaço que terá apenas uma cama, um banheiro e uma área para banho, que será visível para o público.

A única e maior interação que Farid terá com a realidade será por meio de sessões com um psicólogo especializado em neurociência, que conversará com o artista por meio de dos fones de ouvido. Esse "diário verbal" acontecerá sempre que "O Outro" adormecer e também servirá para saber se as condições físicas e mentais de Farid estão bem.

Todo o conteúdo das 24 horas dos 28 dias de experimento será analisado antes de ser enviado para Farid, com seis dias de diferença. Isso será necessário para que os assistentes possam preparar os alimentos ou materiais necessários para que a reprodução das ações do "Outro" sejam fiéis à realidade. Enquanto isso, o público poderá conferir a performance sem o conhecimento do artista.

VR FARID

A opção por 28 dias foi premeditada. Há uma teoria, ainda não comprovada, que prevê a perda de hábitos e a mudança de comportamento após três semanas experimentando uma "vida alheia". De acordo com textos publicados pelo cirurgião plástico Maxwell Maltz nos anos 1960, pacientes levam, em média, 21 dias para se ajustar a um novo rosto. Com os 28 dias, Farid espera, que possa sair de isolamento com memórias de outra pessoas e uma nova perspectiva de vida.

Sobre a escolha do "Outro", optou-se por um homem heterossexual que esteja vivendo com uma esposa ou namorada. "Assim ele pode narrar sua própria vida", justifica. "Se você mora sozinho, apenas vai para uma loja e compra leite, mas eu não saberia dizer o que você estaria fazendo, neste caso. Com alguém, ao sair para fazer comprar, você pergunta 'estou saindo para comprar leite, quer alguma coisa?'".

Ainda sobre o projeto, o britânico afirma que "essa não é uma prova de resistência. Se a coisa estiver indo longe demais ou para um caminho muito ruim, e isso deixar consequências prejudiciais ao meu corpo, minha visão ou minha mente, então terei que tirar os óculos de realidade virtual e o projeto acaba neste momento. Não vou danificar o ciclo de minha vida com este projeto".

Todo o experimento será gravado e, não importa qual seja o resultado, fará parte do documentário homônimo do projeto.

Fonte: http://www.theverge.com/2014/11/18/7235895/seeing-i-artist-to-spend-a-month-in-virtual-reality

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